O jazz terá a sua vez

Bruno Vieira2 CEO Deezer Brasil Crédito da Foto Roger Marzochi

Apesar de a Deezer Brasil estar apostando todas as suas fichas na música gospel no País, o jazz terá um pouco mais de espaço na plataforma de streaming de música em 2018. Bruno Vieira, CEO da Deezer Brasil, disse na última terça-feira (28/11), em coletiva de imprensa em um dos ícones do gênero no País, o Jazz nos Fundos, que artistas da música instrumental brasileira poderão ser chamados para o estúdio que a companhia inaugurou em sua sede, em Pinheiros, em agosto deste ano. “Claro! Total! 2018 dirá”, disse o executivo, ao ser questionado pelo entresons. A empresa francesa de streaming de música, presente em 180 países, é a terceira maior do mundo e ocupa o segundo lugar no Brasil, atrás do Spotify. “Temos um consumo grande de jazz (na plataforma). Temos rádios especializadas de jazz, temos um editor de jazz e está crescendo conteúdo para cada gênero. Por mais que a gente esteja falando de sertanejo e gospel, sob o ponto de vista de massa, isso não tira o nosso foco e interesse em trabalhar cada nicho.”

Forró Pé de Terra

Bando do Seu Pereira Didier Lavialle

Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira já denunciavam em “Asa Branca” o impacto da seca no sertão. Hoje, a sua poesia da tristeza de ver o gado morrendo por falta de água, o chão ardendo qual fogueira de São João, deixa de ser uma constatação do homem frente à força da natureza. Conscientes de que o ser humano tem capacidade de influir no meio ambiente, tanto para o bem quanto para o mal, um grupo de músicos e pesquisadores formou em 2015 o Bando do Seu Pereira, que apresenta nesta segunda-feira (27/11) o seu primeiro single no SoundCloud: “Tarabando”. A partir do poder de comunicação e poesia proporcionados pelo forró, o grupo se inspira em causas ambientais, como crise hídrica, consciência ambiental, imigração e dilemas da especulação imobiliária em suas canções, de tal forma que pode se dizer que foi criado um novo estilo do gênero no País: o Forró pé de Terra, uma homenagem de ativismo ambiental ao querido e tradicional Forró Pé de Serra.

Não existe fé pela metade

Luiz Marzochi

O dia e, especialmente, a noite de hoje são dedicados ao músico. No Dia do Músico também completa exatos cinco anos de vida do blog entresons, com diversos artigos e reportagens sobre lançamentos de discos, curiosidades, matérias sobre sustentabilidade, saúde e projetos sociais relacionados à música. Aventurei-me em alguns textos sobre teatro, grafite e artes plásticas. E tive a oportunidade de conhecer muita música boa, muita gente querida, subvertendo a máxima de que não há mais nada de novo nesse mundo.

O som de mil guerreiros

Ivan Cavalheiro Crédito Marina Telles

Apenas uma fraca luz delineava o contorno do espaço e das pessoas, já deitadas em seus mats de yoga. Vagava na penumbra leves nuvens brancas, carregando o aroma de incenso e pau santo. Os músculos da face, tônus da voz e a respiração já haviam sido exercitados. O meditashow do Tambores Flow começou, naquele 2 de junho de 2017, com a batida do coração dos tambores xamânicos. Em meio ao ritmo primitivo, o som de outro tambor começava a ser audível, costurando os baques dos tambores xamânicos, preenchendo espaços e levando toda a percussão para uma batalha. Ivan Cavalheiro, percussionista e flautista, foi quem colocou em marcha os exércitos, comandando em suas mãos o instrumento irlandês bodhran. Esse instrumento é um tambor, provavelmente com ascendência árabe ou africana, que chegou a ser usado no século XVII na Irlanda para anunciar a chegada dos soldados ao campo de batalha. Com o tempo, o instrumento começou a ser usado na música celta, na luta do país em reforçar um ideal estético de suas raízes, livre da influência da Inglaterra e da Igreja Católica.

Perspectivas da solidão

Rodrigo Bragança Crédito de Tárita de Souza

Você já se deparou com uma obra de arte da qual não gostou? É uma pergunta salutar num momento em que surgem movimentos querendo a censura de exposições de arte no Brasil. Pois eu me vejo em situações parecidas, sem, no entanto, querer calar qualquer expressão artística. No mês passado, recebi pelo Correio “Solo para um homem só”, CD do guitarrista, compositor e poeta Rodrigo Bragança. Senti um grande incômodo, minha primeira reação foi a de não gostar do trabalho, no qual o artista expressa uma das doenças que mais assolam a humanidade: a solidão, que é, muitas vezes, a porta de entrada da depressão. Explorando timbres de sua guitarra e usando sintetizadores, Bragança declama alguns de seus poemas, contidos no livro que leva o mesmo título do CD, e que deu origem ao seu som sombrio. O trabalho também está disponível no Deezer, aplicativo de streaming de música.

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