Nas asas de Ícaro

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Os dramas da adolescência, aprofundados pela miséria provocada pela extrema exclusão social, são abordados em profundidade na peça “O Primeiro Voo de Ícaro”, do dramaturgo Luís Alberto de Abreu. A obra foi encenada em estreia no sábado, dia 21 de abril, no Teatro Lulu Benencase, em Americana (SP), pelo Manada Grupo de Teatro. Os sete atores são, em sua maioria, educadores próximos dos 20 anos, que agora iniciam o caminho da profissionalização nas artes cênicas. Essa relação com a pedagogia pode ter ajudado com texto, no qual Abreu buscou inspiração na mitologia grega de Ícaro para contar a história de alunos de uma escola pública na periferia de qualquer cidade brasileira. As 307 pessoas que estiveram presentes no teatro, que tem capacidade para 779 espectadores, foram do riso às lágrimas, recebendo uma semente de reflexão sobre uma imagem muito real que a sociedade brasileira prefere ignorar. Com o uso de música ao vivo, com base em instrumentos como a voz, o corpo, violão e violoncelo, esses atores provaram que novos voos virão.

Sem fronteiras

Mariano Telles Créditos - Patrick Rigon

Mariano Telles tem 29 anos, mora hoje em Porto Alegre e, ano passado, lançou “Ária Metropolitana”. Neste seu primeiro CD autoral, o violonista faz uma viagem musical misturando música erudita, a música popular brasileira e a música regional do Sul, deixando escapar, sem querer, influências de dois Gonzagas: Chiquinha e Luiz. Sobrevivendo hoje como professor de violão, Telles tem a expectativa de realizar ainda mais dois shows do seu trabalho na capital gaúcha até junho. Mas vem batalhando mesmo para conseguir espaço nos Estados de Minas Gerais e São Paulo. Em oito faixas, o violonista prova que tem capacidade para conquistar um público maior, especialmente à medida em que deixa a criatividade voar mais alto que a técnica. Em quatro música, há participações especialíssimas das cantoras líricas Clarisse Diefenthäler (mezzo soprano) e Cynthia Barcelos (soprano). “Tudo que faço está bem na zona de fronteira (entre o erudito e o popular). Eu tenho interesse em estar antenado na música moderna, música erudita e pop, mas tenho lado mais tradicional. Como cresci na zona rural, eu me descobri em Porto Alegre um bicho urbano”, diz ele, que viveu até a adolescência em Taquara, região metropolitana de Porto Alegre.

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