No tom da fé

Caboclo Pena Verde

A música é ciência e, paradoxalmente, religião. Aceitando a acepção dessa palavra do grego “religare”, de atar novamente, de reconexão com as origens, o uso da música para ascender ao sagrado é tão antigo quanto a humanidade. E vem do eco ancestral dos primeiros tambores a soarem na África o primeiro disco digital do Templo de Umbanda Caboclo Pena Verde e Mãe Oxum, localizado na zona oeste de São Paulo. Lançado em agosto de 2019 nas plataformas digitais, o CD tem 18 canções próprias, compostas por membros da congregação e pela dirigente espiritual da casa, Rosângela Bologna. Nem sempre as canções são exatamente as mesmas utilizadas no ritual religioso, mas são expressões artísticas fundamentadas na fé. “A Umbanda tem toda essa relação da musicalidade, que ajudar na estrutura de energia da casa, ao trazer a história de seu guia e o orixá trazem. Quando tem oportunidade, a gente canta. A ideia era fazer um álbum de pontos, de guias de orixá. Mas reestruturando acabaram entrando outros instrumentos e ficou mais uma música de Umbanda para a gente ouvir ao invés do ponto tradicional”, explica Rosângela, que sonhava com o projeto há seis anos.

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