Talentos Musicais

“Talentos Musicais” revela instrumentistas, cantores e compositores em show emocionante

Roger Marzochi, Vitória (ES), entresons, roger@entresons.com.br

Um artista genuíno não pensa na diferença entre amadores e profissionais, pois sabe que a técnica, apesar de ser muito importante, tem como função a necessidade primordial do ser humano de expressar e transmitir emoções, sentimentos intangíveis que não podem ser mensurados. O “Talentos Musicais – O Espetáculo”, que nasceu de um concurso interno entre funcionários diretos e terceirizados da ArcelorMittal Tubarão, celebrou na quinta-feira (23/10) o espírito da verdadeira comunhão musical, com 16 empregados-artistas que, sozinhos ou acompanhados por uma competente banda de apoio, transmitiram emoção em canções do rock ao gospel que debatem os mais humanos dos sentimentos. Todas as apresentações foram boas, algumas surpreendentes pela qualidade, revelando bons compositores, intérpretes e ótimos instrumentistas. A união foi ainda maior porque  alguns empregados cantaram junto com o coral Maria Marias, composto por 20 detentas do presídio de Cariacica.

Daniel Souza surpreende em “At Last We Meet Again”

O show foi realizado no belíssimo Theatro Carlos Gomes, no centro de Vitória. Ao som de “Maria Maria” entoado pelos funcionários, usando instrumentos diversos, a fachada do prédio foi toda iluminada pela projeção de uma animação, que mesclava cenas de aço derretido com imagens da apresentação que os funcionários fizeram no concurso realizado dentro da empresa, que selecionou os finalistas e os três vencedores nas categorias instrumentista, intérprete e composição. A iniciativa do concurso foi de Sidemberg Rodrigues, gerente de Comunicação, Responsabilidade Social e Relações Institucionais da empresa, que instituiu em 2003 um modelo de sustentabilidade com seis dimensões: econômico, ambiental, social, cultural, político e espiritual.

“Nossa empresa tem o capital humano como principal valor. E o que permeia nossa organização é o respeito ao próximo. Nosso objetivo é cada dia mais integrar as pessoas de forma que, como uma orquestra, a gente consiga harmonizar nosso conjunto e a nossa força de trabalho com suas famílias, para obter cada vez mais segurança do trabalho, preservação do meio ambiente e inclusão, porque nós somos uma empresa que gera valor para a sociedade”, afirmou Jorge Luiz Ribeiro de Oliveira, vice-presidente de Operações da ArcelorMittal Tubarão. “Isso tudo objetiva motivar quem trabalha lá dentro, independentemente se trabalha diretamente na ArcelorMittal , se é uma empresa parceira ou estagiário que se inscreveu para mostrar para nós hoje quão importante é ter talentos. As pessoas que vão subir no palco hoje vão profundamente orgulhar suas famílias e a família ArcelorMittal.”

Concursos como esse, explica Ruy Shiozawa, CEO do Great Place to Work (GPTW), com certeza colaboram muito no ambiente de trabalho. “Com certeza isso ajuda. Quando se pergunta a um  funcionário se ele gosta de trabalhar onde está, ele geralmente responde que sim e explica que sente-se à vontade, ou como se fosse parecido com o ambiente familiar. O ambiente de trabalho é o somatório de todas essas coisas que ajudam a produzir mais engajamento”, explica. “É você aproveitar aquela oportunidade da melhor maneira possível. Tem gente que apresentou composição própria, para quem tocou foi muito legal para ele, um orgulho para ele e a família. E para os colegas foi legal porque a maioria talvez nem imaginasse que ele fosse um músico e compositor. Como a música é uma linguagem universal, você pode promover discussão grande na empresa.”

Além das famílias dos funcionários, terceirizados e das detentas de Cariacica, que lotaram o teatro, estavam também presentes José Armando Campos, ex-presidente da ArcelorMittal Tubarão e atual presidente do Conselho de Administração da ArcelorMittal Brasil, Álvaro Ribeiro, ex-vice-presidente de Operações da ArcelorMittal Tubarão e o Secretário de Justiça do Estado, Eugênio Coutinho Ricas. A cerimônia foi comandada pela jornalista Taís Venâncio, apresentadora do programa “Fala ES”, da Rede Record. Um telão gigante ao fundo do palco projetava imagens e cenas de natureza que eram exibidas em cada uma das 13  apresentações, criando um espetáculo de luzes.

O show teve início com a categoria instrumentistas. A primeira surpresa no palco foi a apresentação de Marcelo Vargas ao piano, tocando a sua composição “Tem que ter jazz”, com Vinicius Amorim na bateria e Hugo Maciel no contrabaixo. Ederson Moreira (violão) e Saulo da Mata (viola de 12 cordas) seguiram com a composição autoral “Liberdade”, um som potente muito próximo ao rock. Helder Ferreira (violoncelo), Daniel Souza (baixo), Pedro Henrique Passos (flauta transversal), Ederson e Saulo tocaram a música gospel “Vivifica”, de Rafaela Pinho. Uma apresentação belíssima ocorreu também na música “At Last We Meet Again”, de Béla Fleck, com Daniel Souza mostrando todo o domínio do contrabaixo, num solo muito bem construído, enquanto Pedro Henrique Passos voava na flauta, em uma música extremamente contemplativa.

Paulo e Christian tocam a música “A primeira pedra”

Na categoria compositores Paulo Godoy fez uma ótima apresentação com a sua música autoral “A Primeira Pedra”. “Acho que a música é meu ponto de equilíbrio. Trabalho na usina como mecânico, é um trabalho até certo ponto pesado. E a música é meu contato com Deus”, disse ele, na entrevista que a produção fez com cada participante, que era exibida no telão antes das apresentações.  A música começa com os acordes do violão namorando o som da gaita que era tocada por Christian Boldi, numa melodia chorosa que irrompe na voz potente de Paulo, numa letra muito bonita. “Quando se dá o primeiro tapa? Quando se dá o primeiro beijo? Quando se dá o primeiro gole? Ou se entrega ao vício por inteiro”, começou a cantar, numa voz em tom grave.  A banda base – formada por Eduardo Sziajnbrum (bateria), Leo Carvalho (guitarra), Hugo Maciel (baixo) e  Wandaluz Filho (teclado) – acompanhou as vozes de Kitiellen Campelo, da criança Winny Damasceno, Joabson Souza e Tamires de Freitas, que cantaram a música “Cadente”, de Dirley Damasceno. Marco Lima e Iérocles Reis cantaram juntos “Tente”, composição de Marco Lima.

Na categoria intérpretes, foi muito vigorosa a apresentação de Marcela Pereira, que cantou muito bem “Como Nossos Pais”. Deivison Quadros (bateria), Paulo Sérgio Brandão (baixo), Victor Sarmento (guitarra) e Ricardo Ribeiro (violão) mantiveram pulso firme, com todas as quebras que essa música exige, e foram aplaudidos entusiasmadamente pelo público. Karla  Stelzer também mandou muito bem cantando “Malandragem”, música de Cazuza e Frejat eternizada por Cássia Eller. Geovany dos Santos (teclado), Gustavo Barbosa (guitarra), Esdras Ribeiro (bateria) e Hugo Maciel (baixo), da banda de apoio, mantiveram o alto nível do rock and roll.

Kitiellem (voz) e Karla (backing vocal) se uniram para cantar “A Majestade o Sabiá”, em uma apresentação muito emocionante repleta de imagens da natureza. E Tamires voltou ao palco para cantar música gospel “Acreditar”. O músico Carlos Papel, que ensaiou os empregados de Tubarão e os acompanhou por três meses, foi então surpreendido por uma belíssima homenagem: Iérocles Reis cantou “Sol da Manhã”, música com a qual Papel disputou o concurso musical promovido pela Rede Globo em 1985. Ao final da apresentação, as 20 detentas coral Maria Marias subiram ao palco na companhia de funcionários para cantarem uma versão muito bonita e viva de “Maria Maria”, de Milton Nascimento e Fernando Brant.

Coral Maria Marias emociona público com música de Bituca e Fernando Brant

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