Lê Coelho Tuvalu

Lê Coelho reflete tensões sociais frente à crise climática em novo CD

Roger Marzochi, São Paulo, entresons, roger@entresons.com.br

O mundo como conhecemos está passando por profundas mudanças climáticas, em grande parte por causa da ação do homem. A exaustão também chegou ao sistema capitalista, que com a globalização, aumentou ainda mais as desigualdades econômicas. Clima e sistema econômico estão em colapso. E, como ocorrem em momentos de inflexão, há sempre gente torcendo pelo fim do mundo só para se esquivar da responsabilidade de fazer no agora a mudança necessária. Esse não é o caso do compositor Lê Coelho, que em seu novo CD “Tuvalu Uma História Oral do Nosso Tempo”, potencializa o debate sobre a relação entre as pessoas e o planeta, mostrando que há gente em que se pode apostar, pois atuam para uma nova mentalidade.

“Quando se falava sobre a destruição do planeta, as consequências pareciam distantes, eu nem estaria ainda vivo para ver. Mas as consequências já estão, de fato, aparecendo. E antes do que a gente imaginava”, diz ele, em entrevista por telefone no dia 12 de novembro de 2014, data histórica por dois motivos: devido à assinatura de um acordo entre os Estados Unidos e a China estipulando metas de redução da emissão de poluentes na atmosfera; e o pouso do robô Philae no cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko. Promessas do resgate da memória do começo da Terra e de um novo fim.

“Deveríamos parar e refletir de verdade sobre como estamos relacionando uns com os outros e qual impacto disso no País e no mundo. Um país rico como o Brasil, com várias riquezas naturais, tem uma empresa que extrai petróleo da terra, que vai ser queimado e vai prejudicar a atmosfera… infelizmente para a economia do país isso seja necessário, mas é o final dos tempos pensar que uma companhia assim seja um orgulho nacional. É um paradoxo! Um país maravilhoso ficar com orgulho da Petrobras? O movimento tem que ser o oposto, tem que ser ao contrário”, afirma.

Muitas de suas inquietações estão presentes nas letras e arranjos das 11 faixas do CD, que tiveram a produção de Ivan Gomes, Rodrigo Monteiro e do próprio Lê Coelho. Sambas, cirandas, rock e funk se misturam em novas texturas que formam a base para a maioria das composições autorais do artista.

“É mais simples viver sabendo que vai acabar (o mundo) e dane-se, não é?”, diz, ao explicar a ideia da música “21 de Dezembro”, inspirada por um texto da atriz Carla Massa. “Mas o mundo não acabou, nós estamos vivos. Esse é um pedido para a gente parar e refletir. E a música ‘Tanta gente’, também significa bem isso, embora ela exponha uma visão que de fato muitos valores nossos estão corrompidos, e vivemos de maneira cruel, mas não podemos generalizar. Tem gente que quer fazer coisas boas, e é nelas em que precisamos apostar. Embora o disco tenha visão critica e reflexiva, não é um disco pessimista. É para propor uma discussão para que sigamos adiante, vamos prá frente, mas vamos olhar direito, porque tem coisas que não podem continuar assim.”

Para amarrar o conceito do CD, Lê Coelho faz uma relação inusitada entre Tuvalu, o país que deverá desaparecer nos próximos 50 anos se o nível do mar continuar a subir, e Joe Gould, o morador de rua que havia estudado em Harvard e que passava a vida, segundo ele, a escrever a história oral de seu tempo. “Eu já tinha as músicas do disco e estava finalizando o repertório e não tinha o nome do CD e procurei um nome para trabalhar, a gente não tinha ideia das fotos de divulgação. Queria criar uma atmosfera que representasse as canções e tivesse uma mensagem. E descobri sobre Tuvalu. Até 2050 o país pode desaparecer se o aquecimento continuar no mesmo ritmo que em 2009. E essa questão do fim e de como nós estamos encarando o fim, seja na morte, ou seja de como nos relacionamos com o planeta, as reflexões que as letras do disco dialogam com esse universo, e decidi usar esse nome como título do disco.”

Já a história de Joe Gould, retratada no livro “O Segredo de Joe Gould”, do jornalista Joseph Mitchell, inspirou Lê Coelho ao levá-lo “a muitas reflexões sobre a questão da criação e o destino que damos à nossa vida”. “E juntar esse personagem, com essa questão de Tuvalu, imaginá-lo lá, poderia dar inspiração para a arte visual e colocaria o ouvinte diante de um universo que tem a ver com o que a músicas propõem. Gould não era doido, era consciente e irônico.”

 

Lançamento: Lê Coelho lança o álbum  “TUVALU – Uma História Oral do Nosso Tempo”

 

Dia 22/11/2013. Sábado, às 21h.

 

Duração: 1h30

 

Teatro (392 lugares – acesso para pessoas com deficiência.)

 

Recomendado para maiores de 12 anos

 

Ingressos à venda pelo Portal Sesc SP (www.sescsp.org.br), a partir de 11/11/2014, às 15h30, e nas unidades a partir de 12/11/2014, às 17h30.

 

R$ 20,00 (inteira); R$ $ 10,00 (usuário matriculado no SESC e dependentes, +60 anos, estudantes e professores da rede pública de ensino). R$ 6,00 (trabalhador no comércio e serviços matriculado no SESC e dependentes).

 

Sesc Belenzinho

Endereço: Rua Padre Adelino, 1000

Belenzinho – São Paulo (SP

Telefone: (11) 2076-9700

www.sescsp.org.br/belenzinho

 

Estacionamento

Para espetáculos com venda de ingressos:

R$ 6,00 (não matriculado);

R$ 3,00 (matriculado no SESC – trabalhador no comércio de bens, serviços e turismo/ usuário).

 

Para atividades gratuitas:

R$ 6,00 (1ª hora) + R$ 1,00 (p/hora) – (não matriculado)

R$ 3,00 (1ª hora) + R$ 1,00 (p/hora) – (matriculado no SESC – trabalhador no comércio de bens, serviços e turismo)

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