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Espetáculo “Sabiá” faz reflexão sobre o golpe de 1964

Nany Gottardi, São Paulo, Ofício das Letras, nany@oficiodasletras.com.br

O espetáculo Sabiá, com texto e direção de Paulo Faria reestreia no 22 de novembro 2014 às 21h30 para uma curta temporada, na sede Luz do Faroeste, depois de passar pelo MuBE Nova Cultural em junho e julho e viagens pelo Interior de São Paulo. Livremente inspirada na canção de Chico Buarque e Tom Jobim, a montagem traz a reflexão sobre os 50 anos do Golpe Militar, como recorte e espelho do que foi e é a realidade de muitas famílias e amigos daqueles que se posicionaram contra e em ação direta ao regime totalitário. A temporada vai até o dia 30 de novembro de 2014.

A peça já foi montada pela Cia Faroeste em 2002 e ficou em cartaz até 2008, tendo excursionado pelos interior de São Paulo e 7 temporadas na capital – foi a montagem que mais tempo ficou em cartaz. Esta encenação, com a direção de seu autor, é uma montagem fora da Cia e que agora faz temporada ali, encerrando uma série de programação sobre o golpe militar, iniciada em 15 de dezembro de 2013, com a intervenção urbana “Luz e Sombra”, em frente ao antigo DOPS, e em parceria com o SESC Bom Retiro – maior evento com vídeo mapping da América Latina e envolveu mais 300 pessoas. E agora, Sabiá se apresenta na Sede da Cia, em frente ao antigo DOPS encerrando esse ciclo.

A peça se passa durante um dia inteiro, num mesmo cenário: uma sala vazia. As personagens são alinhavadas com o recurso de flashback. O mundo de Helena e Joana tem o tempo cronológico real, que acompanha as horas do dia. O espaço em que aparece Ricardo é do tempo psicológico da lembrança, contado de trás para frente. Do momento mais próximo da lembrança ao mais distante e esquecido, como numa regressão. A construção narrativa de Sabiá é simples, dentro da estrutura de um drama. A linguagem tem ritmo ágil com aproveitamento da repetição de imagens e palavras, para deslocar ações de um ambiente a outro da lembrança, sem interromper o fluxo de emoção de uma trama que se revela ao final, com pequenas doses de suspense.

Atualmente, com a criação da Comissão da Verdade, a sociedade brasileira marca também sua acentua sua expectativa em esclarecer os fatos da ditadura e reconstruir partes obscuras da nossa história. A criação dessa Comissão aponta para a necessidade de evidenciar e dar luz às feridas coletivas e individuais de gerações passadas, mas que perduram até os dias atuais. Tocando neste tema ainda tão presente no país, a peça propõe a arte como expressão cultural e resgate crítico da história nacional. A sutileza do espetáculo contrapõe-se à dureza da história e dos fatos narrados.

Sinopse – Em 2000, após três anos de separação, duas amigas se reencontram.  Helena visita Joana. Helena traz a revelação de um segredo sobre o desaparecimento de Ricardo. Seu antigo namorado e irmão de Joana. Ricardo foi morto pelos militares durante a ditadura militar e seu corpo nunca foi encontrado. Através de flashback, é revelado um Brasil de trinta anos atrás. Numa estrutura dramática, as personagens vão revelando seus fantasmas, e a surpresa de um Brasil atual ainda entranhado pela agonia de quem sofreu e sofre as sequelas da ditadura. Uma história de amor e heroísmo, numa lembrança poética de jovens que lutaram contra este período terrível de um Brasil ainda não digerido suficientemente.

 

Paulo Faria – autor e diretor – Em 1998  fundou a Cia. Pessoal do Faroeste, onde dirigiu e escreveu os espetáculos Um Certo Faroeste Caboclo, Rei dos Ventos, Sabiá e A Mulher Macaco. Em 98, recebeu o Prêmio Coca-Cola de Teatro Jovem, na categoria direção, pelo espetáculo Um Certo Faroeste Caboclo. Em 2001 recebeu o primeiro lugar do Prêmio Nacional de Dramaturgia, promovido pela Secretaria Estadual de Cultural: Plínio Marcos/2001, com o texto A Mulher Macaco.  Em 2009 recebeu o Prêmio CPT pela direção de arte de Trilogia degenerada. Paulo foi um dos vencedores do Concurso EnCena Brasil, da FUNARTE. Foi indicado 4 vezes ao Prêmio Shell e uma vez ao prêmio Governador do Estado de São Paulo.

ELENCO

Gustavo Haddad – ator – Em Teatro e televisão atuou em “Atrás do Pano”, de Luiza Jorge, direção Marcelo Romagnoli,  “Tanto”, de João Fábio Cabral, direção João Fábio Cabral, “Volta ao Lar”, de Harold Pinter, direção Alexandre Reinecke, “É o Bicho”, de Evaldo Mocarzel, direção Rosi Campos  e  Claudia Borioni, ”Píramo e Tisbe” – SESI/SP, de Vladimir Capella, direção Vladimir Capella, “O Negócio” na HBO (2013), direção Luca Paiva Mello – Personagem Jaime, “Amor e Revolução”  no SBT (2011), direção Reynaldo Boury – Personagem Mário, “Cidadão Brasileiro”  na Record (2007),  direção Ivan Zétel – Personagem Agnaldo, “Como uma Onda” na Globo (2005) direção Dennis Carvalho – Personagem Conrad, “A Padroeira”  na Globo (2001), direção Walter Avancini e Roberto Talma  – Personagem Luiz Antunes, “Malhação” na Globo (1999),  direção Flavio Colatrello  –  Personagem Plínio.

Jerusa Franco – atriz – No teatro em 2014 atuou em “Pior das intençøes” de Mário Bortolotto (2011 a 2013) em “As pontes de Madison” turneé pelo Brasil, interior e capitais com direcåo Regina Galdino. Em 2008 em “Faz de conta que tem sol lá fora” de Ivam Cabral e direção de Aline Meyer. Atuou em “Madame de Sade” (2006) de Yoshio Mishima e direção Roberto Lage e em 2002 em “Dentes guardados” de Daniel Galera e direção de Mário Bortoloto e “Herói Devolvido” de Marcelo Mirisola e direção de Mário Bortoloto. Ainda em 2002 trabalhou na produção do espetáculo “Biroskabrau” de Tiche Viana para o projeto formação de publico da secretaria de cultura de São Paulo. Em 2001 atuou em “Antes do Café” de Eugene O´Neill e direção de Celso Frateschi. Em 2000 em “Qualquer gato vira-lata tem uma vida sexual mais sadia do que a nossa”  de Juca de Oliveira com direção Bibi Ferreira. 2000 “A voz humana” de Jean Cocteau direção de Aline Meyer e Vadim Nikitin. 1999 “Grogue” de Toni Brandão direção de Débora Dubois (premio Coca-cola). 1998 “Putas” de Léo Lama direção de Roberto Lage. “Foi ele que começou” de Toni Brandão como assistente de direção e 1997 “Cuidado! Garoto apaixonado! De Toni Brandão direção de Débora Dubois.  Em 1996 “Piramo e Tisbe” de Vladimir Capela. No cinema em 2010 “Destricted BR” longa de Lula Burque de Holanda; 2007 “Não sei mesmo” curta de Kelly Marciano; 2005 “Quase dois irmãos”longa de Lucia Murat; 2003 “Infinitamente Maio” curta de Marcos Jorge; Prêmio Melhor Atriz – Fest. Curitiba, Santos, Recife, Maranhão e Ceará 2002 “Cristina quer casar” longa de Luis Vilaça.

Eliana Guttman – atriz - A atriz começou a carreira tarde para os padrões atuais: já com 33 anos. Mas isso não a impediu de seguir seu sonho. Em 1987, entrou na Escola de Arte Dramática da USP, formou-se em 1989 e, desde então, não parou mais de atuar. Atuou em 13 espetáculos no teatro, com destaque para Violinista no Telhado, direção de Iacov Hillel; Toda Nudez Será Castigada, direção de Moacyr Góes; O Enigma Blavatsky, do dramaturgo José Rubens Siqueira com direção de Iacov Hillel; A Importância de ser Prudente, direção de Oswaldo Boaretto; Me Engana que eu Gosto, direção de Jacques Lagoa; Laços Eternos, direção de Bruna Gasgon, e Estranho Amor, texto e direção de Olair Cohen, entre outros. Em cinema fez Feliz Ano Velho, 1988, direção de Roberto Gervitz; Mário, 1996, direção de Nando Olival; O Xangô de Baker Street; entre outros. Na TV, além das novelas Luz do Sol (Rede Record), Cristal (SBT) e da minissérie Mad Maria (Rede Globo), Eliana participou de alguns episódios do Retrato Falado e Linha Direta (Rede Globo), Alô Doçura (SBT) eFamília Record (Rede Record).

FICHA TÉCNICA

Autor e Direção: Paulo Faria/ Assistente de Direção: Priscila Machado, Leona Jobs e Beto Magnani. Elenco: Eliana Guttman, Gustavo Haddad e Jerusa Franco/ Trilha: Tunica/ Figurino e cenário: Paulo Faria/ Iluminação: Cizo de Souza/ Vídeo: Dário José/ Fotos: Rodrigo Reis/ Direção de Produção: Cizo de Souza &  Taciana Machado/ Produção Executiva: Rosana Penna/

 

SERVIÇO:

 

Temporada: Dias 22, 23, 29 e 30/11 de 2014

 

SEDE LUZ DO FAROESTE

 

Local: Sede Luz  do Faroeste.

 

Endereço : Rua do Triunfo, 301, Luz, São Paulo (Metrô Luz).

 

Telefone para informações: 11-33628883

 

www.pessoaldofaroeste.com.br

 

pessoaldofaroeste@gmail.com

 

Ingresso: Pague Quanto Puder – contribuição voluntária.

Duração: 70 minutos/ Classificação: 14 anos

 

Reserva: 3362-8883 ou reservafaroeste@gmail.com

 

Capacidade: 80 lugares

 

Ingressos: No sistema Pague Quanto Puder (Quem chegar uma hora antes define quanto quer pagar depois de ter visto a peça)

 

Antecipados ou reserva por R$ 40,00

 

(quem ligar antes para reservar lugar perde a vantagem do pague quanto puder)

 

 

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