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Protesto eleva venda de panelas em 1.964% e irrita líderes liberais

Roger Marprozac, enviado especial a Macondo*

Desde o último domingo, quando macondonenses protestaram com um panelaço durante o pronunciamento do presidente do país, Demétrius Rosticoff, as vendas de panelas dispararam nas lojas. Especialistas explicam que parte desse incremento nas vendas é resultante dos furos provocados nas panelas pelas batidas do último domingo. Mas, para a maioria dos cientistas políticos do país, o principal motivo para o crescimento das vendas em 1.964% entre o último domingo e quinta-feira é a disposição dos manifestantes em usar a panela nova como instrumento musical durante o superprotesto agendado para domingo, dia 15 de março. “É bom lembrar que, o crescimento das vendas se deu porque ninguém mais acredita que panela velha é que faz manifestação boa”, diz o cientista político, Olívio Lamou Niê.

As principais fabricantes de panelas tiveram que suspender as férias de funcionários e pagar hora extra para dar conta das encomendas. Com a procura nas alturas, as panelas ferveram: o preço, em média, subiu 365%. De acordo com o economista Epaminondas Bovino, da UniDuniT Consultoria, a aceleração dos preços das panelas deverá comprometer a meta da inflação anual, que é de 68%, com tolerância de 24 pontos porcentuais.

Apesar de entenderem a predileção dos manifestantes pelo som do tilintar das panelas no protesto de domingo, o que honra muito o grande músico do país, Hermético Natal, a alta dos preços causou apreensão entre os líderes do movimento, demonstrando que falta coesão entre o que defendem e o que praticam. “Ninguém pode comprar panela no preço que está, é preciso impedir isso”, protestava Kim Din, o principal expoente do Macondo Livre (ML), um movimento formado por jovens daltônicos decididos a avançar o sinal.

Questionado pela reportagem se criticar o preço das panelas não seria uma contradição frente à defesa da livre iniciativa, Din afirmou, com o olhar firme para o céu:  “Há uma diferença crucial entre defender a iniciativa privada e defender a livre iniciativa. Há uma diferença crucial entre defender o livre mercado e defender empresas privadas.”

Apesar de não distinguirem cores, os líderes do ML manejam como ninguém a mais alta tecnologia e dispõem dos mais avançados estudos sociais, um dos motivos que explica a grande popularidade que obtiveram entre os macondoneses dentro e fora das redes sociais. O que explica esse nível de conhecimento é que a maioria desses jovens líderes estuda no prestigiado Instituto Ludwig Von Bee Troven.

Para o colunista do principal veículo de comunicação de Macondo, o ex-fotógrafo Armando Jabá, são jovens daltônicos como do ML que ajudarão o país a evitar o totalitarismo de Rosticoff, pois não são ligados a partidos políticos e nem são intelectuais. “É evidente por que o estado precisa de intelectuais, mas não é algo tão evidente por que os intelectuais precisam do estado. Posto de forma simples, podemos afirmar que o sustento do intelectual no livre mercado nunca é algo garantido, pois o intelectual tem de depender dos valores e das escolhas das massas dos seus concidadãos, e é uma característica indelével das massas o fato de serem geralmente desinteressadas de assuntos intelectuais”, afirmou.

 

*O repórter viajou a convite do Instituto de Estudos Avançados em Irrelevância Comparada de Palo Alto

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