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Alexandre Keto prepara exposição que retrata a cultura africana no Brasil e na Europa

Roger Marzochi, São Paulo, entresons, roger@entresons.com.br

O artista plástico Alexandre Keto, 27 anos, está preparando uma exposição que ocorrerá no segundo semestre de 2015, que começará em Salvador e que deve percorrer as principais capitais do País. A exposição reunirá 20 fotos e um número ainda incerto de obras que retratam a cultura negra dos países africanos e sua influência na Europa e no Brasil. O artista, que começou aos 12 anos a fazer grafites nas ruas da Vila Prudente, zona leste de São Paulo, ganhou notoriedade ao criar os traços de uma mulher negra, retratando nas paredes da cidade a cultura africana.

Nos últimos sete meses, entre o fim de 2014 e o início de 2015, Keto promoveu atividades culturas em Benin, Gana, França, Portugal e Inglaterra. Nesses países, desenhou o seu personagem sob vários aspectos e documentou o trabalho. “Fiquei uma temporada na Europa e na África, desenvolvendo trabalhos já agendados. Mas isso coincidiu com meu novo projeto, uma nova exposição, porque pintei em países europeus que colonizaram a África, e países africanos que foram colonizados pelos europeus. Fiz como se o meu personagem estivesse saindo do Benin, passando por Paris e desembarcando no Brasil. Por isso, a exposição começará em Salvador, onde os africanos chegaram ao Brasil”, diz, em entrevista por telefone.

O projeto tem apoio da Matilha Cultural, mas Keto também busca apoio de pessoas físicas e empresas. Para contribuir com a exposição, é possível entrar em contato com o artista por meio do e-mail: alexandreketo@gmail.com.  “Eu cheguei com todo esse material e agora estou viabilizando a exposição e em busca de patrocinadores.  Todo apoio é sempre bem-vindo. A exposição será composta por fotos das intervenções que realizei e alguns trabalhos que pintei influenciados por esses lugares que eu percorri na África.”

Alexandre Keto2O personagem de Keto nasceu de uma conjunção de fatores relacionados à sua família e à música. Em primeiro lugar, vem o grande respeito que o artista tem pela mãe, que criou praticamente sozinha os filhos. Ela também sempre cantava, participava de rodas de samba, e uma das músicas que Keto mais gostava era o “Canto das três raças”, de Mauro Duarte e Paulo César Pinheiro, entoada por Clara Nunes. “Minha mãe canta e uma das músicas que eu mais gosto é essa. Ela canta desde quando eu era pequeno, cantava em rodas de samba, e eu também tocava cavaquinho. Esse contexto foi o que me levou para a cultura africana, está presente desde a minha infância, minha família interracial. Isso contou positivamente para que eu me aprofundasse na cultura africana.”

Silêncio criativo - Mesmo ouvindo música diariamente, Keto prefere o “silêncio criativo”. “Eu diariamente ouço muita música, mas quando estou pintando nem sempre. Não é com freqüência, porque quando estou na rua tem interação sonora da cidade. Mas quando estou em casa não quero intervenção de som, para me concentrar exclusivamente no desenho. Tem situações que gosto de música para colorir, mas os primeiros traços eu gosto de fazer no silêncio. Um silêncio criativo.”

O artista plástico já recebeu um prêmio do Ministério da Cultural do Brasil pelo seu trabalho de arte e educação com jovens de Dakar, no Senegal. O que mais o deixou feliz nesse trabalho foi ver os jovens senegaleses se reconheceram em suas pinturas, uma vez que o grafite no País tinha mais influência dos traços americanos e europeus. “Eles estavam se vendo artisticamente e surgiram novos artistas em Dakar trazendo elementos da cultura deles.”

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