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Entre o punk rock e a arquitetura moderna

Roger Marzochi, São Paulo, entresons, roger@entresons.com.br; Fotos de Vivi Spaco

Por ironia do destino, a arquitetura moderna e a música fizeram com que Tito Ficarelli ficasse conhecido no Brasil. Aos 14 anos, o paulistano formou com outros dois amigos da escola a banda de punk rock Holly Tree no fim da década de 1990. Os clips da Holly Tree eram exibidos na MTV e o grupo se apresentava na TV Cultura. O grupo vendeu 12 mil cópias de CDs, e a banda chegou até a viver em Los Angeles. Ficarelli também estudou arquitetura e, quando voltou dos Estados Unidos, abriu com a irmã Chantal Ficarelli o escritório Arkitito (www.arkitito.com). A empresa faz arquitetura comercial, residencial, cenografia e projetos visuais. “Continuo desenvolvendo a música e a arquitetura, os dois têm relação forte entre arte, matemática, ritmo, estruturação. Os dois são filosoficamente bem parecidos”, diz o também contrabaixista.

No início, o escritório fez a cenografia da exposição “Rockers”, realizada em 2007 na FAAP, com fotos que o nova-iorquino Bob Gruen clicou de bandas de rock e punk das décadas de 1960 a 1980, como John Lennon, Yoko Ono, Tina Turner, Bob Dylan, Led Zeppelin, Ramones, New York Dolls, Sex Pistols, The Clash, entre outros. A curadoria era do roqueiro Supla. “Na arquitetura, a gente começou com muita coisa comercial e cenografia, que é um trabalho meio paralelo da arquitetura, buscando linguagem exageradas.”

Não demorou muito para surgirem projetos residenciais, com grande destaque para a arquitetura moderna, nem sempre com as curvas de Oscar Niemeyer, mas sim próximas de nomes como Paulo Mendes da Rocha. “Na residencial, a gente já fez reforma de apartamento de 50 metros quadrados até 500 metros quadrados. Exploramos bastante nos projetos a luz natural, com a planta da casa o mais aberto possível, usando acabamentos em seus modos mais naturais. Isso pode resultar em uma casa mais industrial ou uma casa mais elegante, combinando planos brancos, com madeira, mais delicada, mas sempre pegando os materiais na sua natureza.”

A casa metálica que Tito projetou para morar inspirou outros projetos.

A casa metálica que Tito projetou para morar inspirou outros projetos. Na foto do alto do post, destaque para a sala da mesma residência

Entre os seus projetos, há um que frutificou: a casa com estrutura metálica, usada na construção primeiramente de sua própria residência, em São Paulo, que o levou para as revistas especializadas em arquitetura e construção e o fez conquistar novos clientes. Na sequência, surgiu outro projeto de casa metálica para um cliente, cujo sucesso a transformou em locação para uma sessão de fotos da atriz Carol Castro, que foi capa da edição de dezembro da revista Vip. “A minha casa é um modelo um pouco mais industrial, o que, também por ironia do destino, está na moda no Brasil há dois anos e, provavelmente, continuará por mais dois anos.”

O metal é trocado pelo concreto na estrutura da casa, o que pode reduzir o tempo de construção e o preço da obra. “Pode reduzir em até 20% o custo da obra e até em 30% o tempo de execução se o projeto for bem pensado e se tiver condições pertinentes, como a disponibilidade de fornecedores na região e mão de obra qualificada. A estrutura metálica deixa a arquitetura mais leve visualmente e possibilita vãos maiores dentro de sua dimensão.”

Ele, no entanto, não recomenda que donos de residências que não são nesse estilo industrial ou brutalista busquem uma reforma que traga elementos dessa arquitetura, especialmente no que se refere à fiação e encanamento, que nas casas de estrutura metálica ficam aparentes. “A arquitetura moderna surgiu na década de 1920, mas vingou no pós-guerra porque era um momento em que o mundo estava quebrado, e conseguia construir com menores custos e maior eficiência. Isso fez a arquitetura moderna vingar, virou um padrão estético. Não tem cabimento fazer uma reforma de um apartamento e fingir que a parede é de concreto, ou forçar e fazer instalações hidráulicas e elétricas aparentes, onde isso não é necessário.”

Entre seus novos projetos relacionados à arquitetura moderna, está a Casa Hangar, em Salto de Pirapora (SP). A casa foi construída embaixo de um hangar de aviões, um estilo brutalista mais leve da arquitetura moderna, segundo Ficarelli. Assim como na arquitetura, seus projetos musicais continuam frutificando. Atualmente, ele faz parte da banda Terminal, que lançou em 2014 “Picasso”, seu primeiro CD. Além de Tito, integram a banda Ricardo Dom (guitarra), Ricardo Athayde (bateria) e Pedro Pezte (vocal).

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