Zeolina

Músico integra Expedição Rio Doce Vivo  

Roger Marzochi, São Paulo, entresons, roger@entresons.com.br

O contrabaixista e compositor Vinícius Pereira sempre esteve ligado a importantes movimentos culturais, tendo liderado o Movimento Elefantes, que busca formar público para a música instrumental e atuando como músico de bandas que fazem desde uma homenagem ao maestro Moacir Santos, passando pelo tango até a música oriental. Compositor de “Gotita”, uma das músicas mais expressivas e mais bonitas da atual cena da música instrumental brasileira, segundo avaliação do próprio blog entresons, Pereira será uma das sete pessoas, entre outros artistas, educadores e engenheiros, que percorrerão quatro cidades entre Minas Gerais e o Espírito Santo de 13 a 20 novembro, levando informações sobre coleta e tratamento da água da chuva para suprir as comunidades de meios para superar a crise provada pela tragédia do rompimento da barragem de rejeitos da mineradora Samarco.

Além dos sete que farão a viagens, outras cinco pessoas ficarão em São Paulo para colaborar no processo de divulgação de informações e apoio à Expedição Rio Doce Vivo. As cidades que serão visitadas nesta, que será a primeira expedição, serão Governador Valadares em Minas e, no Espírito Santo, Baixo Guandu, Colatina e Linhares. Três cisternas serão doadas para as comunidades que serão visitadas. “A tragédia de Mariana é a maior catástrofe socioambiental já ocorrida no Brasil. Desastres desta magnitude requerem soluções sistêmicas e de longo prazo. Em situações assim, a permacultura (ciência do design ecológico) tem a compartilhar diversas técnicas de auxílio às pessoas e de incentivo ao empoderamento das comunidades”, explica o grupo, em texto disponível no site do Partio, plataforma por meio da qual o grupo espera captar R$ 17 mil para a realização do projeto, que aceita doações a partir de R$ 20.

O projeto tem o objetivo de “contribuir com o trabalho de regeneração social e ambiental; dar suporte aos movimentos locais e fomentar a construção participativa de soluções; registrar a situação dos locais atingidos e os trabalhos que estão sendo realizados; recolher subsídios para o planejamento de futuras ações colaborativas. Capacitar 4 comunidades diferentes na captação, armazenamento e tratamento de  água da chuva com tecnologia de minicisterna; instalação e doação de 3 minicisternas; distribuição de material didático dos ‘Permacultores Urbanos’ e ‘Aliança pela Água’ para comunidades capacitadas.”

A palavra “permacultura” surgiu na década de 1980 quando o australiano Bill Mollinson resolveu buscar inspiração em práticas antigas relacionadas à atuação do homem na agricultura para se criar um modelo alternativo ao existente hoje, no qual há desflorestamento e uso de agrotóxico nas lavouras. A ideia cresceu e, apesar de utilizar conhecimento antigo sobre o manejo dos recursos naturais, novas tecnologias foram sendo utilizadas. “Permacultura é cultura da permanência, uma forma de conseguir organizar a sociedade, nossas casas e cidades em ambientes sustentáveis. É permanecer na terra, e manter a terra viva”, explica Pereira, dono de Zeolina, a Kombi híbrida de hidrogênio, que usa água para gerar energia, que será usada para transportar os integrantes da equipe e, também, instrumentos musicais como zabumba, violão e bandolim. Além de apresentações musicais após as realizações de palestras com membros da comunidade, a Kombi ainda servirá de suporte para a projetação de filmes.

“Realizaremos nessas cidades oficinas sobre como utilizar a água da chuva. A ideia é formar multiplicadores dessas técnicas, que possam continuar levando essa informação para outras pessoas”, explica Vinícius Pereira, que integra o coletivo Permacultores Urbanos. “Também vamos documentar e fotografar tudo, para mostrar o nosso olhar sobre essa tragédia. E que seja só o começo de uma relação com as sociedades ribeirinhas, no intuito de colaborar no processo de reconstrução dessas cidades de forma sustentável, para que o rio e a natureza sirvam de espaço para convivência. A água é vida.”

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