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O som dos cabarés do Oriente

Mulheres, bebidas e fumaças. Para completar a tridimensionalidade do ambiente, a Orkestra Bandida está lançando o seu primeiro CD, que traz na capa um cão vira-lata. Utilizando instrumentos da cultura cigana oriental, os seis integrantes da banda fazem soar as músicas que animavam os cabarés, tabernas e festas do Egito, Grécia, Macedônia, entre outros países da Europa Oriental e do Oriente Médio. O grupo foi criado há quatro anos dentro da Fundação Tarab, organização dedicada aos estudos da música oriental e dirigida pelo multi-instrumentista Mario Aphonso III, em São Paulo. O CD será lançado em show no sábado, dia 24 de setembro, no Centro Cultural Rio Verde, na noite “Caravana Cigana”. O evento terá a participação da banda Grand Bazaar, tendas ciganas com comida típica, leitura de tarot e discotecagem do DJ Luciano Sallun, membro do legendário grupo Pedra Branca.

“Fazemos uma mistura da música cigana de uma forma que as pessoas não estão acostumadas a ouvir. Quando se fala de música cigana, alguém imagina um ‘Olé’, da Espanha. A gente se esquece que o Leste Europeu inteiro é de ciganos, que vieram da Índia, do Vale da Caxemira. A gente mostra um lado bem diferente da Trácia, que é Turquia, Macedônia, esse lado de cima da Europa, que é oriental também. O oriente é muito mais abrangente”, diz Mário Aphonso III, músico que integra a Orkestra Bandida, que desenvolveu sua carreira entre os universos do jazz brasileiro e da música oriental. É de sua autoria CDs como “Melodias do Vento”, um canto místico das constelações que marcou o início do artista no mundo da música instrumental, e “Arabesque”, que inaugura suas composições autorais com temáticas orientais.

orkestra-bandida-cdAtravés de uma instrumentação peculiar, que inclui alaúdes, saz, clarinetes, flauta turca ney, kaval, violão cigano manouche, rabeca, percussão oriental e contrabaixo ocidental, o grupo mergulha nas escalas orientais, chamadas de Maqams, e em ritmos ímpares como o Karsilama, cujos compassos deram origem a uma dança de mesmo nome na Turquia, geralmente executada pelas Cengis, ciganas turcas. O estilo musical segue as inspirações do Fasil, uma música com forte influência árabe, tocada pelos ciganos da Turquia. “O Fasil é o seguinte: imagina você passando por uma estrada, no interior de Fortaleza ou do Maranhão e encontra uma casinha de luz vermelha, escrito: Boate Chamego e, lá dentro, o som da cachorrada”, brinca o multi-instrumentista. “A gente brinca com essa coisa na Orkestra Bandida. Mas é um bandido bom, de luz, que não vai levar a carteira de ninguém. Houve um tempo em que a malandragem era aquela coisa de sapato branco, não lesava ninguém.”

E os ventos que moveram as culturas por milênios chegaram a deixar seus vestígios também na cultura brasileira, com a música nordestina expressando paralelos com a música cigana. “O cocek, ritmo tradicional da Macedônia e da Bulgária, é quase o nosso baião. Estamos muito próximos do forró, de ritmos muito brasileiros”, explica Mário Aphonso III, acrescentando ainda que um dos instrumentos orientais de percussão usados pelo grupo, o davu, é muito parecido com a zabumba. “O Brasil é um país absolutamente cigano. Um país que tem dentro do seu arquétipo básico existencial a antropofagia, misturando todas as culturas, não tem coisa mais cigana que isso.”

Lançamento do CD da Orkestra Bandida

Centro Cultural Rio Verde,Belmiro Braga, 181 – Vila Madalena, São Paulo

Dia 24 de setembro a partir das 23h

Preço: R$ 25 até a meia noite; R$ 30 após às 0h

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