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A melodia felina de Toninho Ferragutti

Roger Marzochi, São Paulo, entresons, roger@entresons.com.br

Antes de virar músico profissional, o sanfoneiro Toninho Ferragutti estudou veterinária em Botucatu, no interior de São Paulo. Talvez, pelo cuidado com os animais, ou devido à música boa que deve sair de sua casa, em São Paulo, uma gata – que depois se descobriu gato – começou a miar pedindo um aconchego logo no início do ano, quando o músico estava envolvido num projeto de gravação de um CD com um quinteto. Ele acolheu o bichano e, aos poucos, percebeu que toda a vizinhança havia se preparado para dar um pouco de comida e lugar onde dormir em suas garagens ao animal. “A música tem a função de juntar as pessoas, da mesma forma que o gato uniu os vizinhos”, explica o compositor em entrevista ao blog. Ele escreveu uma música para o gato, que dá nome ao trabalho que estava gravando, mas deixou no feminino para ficar mais charmoso. O CD foi lançado em julho, mas o quinteto se apresentará no JazzB, em São Paulo, no sábado, dia 8 de outubro, às 22h com ingressos a R$ 35.

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Da esquerda para a direita, Thiago do Espírito Santo, Cássio Ferreira, Toninho Ferragutti, Vinícius Gomes e Cleber Almeida, fotografados por Douglas Lopez.

“A gata Café” é o 11º CD do artista, que nos últimos anos tocou em diversas formações, muitas delas eternizadas em discos pela gravadora Borandá. “Fiz música de câmara com cordas, fiz música com viola caipira com o Neymar Dias, com violão, com duo de acordeon com o Bebe Kramer, muita coisa. Mas há um tempo, eu trabalhei formação de quinteto e queria voltar. Eu estava pensando em fazer um disco nessa formação e estava me aproximando de pessoas que pensam como eu, e têm o mesmo gosto.” E um gosto, diríamos, refinado. Integram as gravações das 11 músicas o jovem saxofonista Cássio Ferreira, da Reteté Big Band, o guitarrista Vinícius Gomes, o também jovem baixista Thiago do Espírito Santo e o baterista Cléber Almeida. Das 11 músicas, quatro são gravações inéditas e as outras, regravações de outros CDs com arranjos adaptados para essa nova formação.

O trabalho começa com a engraçada “Com a Búlgara atrás da orelha”, uma composição inspirada no Leste Europeu que Ferragutti fez para o monólogo “Como ter sexo com a mesma pessoa a vida toda”, comédia dirigida por Odilon Wagner e Monica Meyer, com a atriz Tania Bondezan interpretando uma sexóloga. “Egberto” é um baião suave, que o músico compôs em homenagem ao multi-instrumentista Egberto Gismonti, uma música muito sensível, assim como a própria “A gata Café” e “Cortejo do Rio do Peixe”. A mistura de ritmos, variações nordestinas com tempero de jazz, tem como explicação o amplo gosto musical de Ferragutti, que pegou o gosto pela arte partindo do exemplo do pai, saxofonista amador, quando a família morava em Socorro. O músico está, nesta semana, apresentando-se no Clube do Choro, em Brasília, com Oswaldo Amorim no baixo acústico e Leander Motta na bateria. Volta rápido para o show no JazzB. De lá, embarca para Curitiba, para tocar com a Orquestra de Sopros da cidade, sob regência de Sérgio Albach. E, no fim de outubro, estará no Mestre Aprendiz, projeto do maestro Ênio Antunes Santos, em Aquiraz, no Ceará. Realizará, na ocasião, também workshops. Instinto felino deve ter sido o que aproximou Café de Ferragutti, com disposição e presteza em cada um de seus saltos melódicos.

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