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Número de baleias-jubarte encalhadas no Brasil é o maior em seis anos

Roger Marzochi, São Paulo, entresons; imagem retirada do site Morro de São Paulo

O canto das baleias-jubarte no Brasil tem sido de desespero. O ano de 2016 fechará como o segundo pior período para as jubartes no Brasil. Até início de dezembro, 76 baleias encalharam na costa brasileira, o pior resultado desde 2010, quando houve o recorde de 96 casos. No ano passado, ocorrem 45 encalhes. “O que está ocorrendo este ano parece ser similar ao que ocorreu em 2010, quando houve uma diminuição do krill na área de alimentação das jubartes próximo à ilha Georgia do Sul”, explica Milton Marcondes, vice-presidente e coordenador de pesquisa do Instituto Baleia Jubarte (IBJ).

De acordo com Marcondes, a distribuição geográfica das ocorrências também se espalhou. Antes restritas à Bahia e Espírito Santo, onde se localiza o Banco dos Abrolhos, os encalhes têm ocorrido em São Paulo, com 26 ocorrências. Resultado muito maior que na Bahia e no Espírito Santo, com registros de 11 e 14 casos, respectivamente. “Isso indica que, provavelmente, a distribuição das jubartes na costa do Brasil foi atípica este ano. Essa situação de muito encalhe em São Paulo é inédita, é a primeira vez que o litoral de são Paulo tem mais encalhes.”

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Em 85% dos casos, o animal morre em alto mar e surge encalhado na praia. Outro dado que intriga os pesquisadores é que neste ano, diferentemente dos outros períodos, caiu o número de filhotes encalhados, que sempre representam 50% dos casos. Neste ano, 21% dos animais encalhados eram filhotes. O pesquisador lembra que as jubartes nascem no Brasil e migram para a área de alimentação, próximo às ilhas Georgia do Sul e Sandwich do Sul, que ficam a 1.800 km a leste do continente sul-americano, próximo às ilhas Malvinas. Elas retornam ao Brasil em maio, mas a temporada reprodutiva – quando a maior parte da população está no País – ocorre de julho à novembro. Entre o final de outubro e novembro elas começam a deixar o Brasil. A migração dura cerca de dois meses para ir e outros dois meses para voltar. “Elas passam o verão (Janeiro/Março) na área de alimentação.”

Com o aumento da temperatura em decorrência do aquecimento global, ocorre uma redução da quantidade de krill na água do mar, uma espécie de camarão minúsculo, a principal fonte de alimento das baleias. Quanto mais o gelo avança no mar, mas algas se formam sob a banquisa, organismos que servem de alimento para o krill. Esse organismo é levado até as ilhas pela Corrente Círculo Polar Antártico.

De acordo com estudo de 2014 do Conselho Internacional de Exploração do Oceano, a concentração de krill em 2009, ano anterior ao recorde de encalhes de jubartes no Brasil, foi de 28,83 gramas por metro quadrado. A medição cresceu até 2012 (90,11 gramas) e voltou a cair em 2013, registrando 61,73 gramas de krill por metro quadrado. Além das variações climáticas, o homem também tem aí culpa no cartório. No fim da década de 1970, governos começaram a explorar a pesca do krill, devido ao seu alto teor nutritivo. “No ano passado, há informações que, pela primeira vez, barcos da Noruega entraram no estreito de Gerlach, na Antártida, para pescar krill”, explica o ambientalista da IBJ. “Neste ano algumas jubartes que apareceram mortas não tinham no estomago krill, mas organismos parecidos com camarão do mar brasileiro. Isso mostra que tinha pouco krill em sua área de alimentação.”

Apesar do crescimento dos casos, Marcondes diz que a espécie não corre riscos. Em 2015, o IBJ fez a medição de uma população de 17 mil baleias no Brasil. Neste ano, deverá ocorrer um crescimento de 10% da população. “Mesmo com o encalhe, a população está crescendo”, afirma. Além da possível redução de alimentos, Marcondes lembra que o aumento da população pode também explicar a alta do encalhe dos animais, com mais ocorrências de acidentes de colisões com embarcações e redes de pesca. “Esperamos que ano que vem a situação se normalize.”

 

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