edHermeto Pascoal Gargolândia foto de Matheus José Maria

H2I: a química da improvisação

Roger Marzochi / Foto de Hermeto Pascoal, clicada por Matheus José Maria, durante a gravação do novo CD na Gargolândia, em Alambari (SP)

Após um ano, os multi-instrumentistas Hermeto Pascoal e Heraldo do Monte compartilharão o mesmo palco nos shows de sábado e domingo, dias 11 e 12 de março, no Sesc Pinheiros. Os músicos se conheceram na década de 1960 quando integraram o lendário Quarteto Novo. A banda, além de acompanhar o cantor e compositor Geraldo Vandré, também gravou um disco precioso, que agora completa 50 anos. Mas não é de passado que vive essa dupla, que já completaram 80 primaveras. “No show queremos nos surpreender para, assim, surpreender o público”, conta Heraldo, que completa 82 anos no dia 1 de maio. “Hermeto mora no Rio. Eu moro em São Paulo. Não sei o que vai acontecer no palco, porque não vamos ensaiar nada”, explica o músico, que não tem a mínima ideia das músicas que tocará ao lado do parceiro de longa data. “Talvez, a gente combine um tema para improvisar em cima.”

Heraldo do Monte

“No show queremos nos surpreender para, assim, surpreender o público”, diz Heraldo do Monte / Foto retirada de imagem do YouTube.

Heraldo ainda tem uma esperança de que o Bruxo, como é conhecido Hermeto Pascoal, toque uma de suas novas músicas, que foram gravadas neste ano no estúdio Gargolândia, um sítio que é um verdadeiro paraíso musical para o mundo artístico. “Estou curioso com esse disco e, quem sabe, ele não toca algo novo, que ele acabou de gravar.” Esse trabalho, o primeiro CD autoral após 15 anos, ainda está em fase de finalização. Na página do Campeão, outro aposto de Hermeto, é possível ver mais de 70 fotos incríveis do processo de gravação, no estúdio do compositor Rafael Alterio.

Com o espírito acolhedor do sítio, que fica na cidade paulista de Alambari, o grupo ficou muito unido, lembrando à época em que os seus integrantes ensaiavam todo dia na casa de Hermeto, no bairro do Jabour, no Rio de Janeiro, entre as décadas de 1970 e 1980. Heraldo não tem certeza nem mesmo se alguma música do disco Quarteto Novo, que agora completa 50 anos, poderá ser tocada. O disco traz músicas de Geraldo Vandré, Theo de Barros, Airto Moreira, Edu Lobo, Dori Caymmi e Heraldo do Monte. Hermeto deve chegar a São Paulo apenas para passar o som e subir ao palco.

Além dos dois ícones da música brasileira, um tempero especial adicional terá essa comemoração. É que os filhos de ambos os músicos estarão tocando a pleno vapor. Luiz do Monte, filho de Heraldo, estará intercalando guitarra e violão. Enquanto Fabio Pascoal, filho de Hermeto, estará mandando brasa na percussão. Heraldo está ansioso para os shows, espera dois dias com muita gente na plateia. “O bom do Brasil é que há tribos que gostam de certo tipo de música como a nossa. E não são tão poucos, vemos todos eles no show. O interesse desse encontro está muito grande.” A improvisação tem a química perfeita no encontro de Heraldo e Hermeto, a fórmula H2I da composição mais elementar da terra: a música universal.

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