Benjamim Taubkin - O piano que conversa

Um filme para os ouvidos

Vencedor do Prêmio Petrobras, “O piano que conversa” é exibido no CineSesc e Circuito SPCine

Roger Marzochi, entresons

A celebração da cultura ancestral pela música contemporânea é a principal protagonista do filme “O piano que conversa”, do diretor Marcelo Machado. A obra, que venceu o Prêmio Petrobras de Melhor Documentário, na categoria Júri Popular, será exibido no CineSesc, em São Paulo, de 6 a 12 de julho, sempre às 21h30. Após esse período, a película será exibida no Circuito SPCine. A força catalisadora do trabalho nasce das antenas amplas e irrestritas do pianista Benjamim Taubkin, que em suas andanças pelo Brasil e pelo mundo, em mais de 150 projetos musicais, consegue tecer com as teclas de seus pianos uma intrincada rede de paz e amor. Machado acompanhou o encontro do pianista com músicos do Brasil, Coréia do Sul, Bolívia, Polônia, Israel e Moçambique, em gravações realizadas no País, na Bolívia e na Coréia do Sul.

“Comecei o filme pensando em registrar a música na sua essência, o que seria por si só um objetivo”, diz Machado, que pensava em documentar o processo de produção musical. Ao longo das filmagens, o diretor percebeu que o piano era, na verdade, um dos personagens do filme. “A música aleatória, os rangidos e mesmo suas reações aos impactos pareciam mostrar que ele (piano) tem vida própria. Percebi também que apesar da sua complexidade, peso e tamanho, ele podia soar leve nas mãos do protagonista, dividindo com ele esse papel. ”

O documentário não tem diálogos, nem entrevistas. Vez ou outra, é possível ouvir alguém cantando, uma ou outra conversa vazada entre os músicos, expressões vocais de surpresa e contentamento ao fim de uma gravação ou apresentação. Neste vídeo clipe em longa metragem, o diretor faz da luz notas musicais, revelando minúcias dos momentos mais tenros do fazer musical, cenas de amizade, e imagens sutis da mais delicada natureza. É possível ver Benjamim com as mãos estendidas sob as teclas, escutando atentamente os outros músicos, para agir com o coração na ponta dos dedos. Raios de sol, contrastes, fogueiras e uma formiga carregando uma folha.

Quem conhece o músico sente a sua imensa bondade e sua calma em falar se transformando em música. “No filme, a cultura de cada um não desaparece, mas de uma forma totalmente inesperada, se funde em uma expressão que dá um sentido muito mais amplo a ideia de globalização”, diz Taubkin. “Ali estão demonstrados milênios de cada povo condensados na expressão musical e que nos encontros e contrastes, revelam muitas vezes matizes ainda desconhecidas para muitos de nós.”

Ao suprimir diálogos, o diretor conseguiu redimensionar o sentido de “ver” o mundo ao ampliar as possibilidades do “ouvir”. Vem, desde a década de 1980, uma esperança de que o ser humano redefina sua existência usando mais a sua audição, em tempos de grandes apelos visuais da televisão, propaganda e cinema. O músico e escritor Joachim-Ernst Berendt foi um expoente dessa potência, expressando-a em livros como “Nada Brahma”, praticamente uma Bíblia dos músicos. “Minha experiência me diz que o homem moderno se perdeu devido à hipertrofia da visão, e que já não consegue ouvir de modo adequado”, escreve o músico, no livro publicado em 1983. “O âmbito da visão é a superfície. O âmbito da audição é a profundidade. Os olhos vêem o superficial. No entanto, nada do que é percebido pela audição deixa de penetrar a fundo.”

O filme de Machado propõe esse novo horizonte, resgatando sons ancestrais, que continuam ecoando na aldeia global. “Percebo uma espécie de ecologia humana e cultural que mantida e desenvolvida, garante não só a permanência desta riqueza, como também, melhor compreendidas, apresentam valores importantes adormecidos no passado”, diz Taubkin. “Procedimentos criativos contemporâneos e tradicionais se complementam e se enriquecem. Da mesma forma que pagamos o preço por não termos assimilado em nossas vidas e cultura cotidiana, saberes ancestrais, achatamos o mundo e empobrecemos nossa experiência ao ignorar tantas músicas produzidas em tantas épocas e regiões. Milagrosamente elas ainda estão sendo entoadas em alguma região, em geral desconhecida em seus profundos valores, por nossa cultura ocidental.”

O Piano que Conversa – trailer from Marcelo Machado on Vimeo.

 

O Piano que Conversa

Duração: 78 min.

 

06/07 a 12/07 , às 21h30

 

Valores:

2a, 3a e 5as feiras:

inteira: R$ 17,00

meia: R$ 8,50

comerciário: R$ 5,00

 

4a feira:

inteira: R$ 12,00

meia: R$ 6,00

comerciário: R$ 3,50

 

6af, sábado, domingo e feriados:

inteira: R$ 20,00

meia: R$ 10,00

comerciário: R$ 6,00

 

Cine Sesc: R. Augusta, 2075

Tel 30870500

Capacidade: 250

Mais informações no CineSesc.

 

Circuito SPCine

 

15 de julho, sábado | 19h00

Spcine Olido – com a presença de Marcelo Machado e Benjamim Taubkin

 

19 de julho, quarta-feira | 19h30

Spcine Butantã

Spcine Meninos

Spcine Jaçanã

Spcine Quinta do Sol

Spcine São Rafael – com a presença de Marcelo Machado

 

26 de julho, quarta-feira | 19h30

Spcine Três Lagos – com a presença de Marcelo Machado e Benjamim Taubkin

Spcine Aricanduva

Spcine Jambeiro

Spcine Feitiço da Vila

Spcine Parque Veredas

 

09 de agosto | 19h30

Spcine Vila Atlântica

Spcine Vila do Sol

Spcine Caminho do Mar

Spcine Paz

Spcine Paulo Emilio (Centro Cultural São Paulo) – com a presença de Benjamim Taubkin e Marcelo Machado

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