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A musicalidade da dança do ventre

Fundação Tarab e Instituto Caleidos realizam curso sobre dança do ventre com o som de instrumentos acústicos

Roger Marzochi, da Prana Comunicação; Crédito da Foto Pedro Bonatto de Castro

A dança do ventre é contagiante tanto para quem dança como para quem assiste. É raro, no entanto, que essa arte seja praticada no Brasil com instrumentos acústicos. As raízes dessa expressão cultural se esvaem, petrificadas na repetição mecânica de canções que, em sua expressão viva, possuem nuances e peculiaridades, capazes de enriquecer os gestos corporais. Mas um curso, que tem início no domingo, dia 27 de agosto, em São Paulo, resgata a essência desse diálogo inseparável e simultâneo do corpo com os sons: “Musicalidade para a Dança”. O primeiro dia de aula, sobre “História da Música Oriental”, ocorrerá na Fundação Tarab, e é aberto para o público em geral. Os outros quatro dias de curso, que se estenderão em setembro, outubro, novembro e dezembro, são mais indicados a dançarinos, e serão realizados no Instituto Caleidos, centro de dança contemporânea liderado pela arte-educadora Isabel Marques.

Bruna Milani, dançarina há 15 anos, instigará no público a busca pela sensibilização e percepção dos estímulos sonoros, para criar um diálogo expressivo entre música e dança. “Os estímulos sonoros são muito ricos. A ideia do curso é valorizar essa leitura musical, abrir caminhos para a expressividade e desenvolver uma dança singular. Padrão já há muito, por isso a ideia é que cada dançarino se descubra”, diz Bruna, que se formou em Comunicação das Artes do Corpo, na Pontifícia Universidade Católica (PUC), em São Paulo. “Minha experiência, meus estudos na PUC, a educação somática e em dança contemporânea no Instituto Caleidos me ajudam hoje a compartilhar com alunos os caminhos para a consciência corporal, percepção, escuta e expressividade. Não há uma receita pronta, mas um trajeto a ser descoberto.”

Bruna Milani2 Crédito da Foto Pedro Bonatto

“Não existe um jeito certo. Eu compartilho possibilidades a partir das minhas vivências e estudos”, diz Bruna Milani. Crédito da Foto de Pedro Bonatto

Ela participou de workshops, com especialistas nacionais e estrangeiros, e buscou trilhar um caminho alternativo ao mercado da dança do ventre. Apesar de a beleza ser uma de suas qualidades, Bruna foge do estereótipo da mulher fatal, do apreço excessivo pelo figurino e o glamour em sua dança. O foco de seu trabalho é a expressão artística e o aprofundamento do diálogo com músicos e plateia. “Esse curso tem grande potencial, especialmente porque os músicos são grandes pesquisadores, dominam essa arte e possuem um acervo de instrumentos que, no mercado da dança, os dançarinos não têm acesso.”

Como a música é essencial nesse processo, as aulas serão também ministradas pelos músicos Mário Aphonso III (instrumentos de sopro), Ian Nain (instrumentos de cordas) e Francisco Lobo (percussão). Aphonso III estuda a música oriental há mais de 30 anos, gravando trabalhos autorais como “Melodia dos Ventos”, “Arabesque – Music for Bellydance” e “Arabesque 2 – Fire Dance”, disponíveis nas plataformas de streaming de música. Na Fundação Tarab surgiram bandas como a Orkestra Bandida, Zikir Trio, Grand Bazaar, Mutrib, TarabJazz e Yaqin.

A música oriental perde com a execução mecânica porque, assim como o jazz, possui improvisações, chamadas de Taqsim, momento no qual dançarinos e músicos chegam ao ápice da interação. “Para improvisar, com base em um repertório, é preciso apurar a escuta, para acessar corporalidades e os movimentos se tornarem orgânicos. Não existe um jeito certo. Eu compartilho possibilidades a partir das minhas vivências e estudos e quem se identifica com o meu trabalho poderá vivenciar algumas dessas possibilidades”, explica Bruna, que em julho do ano passado ministrou, ao lado de Aphonso III, workshop sobre improvisação (Taqsim) com base em instrumentos de sopro no Festival Mosaico Brasil Egito, realizado em São Paulo.

 

 

Curso Musicalidade para a Dança

27/08 – 10h às 14h – História da Música Oriental – Maqam, taqsim e apresentação dos instrumentos (somente essa aula acontecerá na Tarab Foundation).

Introdução: Música na Antiguidade, Suméria e Mesopotâmia, Egito antigo. A música e as sacerdotisas e o sagrado feminino nas culturas arcaicas.

Apresentação dos Instrumentos: A face dos principais instrumentos orientais pelas culturas, seu diálogo com os povos e suas características locais.

Apresentação das escalas musicais (Maqamat) e dos ritmos (I’qaat): suas interconexões, particularidades de cada cultura em sua utilização e os sotaques regionais.

Taqsim (improvisação): A filosofia, essência e diálogo natural com a dança, diferenças entras as escolas árabes e turcas e abordagem dos instrumentos.

17/09 – 10h às 14h – Estudo dos principais ritmos – Vivências com os instrumentos percussivos e sequências criativas.

22/10 – 10hàs 14h – Estudo da percussão – Técnicas de quadril e improviso para solos de percussão.

19/11 – 10h às 14h – Taqsim de cordas – caminhos para desenvolver a percepção, escuta e expressividade.

10/12 – 10h às 14h - Taqsim de sopros – caminhos para desenvolver a percepção, escuta e expressividade.

Preços

Avulso: R$ 220

2 aulas: R$ 210 cada (R$ 420 total)

3 aulas: R$ 200 cada (R$ 600 total)

4 aulas: R$ 190 cada (R$ 760 total)

5 aulas: R$ 180 cada (R$ 900 total)

Descontos para alunos e ex-alunos

Para informações e inscrições: brunamilanidv@hotmail.com ou (11) 99598-4856.

Tarab Foundation: Rua Sebastião Rodrigues, 257 – Vila Madalena

Instituto Caleidos: Rua Mota Pais, 213 – Lapa

 

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