Lê Coelho Crédito da Foto de Pedro Ivo

A voz do Imirim

Lê Coelho lança IMIRIM, produzido por Ivan Gomes e Montorfano (Chicão), apresenta nove canções autorais e inéditas, sendo duas parcerias com Thiago Melo e Zeca Baleiro

Nany Gottardi, Locomotiva Cultural; Crédito da Foto Pedro Ivo

Está disponível nas principais plataformas digitais o álbum IMIRIM, do cantor e compositor Lê Coelho. O público poderá ter acesso a todas as músicas do trabalho em plataformas como o iTunes, Spotify, Deezer, entre outras. O segundo trabalho de carreira solo do cantor e compositor Lê Coelho é uma homenagem ao bairro na zona norte de São Paulo, onde ele nasceu e cresceu.

O leque de diferentes referências, característica do compositor, traz elementos sonoros variados que, por um lado, conferem ao álbum diversas ambiências sonoras, e por outro, apresentam desafios para a concepção de uma unidade estética. Em IMIRIM, Lê Coelho e os produtores assumiram o risco e propuseram a si mesmos essa provocação.

As levadas de bateria retas com suas cadências trazendo influências do rap, elementos presentes na bateria de Pedro Prado, acabaram sendo a linha central do disco. Outro baterista, Pedro Gongom, foi convidado para gravar duas faixas. O intuito foi contrapor a sonoridade com timbres mais graves e encorpados.

O show de lançamento, que acontecerá em 15 de setembro, às 21h, no teatro do Sesc Pompeia, terá participações especiais de Rômulo Fróes – músico também nascido no Imirim –  e Thiago Melo. A banda é formada por Pedro Prado (bateria e programações), Ivan Gomes (baixo e synth bass), Chicão (teclados) e o próprio compositor (guitarra e voz).

IMIRIM inaugura a parceria do artista com o selo Matraca Records instalado na gravadora YBmusic, onde o disco foi majoritariamente gravado, com registros adicionais nos estúdios Lamparina e Lebuá, todos em São Paulo.

As contradições entre o central e o periférico percorrem a história do compositor. Desde a música que cresceu ouvindo nas ruas da Garganta do IMIRIM, na zona norte, os estudos musicais realizados tanto no Conservatório Musical do Imirim ou no interior do Estado (Unicamp) e shows em espaços culturais da zona oeste de São Paulo, foi construindo sua identidade pessoal e artística.

“A MPB veio dos discos dos meus pais, estudei o repertório do violão brasileiro em escolas e na universidade. Da rua veio o samba, o pagode e o rap, que já era popular no Imirim desde os anos 80. O rock e a música POP vieram mais na adolescência. Ouvi muito Raul, Beatles, Led, Legião… Depois muito Itamar, Melodia, Sampaio e os compositores ali de 90“, diz Coelho, sobre algumas de suas referências musicais.

Entre caminhos harmônicos e melódicos, temas mais estáticos de canto falado, ostinatos e riffs, foram selecionadas nove faixas inseridas numa espinha dorsal de minimalismos, respiros e arranjos de base preenchidos de acordo com a característica particular de cada música. “Existe uma linha estética principal que permeia todo o disco. As levadas e linhas de acompanhamento são influenciadas pelo hip hop e Rn’B, sempre com poucas notas e deixando espaço para a voz e outros instrumentos solistas”, explica um dos produtores musicais, Ivan Gomes (Boi).

Imirim

Capa do CD Imirim, do compositor e cantor Lê Coelho, já disponível nas plataformas digitais

Os bateristas Pedro Prado e Pedro Gongom uniram-se aos produtores e completaram a banda. Os arranjos são coletivos e a banda gravou todos os instrumentos de uma vez – tocando ao mesmo tempo. Posteriormente foram incluídas as programações. A instrumentação padrão é um quarteto de baixo (ou synth bass), bateria, teclado e guitarra (ou violão).  “Eu acho que um grande diferencial do disco são as levadas de bateria, tem grooves muito impressionantes que sintetizam um estilo que no Brasil não existem muitos bateras fazendo, e isso foi essencial pra sonoridade final do disco”, afirma, o também produtor do disco, Chicão.

O cantor Lineker, que já havia lançado “Gota por Gota”, composição de Lê Coelho e para o artista, divide vocais em uma das faixas. Há duas parcerias – Thiago Melo, que já havia participado do primeiro disco de Lê, Tuvalu, com o ½ Dúzia de 3 ou 4, divide vocais e uma das autorias, e Zeca Baleiro, que já havia dividido vocais em um de seus sambas gravado com o grupo Os Urubus Malandros, desta vez é co-autor de uma das canções.

“Já havia colaborado num disco de Leandro (Lê Coelho e Urubus malandros), mas nunca havíamos composto juntos. Ele me enviou uma letra linda e emocionada e eu a musiquei tentando seguir essa trilha, de contar a história com igual emoção. Leandro canta com intensidade, e o arranjo, com sua atmosfera profunda e cheia de espaços, fez resultar numa faixa linda. Gosto muito. Feliz com essa parceria”, comenta Zeca Baleiro.

O disco foi mixado no estúdio Lamparina por Guto Gonzalez, que também assina a programação eletrônica de algumas faixas, e masterizado nos estúdios da YBmusic por Fernando Rischbieter, João Antunes e Pedro Vinci da Matraca Records.

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