Bruno Vieira2 CEO Deezer Brasil Crédito da Foto Roger Marzochi

O jazz terá a sua vez

Artistas da música instrumental poderão participar de entrevistas e gravações no estúdio da Deezer Brasil em 2018

Roger Marzochi, do entresons

Apesar de a Deezer Brasil estar apostando todas as suas fichas na música gospel no País, o jazz terá um pouco mais de espaço na plataforma de streaming de música em 2018. Bruno Vieira, CEO da Deezer Brasil, disse na última terça-feira (28/11), em coletiva de imprensa em um dos ícones do gênero no Brasil, o Jazz nos Fundos, que artistas da música instrumental brasileira poderão ser chamados para o estúdio que a companhia inaugurou em sua sede, em Pinheiros, em agosto deste ano. “Claro! Total! 2018 dirá”, disse o executivo, ao ser questionado pelo entresons. A empresa francesa de streaming de música, presente em 180 países, é a terceira maior do mundo e ocupa o segundo lugar no Brasil, atrás do Spotify. A empresa ainda deverá chegar nos próximos anos ao Japão, Indonésia, Israel e Cingapura.  No mundo, a companhia possui 12 milhões de assinantes. Dados do Brasil não são informados pela empresa.

“Temos um consumo grande de jazz (na plataforma). Temos rádios especializadas de jazz, temos um editor de jazz e está crescendo conteúdo para cada gênero. Por mais que a gente esteja falando de sertanejo e gospel, sob o ponto de vista de massa, isso não tira o nosso foco e interesse em trabalhar cada nicho.” A diretora editorial da empresa, Yasmim Muller, complementou a questão: “Quando falamos de conteúdo, uma coisa é a quantidade e a outra o engajamento. O jazz tem grande engajamento. Não é porque o sertanejo é o maior, ele tem maior engajamento. São aspectos a considerar.” Vieira ressaltou que a cantora americana de jazz Stacey Kent já fez uma curadoria de jazz para a companhia, visando usuários de todo mundo, indicando em sua play list artistas brasileiros como Tom Jobim.

As plataformas de streaming são muito mais que simples transmissores de música. Essas companhias estão tomando o papel das rádios, distribuindo aos seus ouvintes podcasts, e ameaçando o YouTube e a televisão, ao criar conteúdo exclusivo em vídeo. Desde o lançamento do estúdio, a plataforma de streaming recebeu mais de 50 artistas que participaram de entrevistas, gravações e transmissões ao vivo. “As gravadoras estão nos procurando, querendo essa janela promocional. Onde estão as rádios? Tem um ‘gap’ da nova indústria e precisamos ter espaço para receber os artistas, colocando os artistas na agenda promocional”, diz Vieira.

Bruno Vieira3 CEO Deezer Brasil Palestra Crédito Foto Roger Marzochi

Bruno Vieira, CEO da Deezer Brasil, em coletiva de imprensa no Jazz nos Fundos, em São Paulo, na última terça-feira: “A indústria do streaming tende a crescer.”

Hoje, a maior audiência do Deezer Brasil vem dos públicos sertanejo e gospel, para os quais a companhia traçou uma estratégia 360 graus, estreitando o relacionamento com artistas e gravadoras, colocando todo o seu potencial de criação em cima desses segmentos. “Hoje (o gospel) é o segundo gênero mais ouvido dentro da Deezer, um crescimento de mais de 300%.” O primeiro mais ouvido é o sertanejo, com 50% do top 100. Além de estreitar o relacionamento com o mundo gospel e sertanejo, a companhia fechou parceria com o Flamengo no ano passado, buscando engajar a torcida por meio da música. E, no Brasil, mantém por tempo indefinido seu acordo com a TIM, que oferece aos usuários acesso gratuito ao sistema de streaming da companhia. A empresa ainda fechou acordo com a Samsung, para inserir seu aplicativo nas televisões inteligentes. Na compra do produto, o usuário recebe três meses de assinatura gratuita do canal Premium.

Segundo ele, mais rápido do que se pensa, a empresa deve anunciar um projeto de transmissão de grandes shows ao vivo, em concorrência com canais como o Multishow. “É uma coisa que a gente considera e espero dar essa notícia o mais rápido que você pensa”, respondeu Vieira à pergunta da repórter da Revista Chat. Mas há muito que crescer para que o serviço ameace os canais tradicionais. A penetração do streaming no Brasil chega a apenas 5% da população, enquanto nos Estados Unidos esse índice é de 10% e na França, 7%. “Hoje, no mundo, o streaming soma 110 milhões de pagantes. Só no Brasil há 240 milhões de celulares. É muito pouco (a penetração do streaming).  Isso nos deixa animados, porque a indústria tende muito a crescer.”

Outra iniciativa que poderá beneficiar a música instrumental e os artistas independentes de forma geral será a nova forma de pagamento de royalties que a Deezer está estudando. Segundo Vieira, hoje o royalty é pago a partir da soma de toda a receita e sua divisão é feita por streaming. “Se gravadora tem X% de streaming, receberá X% da receita arrecadada. A gente vai olhar agora o dinheiro do usuário. Se eu paguei R$ 16,90 (valor da assinatura Premium da empresa) e só ouvir Gilberto Gil, toda a receita de royalties vai para o Gilberto Gil. No bolo vai dar diferença pequena, mas fica de forma mais justa e isso pode ajudar na prevenção de fraude”, diz o executivo. “O dinheiro do fã vai 100% para o artista. Isso protege os independentes, que deixam de ser diluídos na massa.” A empresa ainda negocia com as gravadoras esse novo modelo.

Deixe um comentário

Social



Licença de uso

Licença Creative Commons
Os textos do Entresons são publicados com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-CompartilhaIgual 3.0 Não Adaptada.
Você pode reproduzir, retransmitir e distribuir o conteúdo, desde que com crédito (ao site e ao autor do texto), para uso não-comercial e com uma licença similar.

Próximos shows

Assinar: RSS iCal