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Uma pedra no caminho

Pedras e cristais são usados na medicina integrativa e ajudam músico em shows e aulas particulares

Roger Marzochi, do entresons

Desde pequeno, sempre fui interessado pelo formato de pedras e pedregulhos. Com seis anos, guardei por muito tempo como amuleto uma “pedra-infinito”, com formato de número oito, praticamente duas bolinhas grudadas pela natureza. Em 2007, comemorei a decisão pelo nome de meu filho, definido naquele momento em uma praia de Caraguatatuba, mergulhando no mar para coletar uma das várias pedras que haviam no fundo, um macuco que guardo até hoje e que já foi tema de redação na escola do meu filho.

As pedras vão muito além de item de colecionadores. Pedras e cristais têm sido usados há milênios pela humanidade em processos de cura. Cada gema tem propriedades específicas, que podem ajudar desde o combate à depressão a melhoraria da memória, como ametista, quartzo-rosa e jade. E até hoje ainda são usadas de várias formas por músicos e especialistas como massoterapeutas, meditadores, terapeutas holísticos e acupunturistas.

“As pedras e cristais funcionam como amplificadores de energia. A sua força consiste na capacidade de ampliar e direcionar nossas próprias forças e poderes”, diz a terapeuta holística Simone Kobayashi, em entrevista ao entresons. “Por isso, o mais importante ao lidar com pedras e cristais é conseguir sintonizar nossas vibrações com as dessas pedras, melhorando e aprimorando as nossas energias. Com um trabalho contínuo, trazemos para nosso benefício a prática de interiorizar as características vibracionais das pedras e cristais que estamos necessitando”, afirma Simone, autora do livro “Pedras e Cristais – Em Busca do Equilíbrio” (2005 – Sindicato dos Terapeutas).

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“Todas (pedras de rios, mar e cristais) têm e carregam a assinatura energética de onde estavam na natureza”, diz Simone Kobayashi, terapeuta holística de São Paulo. Crédito foto Divulgação.

Forjadas há milhões de anos na fornalha da Terra, seja por força do magma, minerais, árvores em decomposição e até ossos, pedras e cristais recebem a energia do Universo quando estão imersas na terra, explica Tadeu Cury Manfroni, terapeuta acupunturista. “Enquanto estão encrustadas na terra, pedras e cristais ganham a vibração magnética da Terra e do Universo. Por isso a pedra, assim como todos os seres vivos, emite uma onda energética, uma onda magnética.”

Assim que a gema é extraída da terra, ela retransmite essa energia vital, uma vibração magnética, que é específica de acordo com o tipo de material do qual é feita. No hinduísmo, budismo e no xamanismo, por exemplo, a pedra Olho de Tigre representa a busca pela espiritualidade. De acordo com o artigo “Os cristais e as outras pedras de cura”, do site Somos Todos Um, essa pedra pode colaborar para “elevar a criatividade e a percepção extra-sensorial”. “A pedra tem esse lado sagrado porque veio da natureza e possui uma energia vital assim como eu e você, assim como uma planta”, afirma Tadeu.

Diferentemente de Simone, que teve seu despertar para as pedras na adolescência, Tadeu percorreu um longo caminho até esse conhecimento. Por mais de 30 anos ele trabalhou na área de tecnologia de grandes bancos, mas sempre teve uma grande preocupação com as pessoas com as quais trabalhava. Foi quando a esposa realizou um curso de acupuntura que seu interesse pela medicina chinesa foi despertado. Há dez anos, ele começou a atuar na área e percebeu que, muitas vezes, apenas a acupuntura não resolve, sendo necessária a aplicação de outras técnicas, que são englobadas na chamada “medicina integrativa”. “Se o paciente tiver dor de estômago ou dor nas costas, por exemplo, isso pode estar associado com o seu estado emocional. Mas chega uma hora que a acupuntura esgota seu poder de cura, e você busca outras terapias, como o uso das pedras, o heike e massagens.”

As pedras são utilizadas principalmente no heike, uma técnica milenar que consiste em transmitir ao paciente a energia vital da Terra para cada um dos sete chacras do corpo. Cada chacra possui uma cor, sendo possível utilizar pedras de cores próximas aos chacras durante o heike. O terapeuta também pode escolher uma pedra ou cristal de acordo com a necessidade do paciente, utilizando no processo de escolha a radiestesia, que utiliza um pêndulo para decifrar as vibrações do paciente.

“As pedras são uma das maneiras de adicionar energia no paciente. Pessoas com problemas psicológicos graves, traumas de infância, às vezes não têm força para superar esses traumas. A acupuntura não trabalha com essa energia. Já o heike dá nova energia à essa pessoa, dá um alívio. Não que ela ficará sem o trauma, mas ela terá mais energia para repensar nela e passar por aquilo, não levar mais isso no peito. A gente manda o paciente para psicólogo. E tem psicólogo que manda o paciente para a acupuntura.”

O músico Francisco Lobo, 25 anos, tem um verdadeiro fascínio pelas pedras e cristais. Um dos maiores percussionistas brasileiros da Música Oriental, integrante de várias bandas fomentadas no Coletivo Tarab, Francisco usa pedras para meditação, para tocar e até dar aulas. Em sua coleção pessoal já chegou a reunir 146 gemas, número que tem se reduzido porque ele tem o costume de dar algumas dessas pedras de presente aos amigos que precisam de determinada energia.

Com cinco anos, Francisco ficou encantado em ver cristais florescendo à beira da estrada quando estava a caminho de Vianópolis, em Goiás. Quando sua família estava passando pela cidade de Cristalina, a caminho da casa do avô de Francisco, decidiram parar para coletar os cristais no acostamento da estrada. “Brotavam cristais na beira da estrada. Por um bom tempo, fiz coleção de pedras que coletava em rios, cachoeiras, praias e as que encontrava na rua.” Segundo ele, as pedras simplesmente aparecem para ele quando está caminhando pela rua. Recentemente, ele achou uma grande Ametista perto de casa. Em 2016, em viagem à Amazônia, trouxe na bagagem pedras maravilhosas do Rio Amazonas. “Todas (pedras de rios, mar e cristais) têm e carregam a assinatura energética de onde estavam na natureza”, diz a terapeuta Simone.

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O percussionista Francisco Lobo já chegou a reunir 146 gemas, mas a coleção vem se reduzindo pois ele gosta de dar pedras de presente aos amigos que precisam de determinada energia. Crédito da Foto Roger Marzochi.

Depois de um período sem muita atenção aos macucos, sua curiosidade foi desperta na adolescência devido a uma namorada que trabalhava com terapias alternativas. “Eu estava nessa época pirando com meditação e fui percebendo que as pedras têm uma frequência. Uma Angelita para meditar vai me trazer muita calma, é uma pedra analgésica. Um quartzo tangerina vai me deixar agitado, para outro tipo de meditação. Fui sentindo e pesquisado.”

Para se apresentar em público, o músico também utiliza a energia das pedras. Quando o show é realizado em um ambiente de balada, com muitas pessoas bebendo e muito loucas, Francisco leva consigo uma pedra que o isola dessa frequência para conseguir tocar direito. “É para manter uma distância dessa frequência. E, além disso, quando estou emocionalmente abalado, meditar com pedras me ajuda a tranquilizar.” Segundo ele, a Angelita é uma das pedras que o ajudam muito a conquistar a tranquilidade para tocar seus instrumentos. Para dar aulas, ele usa a pedra Albita, que o ajuda a trabalhar com a energia dos alunos. “E algumas pedras servem como analgésico físico. Começa a doer, pego a pedra e vai embora. Pode até ser um placebo forte, mas não sou só eu que sinto isso.”

Simone, terapeuta holística, lembra que há sim saberes científicos nas pedras e cristais, considerando também haver saberes sociais, expressos em tradições antigas e mitologia. Mas todos devem ser levados em consideração. “Elementos e composição química, formação geológica e geométrica, frequência energética, esses são saberes científicos; mais usos e costumes de tradições antigas, mitologia relacionada, que são saberes sociais; e acrescente a prática mental do placebo, que também entra de qualquer jeito em tudo que colocamos o foco, a atenção, energia e entendimento. Eu não descarto nenhuma dessas possibilidades, inclusive tento utilizar todas essas visões a favor do trabalho de harmonização e equilíbrio energético do meu cliente.” Pode até haver pedras em nosso caminho em 2018, mas a maioria nos ajudará a revigorar nossa energia vital nos contornos e desafios que nos esperam.

Comentários
2 Respostas para “Uma pedra no caminho”
  1. Alexandre de Alcântara disse:

    Muito bom. Eu acredito nos cristais e na energia que eles emanam.
    Abração

  2. Monica Jurado disse:

    Excelente artigo!
    Pode parecer um tanto “exotérico” esse tema sobre cristais e pedras, mas este conhecimento é tao tao antigo e precioso e funciona muito!
    Torço que esta sabedoria ancestral se espalhe novamente e que todos possam usufruir dos benefícios que as pedras e cristais nos trazem.
    Grande abraco

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