Além da Cura1 Entrevistada Karina Goldberg Crédito da foto Estéfane Oliveira

Projeto empodera mulheres com câncer

Jornalista e cineasta pernambucana apresenta em SP curta-metragem que mostra como o jornalismo pode ser usado para transformar a visão da realidade

Da redação do entresons; crédito da foto de destaque de Estéfane Oliveira

“O jornal é um instrumento indiferente para o bem e para o mal; lutemos, pois, para que ele siga o bom caminho.” Para além da dicotomia entre o bem e o mal, tão habilmente explorada pelas igrejas até hoje e movimentos políticos contemporâneos, é inegável que a pernambucana Bruna Monteiro segue um bom caminho, no melhor sentido da frase acima, atribuída a São Francisco de Sales, alçado a Patrono do Jornalismo pela Igreja Católica após a sua luta de guerreiro e escritor para combater o calvinismo, no século 16. No dia 24 de maio, quinta-feira, Bruna e Estéfane Oliveira apresentam em São Paulo parte do projeto que está empoderando mulheres ao redor do mundo que enfrentam a batalha contra o câncer: o curta-metragem “Além da Cura – Europa”. Em Recife, a exibição será realizada no dia 26 de maio, um sábado. A apresentação do projeto, que é apenas uma parte de um trabalho amplo, conta com bate-papo com duas mulheres que enfrentam ou enfrentaram essa doença e participaram do projeto.

Como jornalista e cineasta, Bruna descobriu que o “audiovisual pode transformar o mundo”. É dela “A praça é de quem?” (2011), documentário que denunciava a criação de um estacionamento em uma praça na zona oeste de Recife, que deveria ser cuidada por uma companhia privada. E é dela também “Somos Todos” (2013), vídeo que denunciou a violência da polícia na desocupação da área conhecida como Pinheirinho, em São José dos Campos, em 2012. Mas foi uma história pessoal que mudou o foco do seu trabalho.

Além da Cura3 Bruna e Estefane

Bruna Monteiro (esq.) e Estéfane Oliveira lideram o projeto Além da Cura, que pretende entrevistar mulheres dos cinco continentes para mudar o estigma do câncer

Ao saber que um grande amigo estava com câncer, Bruna entrou em parafuso. Pensou que o amigo morreria, e o encheu de mensagens, como se fossem as últimas. O amigo, então, pediu calma: estava se tratando, ele conseguiria sair dessa. Ao perceber que o perturbava com essas mensagens, deixou de escrever. Mas o esquecimento do colega também foi notado. Não era preciso exagerar nas emoções, nem mais nem menos. Ao acompanhar o rapaz no momento de cortar o cabelo, pensou que a estética era a coisa menos importante diante de um problema tão grave quanto o câncer. Com o cabelo raspado, as pessoas elogiavam o rapaz, pensando que ele havia passado na universidade. Mas, e se fosse uma mulher? E se a mulher fosse a própria Bruna? “O bom de conhecer pessoas é que um dia elas podem representar a vocês mesmos”, disse Bruna, hoje com 26 anos, em palestra na TEDxTalk, em 2016.

Com esses questionamentos, Bruna escreveu o livro “O peso do vento”, no qual narra a história de três mulheres diagnosticadas com esse problema de saúde. “O importante é que eu descobri que a estética é relevante. Uma entrevistada disse que era pior perder o cabelo do que retirar a mama, que serve para sexo e dar leite aos filhos. Mas os filhos dela estavam crescidos. A mama não tinha função social, mas o cabelo, sim.”

Além da Cura2 Entrevistada Cecília Rodriguez Crédito da foto Bruna Monteiro

Cecília Rodriguez em entrevista a Bruna Monteiro. Crédito da Foto de Bruna Monteiro.

Motivada por uma de suas leitoras, decidiu criar um trabalho audiovisual mais amplo sobre o assunto: Além da Cura. E o trabalho vai além do jornalismo, com a realização de palestras e desfiles para ressignificar a doença e dar voz às mulheres que sofrem com este mal. As primeiras viagens para entrevistas foram feitas à Europa e Argentina. Até o momento, foram entrevistadas 31 mulheres no Brasil, Argentina, França e Alemanha. Mas a ideia é conhecer a história de mulheres nos cinco continentes, incluindo Ásia, Oceania e África.

Por isso, as empreendedoras lançaram uma nova campanha de financiamento coletivo com meta de R$ 86.200. Em 2015, para iniciar as entrevistas, a equipe levantou R$ 50 mil também em ações de financiamento coletivo. A iniciativa está disponível no site do Catarse (https://www.catarse.me/alemdacura) até o dia 10 de junho, com opções de apoio a partir de R$ 10,00 e entre as recompensas estão, o nome do apoiador nos créditos no filme, produtos personalizados, o livro, convite para a pré-estreia e, no caso de pessoa jurídica, exposição da marca no filme e nos produtos do projeto. A campanha funciona no sistema “tudo ou nada”, assim o projeto somente recebe os recursos se atingir ou ultrapassar a meta. “Um dos grandes problemas de mulheres com câncer é que elas não são ouvidas”, afirma Bruna. “Eu aprendi a ouvir mulheres fortes, inesquecíveis e grandiosas.”

 

Além da Cura Riana Araujo Crédito da Foto Bruna Monteiro

O diagnóstico de câncer foi uma surpresa para a médica oncologista, mas logo Riana Araujo compreendeu que não era uma sentença de morte e não se assustou. Durante a vida profissional sempre teve a tendência de agregar e unir e ao ser diagnosticada, criou o Grupo Nascer de Novo. Ela acredita que compartilhar histórias fortalece as pessoas. Criou o grupo para que as pessoas que iam a sua procura pudessem se fortalecer e aprender umas com as outras. “Cada sol que nasce é uma nova vida, a vida é cada dia. Viver um dia de cada vez é o maior aprendizado.” (Texto do projeto Além da Cura / Crédito da Foto de Bruna Monteiro)

 

“Além da Cura – Europa”

Sessão especial prévia:

Local: Pulsara

Endereço: Rua Butirapoa, 30 – Alto da Lapa, São Paulo, SP

Investimento: contribuição livre para a campanha de crowdfunding do Além da Cura (https://www.catarse.me/alemdacura)

Capacidade:  40 pessoas.

Telefone para reservas: (11)98853-9696

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