foto divulgação Alfredo Dias Gomes -creditos Thiago Kropf

Um som “Solar”

O multi-instrumentista Alfredo Dias Gomes, filho dos dramaturgos Janete Clair e Dias Gomes, está lançando “Solar”, seu 11º disco autoral

Roger Marzochi, entresons (@entresons.com.br) – Crédito da foto/Thiago Kropf

O multi-instrumentista Alfredo Dias Gomes, filho dos dramaturgos Janete Clair e Dias Gomes, está lançando “Solar”, seu 11º disco autoral, com a participação do saxofonista e flautista Widor Santiago. Gomes assina as composições, algumas com mais de 30 anos, mas ainda inéditas em CD, além de tocar bateria e teclados. “Viajante”, a música que abre caminhos do trabalho, foi composta em 1980 a pedido de Janete, que à época queria um tema para um personagem interpretado por Tarcísio Meira na novela “Coração Alado”.

O jovem baterista, que trabalhava nesse período na banda de Hermeto Pascoal, foi no coração do Brasil para representar esse personagem, que saíra do Nordeste para viver no Rio de Janeiro. O CD está disponível em streaming e meio físico, embora haja um problema ao ouvi-lo no Deezer. Exatamente aos 3 minutos e 36 segundos de “Viajante” nessa plataforma, a música dá um salto abrupto, coisa que não ocorre com o CD físico.

Diferentemente de “Jam”, CD de rock-jazz do músico que o entresons teve a alegria em abordar em reportagem no ano passado, “Solar” explora a confluência dos ritmos brasileiros com o jazz americano, fazendo em alguns momentos homenagens diretas a John Coltrane, por exemplo. É o que ocorre logo no início de “Smoky”, no qual Santiago conclama dos céus a melodia e a atmosfera inconfundíveis de “Equinox”, que se dissolve, recria-se e se desconstrói, em vários outros momentos dessa faixa. E os sopros de Santiago, um dos maiores saxofonistas brasileiros, que já trabalhou com ninguém menos que Milton Nascimento, o santo Coltrane abençoou com o máximo louvor libertário.

Há grooves mais puxados para o samba em alguns momentos e reflexos da influência espanhola em “El Toreador”, composta em 1993 para a peça de mesmo nome de Janete Clair. É interessante ouvir os baixos das faixas, todos feitos em teclado, não dá para acreditar. O disco foi gravado no estúdio de Gomes no Rio de Janeiro, mixado por Thiago Kropf e masterizado por Alex Gordon, no Abbey Road Studios. É bom demais ouvir esse som, sentindo a juventude dos veteranos, espalhando luz por sobre a música jazzística brasileira. Os jovens instrumentistas têm muito que aprender com a velha guarda.

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