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Minifestival “Era uma vez no Oeste”, cuja 8ª edição será realizada no sábado em São Paulo, nasceu do prazer em se cantar histórias, para além do que é chamado de folk music

 

Roger Marzochi, do entresons                                 Crédito da Foto: Versos Polaris

“Meu amigo, meu compadre, meu irmão. Escreva sua história pelas suas próprias mãos.” Ao ouvir esse refrão, da música “Como Diria Dylan”, de Zé Geraldo, Douglas Man encontrou o seu caminho. Nascido no Jardim Imperador, em São Paulo, Douglas cresceu ouvindo modas de viola de duplas como Tonico e Tinoco. À época, algumas ruas do bairro da periferia da capital ainda eram de terra, o que deixavam mais naturais essas notas soltas no ar, criando um clima ainda maior de interior. “Eu comecei a ser tocado pela música de viola, a música sertaneja de raiz”, lembra. Ganhou um violão, aprendendo a tocar sozinho nos livrinhos que se vendiam em bancas de jornal.

E foi com Zé Geraldo que, da década de 1990, ele teve a consciência que também poderia compor suas próprias músicas. Ainda neste ano, Douglas lançará seu primeiro trabalho autoral. Mas sua atuação se estende em diversas frentes, mas todas elas amarradas a um mesmo nó: cantar histórias. A música sertaneja de raiz lhe apresentou as primeiras histórias, que foram depois sendo ditadas por Bob Dylan, Zé Geraldo, Zé Ramalho, Renato Russo, Led Zepplin, Raul Seixas. De tal forma que Douglas considera “folk music” toda aquela canção que contar uma história.

Sem dúvida é importante ampliar os conceitos, apesar da cara feia de quem viu Dylan na década de 1960 empunhar uma guitarra. E próprio Dylan também ampliou o conceito de arte, ao vencer o Nobel de Literatura em 2016, em referência às suas canções. “O contador de história, é isso que me impressiona. Nas músicas caipiras, eu me lembro muito de “Chico Mineiro” (Sérgio Reis). Eu também acho que é um folk, não sei se é uma visão única, muitos podem não considerar. Mas ao meu olhar, essa é uma canção que pode ser considerada ‘folk brasileiro’.”

E nessa toada, Douglas criou um movimento muito interessante, que está dando visibilidade para os artistas desta ampla gama musical. Ele criou o minifestival “Era uma vez no Oeste”, que já reuniu 30 músicos e musicistas em apresentações em São Paulo. O próximo será realizado no dia 13 de abril, sábado, às 20h, Piccolo Teatro (Rua Avanhadava, 40 – Consolação). Nesta oitava edição, com entrada é gratuita, estarão se apresentando o artista paraense Lucas Padilha, com o trabalho Meio Amargo, com influências de Wilco a Belchior (suas composições estão no Spotify); e a cantora e compositora Liliam Bogarim, que iniciou sua carreira em 2012 tocando em bares no Vale do Paraíba e Serra da Mantiqueira. Em 2015, ela gravou seu primeiro EP homônimo todo autoral, misturando rock, brega, coco e circense. Confira o Soundcloud da artista, especialmente a música “Chico Clemente”, uma obra-prima, e “Da Caminhada ao Suor”, que em alguns pontos tem um “quê” suave de Pixies.

E, para encerrar, o próprio curador do evento, que se apresenta no projeto Douglas Man & os Famigerados, com Thomas Incao na viola e Jesse Siqueira no violino, trazendo um sotaque irlandês nessa feijoada brasileira. “Eu jamais imaginaria que chegaríamos até a 8ª edição!”, comemora Douglas. “A intenção do festival é criar uma vitrine para os novos artistas da cena do folk contemporâneo.”

O interessante é que cada banda tem apenas 20 minutos no palco, algo que Douglas imaginou para evitar que uma banda ficasse mais tempo que outras, visto que algumas têm músicas um pouco mais longas. Só depois é que ele conheceu a história do festival Live Aid, festival de música realizado em Londres para combater a fome na África no qual as bandas tinham 20 minutos de apresentação. Douglas conheceu essa história no filme “Bohemian Rhapsody”, pois o Queen fizera um show inesquecível nesse festival em 1985. Uma boa história é eterna, mesmo que se tenha apenas 20 minutos, por isso “Era uma vez no Oeste” tem tudo para ser inesquecível.

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