Douglas Mam - Crédito da Foto de Antônio Borduque

Na estante dos proibidos

Definitivamente, o “rock and roll” brasileiro está mais vivo do que nunca, é o que prova Douglas Mam em “Fahrenheit”, seu primeiro disco autoral

Roger Marzochi, do entresons; Crédito da Foto de Antônio Borduque

(Facebook: www.facebook.com/Entresons – Instagram: @entresons.com.br)

A minha esperança no “rock and roll raiz” brotou ao ouvir o álbum “Transmutante”, da atriz, compositora e cantora Tchella, lançado no ano passado e revisitado em versão acústica em show no dia 13 de julho. Agora, com “Fahrenheit”, disco de estreia do poeta, compositor e cantor Douglas Mam, definitivamente o poder de transformação do rock retoma à cena com força. Mam é um poeta muito próximo de artistas como Cazuza e Renato Russo. Ele se inspirou no livro “Fahrenheit 451”, do escritor Ray Bradubury, que prevê um futuro distópico no qual um governo autoritário proíbe a existência de qualquer livro. O clipe da música-título do disco, dirigido por Antônio Borduque, já está no ar, assim como as oito composições, que podem ser encontradas em aplicativos de streaming. O trabalho será comemorado, com o CD físico, em show às 21h, no dia 26 de julho, no Sesc Belenzinho, em São Paulo.

O texto de Bradubury, que foi escrito após a Segunda Guerra Mundial, faz uma reflexão sobre o nazismo em sua perseguição aos intelectuais. De acordo com o jornalista Manuel da Costa Pinto, que assina o prefácio da edição lançada pela Biblioteca Azul no Brasil, o totalitarismo é mais sutil, da doutrinação e anestesiamento que emana da indústria cultural e do governo. “Em ‘Fahrenheit 451’, as pessoas sabem ler, mas não estão interessadas. Estão doutrinadas. Estão atentas só ao meio, e o meio é a mensagem. No livro, a periculosidade está associada aos livros. É o que pode combater uma sociedade anestesiada”, diz Costa Pinto na palestra “Utopias e distopias do presente”, do programa Café Filosófico (TV Cultura/Instituto CPFL).

Fahrenheit é uma medida de temperatura, sendo 451 o nível no qual os papeis dos livros começam a queimar, o que significa 233 graus celsius. Sempre buscando inspiração na literatura ou em seus poemas para escrever suas músicas, Man abre o disco com a música “Fahrenheit”, imaginando encontros com os principais personagens da literatura mundial, como Macabea (Clarice Lispector), Brás Cubas (Machado de Assis), Macunaíma (Mário de Andrade), Raskólnikov (Dostoiévski), entre outros. “Eu queria ser um livro e ter em verso o meu destino”, canta Mam. “Eu queria ser um livro, na estante dos proibidos.”

“Já para o álbum como um todo, Mam escolheu como nome apenas a medida termométrica Fahrenheit. A escolha faz alusão às diversas temperaturas da vida e a escolha das canções do repertório vai nessa direção. Ainda como parte do conceito do disco, Mam também subverte a queima de livros presente no romance inspirador para a queima das próprias certezas – destacando o que ele chama de ‘momentos de combustão’ – onde a autoanálise desemboca em mudanças, rupturas e transformações que compõe a trajetória pessoal de cada um”, explica a agência de comunicação Locomotiva Cultural.

Faz parte dessa combustão o debate sobre a ideia de “sociedade líquida” na música “Fez”, um punk rock energético. Esse conceito foi criado pelo sociólogo Zygmunt Bauman, que faz uma crítica à superficialidade dos relacionamentos, especialmente quando mediados pela tecnologia. Bauman inspirou também outro bom jovem compositor, o violonista e cantor Fernando Grecco, idealizador do selo e produtora Borandá, em “Tanto faz, amor”, música que está no EP “Repente da Palavra”, que o artista lançou em 2017.

Há em “Fahrenheit” ainda canções românticas como “Amor Desafinado”, que apresenta a ambiguidade de uma relação amorosa, e “Estrada Corpórea”, “uma canção sensual que remete ao ‘corpo-estrada’ que deve ser percorrido com a língua e com os olhos. Narra atração e tensão sexual entre um casal que se reconciliou”, defini o compositor. Mam se apresenta com a sua banda, Os Famigerados, e no show terá a presença dos convidados Bruno Souto, Murilo Sá, Celso Gattaz e Thomas Incao. A obra vai além do entretenimento, faz pensar e refletir sobre uma distopia que não parece tão distante.

Ficha Técnica do álbum

Composição: Douglas Mam.

As faixas Fahrenheit 451, Amor Desafinado e Tá na Cara tem parceria de Thomas Incao e Sol é Assim tem parceria com Paulo César de Carvalho

Voz: Douglas Mam

Violão: Juliano Gauche, exceto na faixa Em Outra

Guitarra: Lucas Gonçalves

Contrabaixo: Rodrigo Cambará

Bateria: Lucas Gonçalves

Teclados: João Leão

Percussão: Lucas Gonçalves nas maracas, na faixa Fahrenheit 451 e Clayton Martin na pandeirola, na Faixa Fez

Backing Vocal: Juliano Gauche – faixas Fez e Estrada Corpórea

Produção Musical: Juliano Gauche

Gravado, mixado e masterizado no estúdio Submarino por Clayton Martin

Produção Executiva: Douglas Mam

Assessoria de Imprensa: Locomotiva Cultural – Nany Gottardi

Projeto Gráfico: Anna Leal

Clipe Fahrenheit 451 e Fotos: Antônio Borduque

 

 

 

Ficha Técnica do Show

Voz e Violão – Douglas Mam

Guitarra: Lucas Gonçalves

Contrabaixo: Rodrigo Cambará

Bateria: Guib Silva

Teclados: Klaus Sena

Convidados: Bruno Souto, Murilo Sá, Celso Gattaz e Thomas Incao.

 

 

 

DOUGLAS MAM

Lançamento do disco Fahrenheit

Dia 26 de julho de 2019. Sexta, às 21h

Local: Teatro (364 lugares)

Ingressos: R$ 20,00 (inteira); 10,00 (aposentado, pessoa com mais de 60 anos, pessoa com deficiência, estudante e servidor da escola pública com comprovante) e R$ 6,00 (credencial plena do Sesc – trabalhador do comércio de bens, serviços e turismo credenciado no Sesc e dependentes. Ingressos disponíveis pelo portal Sesc SP (www.sescsp.org.br) a partir de 16 de julho, às 12h e nas bilheterias das unidades do Sesc a partir de 17 de julho, às 17h30.

Recomendação etária: 12 anos

Duração: 90 minutos

 

Sesc Belenzinho

Endereço: Rua Padre Adelino, 1000.

Belenzinho – São Paulo (SP)

Telefone: (11) 2076-9700

www.sescsp.org.br/belenzinho

 

Estacionamento

De terça a sábado, das 9h às 22h. Domingos e feriados, das 9h às 20h.

Valores: Credenciados plenos do Sesc: R$ 5,50 a primeira hora e R$ 2,00 por hora adicional. Não credenciados no Sesc: R$ 12,00 a primeira hora e R$ 3,00 por hora adicional.

Para espetáculos pagos, após as 17h: R$ 7,50 (Credencial Plena do Sesc – trabalhador no comércio de bens, serviços e turismo). R$ 15,00 (não matriculado).

Transporte Público

Metro Belém (550m) | Estação Tatuapé (1400m)

 

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