Vinicius e Mauricio Barbosa

Improvisações elevam a temperatura da nova fase do Elefantes

Improvisações de Ivan Andrade (clarinete), Jorge Cirilo (sax barítono), Maurício Barbosa (bateria) e Matheus Prado (percussão) elevaram a já alta temperatura do show do Projeto Coisa Fina, que abriu na segunda-feira (01) a nova temporada do Movimento Elefantes em sua casa nova, no Centro Cultural Rio Verde, após o fechamento do Teatro da Vila. Impossível dizer qual o ponto alto do show devido à beleza indiscritível dos arranjos, interpretações e sintonia fina dos 13 músicos da big band.

A organização do Movimento informou que 62 pessoas estiveram presentes. E, para ampliar o público, agora que as bandas precisam atrair público pagante, haverá investimento concentrado em mídias sociais para estimular que o público fotografe o show e divulgue as imagens na rede. O expectador que tiver a imagem mais curtida no Facebook ganhará um par de ingressos para a próxima apresentação, que será da banda Speaking’Jazz. O dono da foto mais curtida pela banda que se apresentou ganha também um par de ingressos.

De pé, o músico Ivan de Andrade, em foto de F.Pepe Guimarães, que também assina a foto de destaque do texto

O show começou com “Nanã”, a “Coisa Número 5” do álbum Coisas (1965), do maestro pernambucano Moacir Santos, que deu grande contribuição à música brasileira na sua fusão de ritmos nacionais com o jazz. Foi em homenagem a ele, aliás, que a Coisa Fina foi criada em 2005, a fim de manter a obra de Santos, também imortalizado no “Samba da Benção”, de Vinicius de Moraes, viva e dando frutos. Como fez Vinicius Pereira, contrabaixista do Coisa Fina e líder do Elefantes, que compôs “Dia Seguinte”, que está no disco “Projeto Coisa Fina – Homenagem ao Maestro Moacir Santos” e que revela quanta inspiração vêm de todas as coisas de Santos.

A música não foi executada no show de segunda-feira, mas a banda apresentou “Alforria”, música do carioca Henrique Band arranjada para o grupo pelo mesmo, um exemplo magnífico de sobrevivência da música na amplitude do maestro pernambucano. Além de “Nanã”, a banda tocou “Mãe Iracema” e outras músicas de Santos. E apresentou músicas belísimas como “Ascensão”, de Mozar Terra.

Qualidade artística nunca foi o problema do Elefantes. Mas para sobreviver, é preciso que o público amplifique o prazer deste tipo de música para que mais pessoas compareçam aos shows, necessidade que acabou gerando discordias que acabaram na saída da Reteté e da Soundscape do movimento.

Ao mesmo tempo em que o movimento se esforça para alcançar as exigências financeiras para ficar no Rio Verde, o Elefantes também incentiva o público a assinar uma petição para a reabertura do Teatro da Vila, e lançou a campanha “Adote um Elefante”, para incentivar que o público participe da organização do movimento, doando parte do seu tempo de trabalho em prol da divulgação da música instrumental. “Se cada um doar, seja músico ou não, mas doar um pouco do seu tempo em prol do coletivo, a energia somada vai fazer com que a gente consiga, de fato, espalhar a música instrumentral para muito mais gente. Estimular todo mundo a doar um pouquinho nessa causa”, diz Pereira.

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