Dario Arruda

Dário Arruda cobra da Soundscape a “manutenção da MPB”

A maioria dos músicos da Soundscape leciona na Escola Municipal de Música de São Paulo e na Escola de Música do Estado de São Paulo (Emesp-Tom Jobim) e, com certeza, passam aos novos músicos o que gostam, que é o jazz. “Prá mim, na minha humilde opinião, isso gera um efeito dominó, pois esta influência traz a resposta e a continuidade da raiz americana e não a manutenção na MPB”, diz Dário Arruda, líder da Orquestra Urbana Arruda Brasil e herdeiro do Cangaceiro, saxofonista e arranjador. O músico se esquece que, além da grade currícular dos cursos que independe do gosto do professor, há professores como Débora Gurgel, Magno Bissoli e Guilherme Ribeiro nessas instituições.

“Eu acho uma pena que eles (Soundscape) se recusam a fazer música brasileira, de valorizar a nossa arte, pois a proposta já foi levada entre eles (músicos da Sound) pra tocar música brasileira e a banda acabaria ou mais da metade sairia se tocassem MPB, pois esta proposta já foi levada e eles não aceitam, e por mim tudo bem, eu já os assisti no passado lá em Pinheiros nas segundas-feiras, e era bem legal mesmo, e é o projeto deles”, diz o músico que é amigo de integrantes da banda e até fã de alguns.

Essas foram as explicações de Arruda à sua frase que chegou a gerar incômodo entre os músicos que integravam o Movimento Elefantes, a própria Soundescape e a Reteté, que também deixaram o coletivo alegando motivos artísticos e técnicos. Em entrevista à Carta Capital em fevereiro, Arruda afirmou que a “elite musical de São Paulo não faz a manutenção da música brasileira”, posicionando-se crítico do jazz em uma entrevista que, segundo ele, indicou a Soundscape para participar pela sua qualidade, embora seja uma banda que busca um som universal e aberta a experimentações. “Só espero que meu ponto de vista, a minha realidade e o que eu vejo no mundo da música em particular, não seja motivo pra intrigas inimizades ou algo negativo, pois eu repito, não vi nada de mais em minhas palavras, inclusive pra gerar mal estar, sou adulto e maduro o suficiente pra saber que a vida, um projeto, uma Orquestra é muito maior do que pontos e vistas de qualquer pessoa.”

Ele diz que dorme tranquilo à noite, pois esta é sua opinião, que não vê qualquer mal nisso, embora estranhar que alguém possa ter ficado ofendido. Disse que as críticas que foram geradas podem ter ocorrido por falta de discernimento de quem leu, mas que qualquer possível erro da reportagem da revista. “Acredito que seja mandatório para os músicos de uma nação, no nosso caso o Brasil, fazerem sim a manutenção da MPB. E como eles atraem músicos no geral como público, penso ‘EU’ que seria ótimo esses campeões fazerem também a manutenção da nossa MPB”, disse. “E, francamente, até hoje eu não vi nada de mais nas minhas palavras, sem querer dar uma de ‘bom’, sei que fui muito lúcido neste raciocínio, eu nåo falei nada relacionado à ‘pessoa’, não é nada pessoal, eu falei como ‘artista’ e nem só com o trabalho da Soundscape, falei ‘global’.”

Ele também acha estranho a diferenciação de uma banda com uma banda de baile, e diz que muitos grandes músicos americanos também tocavam em baile. “Achei até estranho, pois ele(S) sabe(M) que os grandes músicos do Brasil e dos EUA viviam de bailes, de festas, Buddy Rich, Duke Ellington, Count Basie, Wood Hermam, Tabajara, Silvio Mazzuca, Maestro Arruda. Eles vivam e pagavam seus imóveis, sustentavam sua familias e educavam seus filhos com o ‘baile’”, referindo-se à posição do líder da Soundscape, Junior Galante, na reportagem da Carta Capital. “Aí ele (Junior Galante) fala que essas bandas tiveram que pagar o preço de não se atualizarem, bom, banda de baile das boas tocam de tudo, inclusive “JAZZ” e quebrando tudo. No Brasil, nas bandas de bailes, era Cassé, Pirai, Cangaceiro, Bolão, Adolar, Dorimar trompete e etc, que faziam os solos como nos EUA era Stan Getz, Lester Young e etc . . . esse é o fato, estão nos discos esses sons.”

Comentários
2 Respostas para “Dário Arruda cobra da Soundscape a “manutenção da MPB””
  1. OK vamos lá.

    Quando mencionei que as Orquestras de dança aqui em São Paulo particularmente falando decretaram sim a “extinção” por elas mesmas, vai aqui meu ponto de vista.

    Toquei na Orquestra de Silvio Mazzuca, entre outras é bem verdade que pouco tempo.
    Faltou a essas orquestras que por sinal muito boas o que fez Duke Ellington por ex. que criou e não estagnaram conceitos até hoje difundidos.

    A mesma Duke Ellington Orchestra passou do patamar de orquestra de dança e migraram para os palcos de concertos; não querendo em hipótese alguma desmerecer os bailes, mas isso é fato.

    Vale lembrar também que a Orquestra de Duke Ellington continua atuando até hoje, isso como fruto da tradição que infelizmente aqui em São Paulo não teve.
    Onde estão as orquestras de dança que tocavam de tudo inclusive música brasileira?

    Estendendo um pouco mais esse raciocínio em difundir ou não esse gênero ou aquele, como ficam as Orquestras Sinfônicas que têm como repertório principal a música de concerto Europeia?

    O grande “mérito” na história do Jazz é que os músicos e compositores dessa filosofia artística sempre tiveram suas mentes abertas para todas as demais culturas e pessoalmente acho incrível, por isso que disse na entrevista Carta Capital, Jazz não é um estilo musical, mas uma filosofia; quero dizer agora, filosofia que agrega democraticamente todas as culturas.

    Se você ouvir o último CD da Soundscape vai perceber mais do quem gênero propriamente dito, mas como disse antes uma filosofia da boa música atemporal que tentamos fazer sempre, desvinculados de qualquer primícia comercial; apenas fazer música e ponto. http://www.facebook.com/soundscapebigband

    Eu indico um livro chamado:- Jazz – do Rag ao Rock – Joachim E. Berendt (from Ragtime to Fusion).
    Este livro não se resume ao Jazz evidentemente, menciona a música Latina e erudita como elementos de criação e de influências.

    Bem, é isso!!! Junior Galante (trompetista na Soundscape Big Band e Orquestra Jazz Sinfônica de SP)

    Música boa não tem fronteiras. Bem, acho que está mais do que explicado.

  2. Josué dos Santos disse:

    A gente vive num país tão carente de cultura e com tanta coisa ruim, que me espanta ouvir isso de um músico. Tanta coisa pra se falar mal e lutar contra, e o cidadão vem criticar uma banda que faz um trabalho super sério que tem o único intuito de fazer música da melhor qualidade, sem correr atrás de rótulos ou querer levar bandeira de algum gênero. Quando encomendamos composições e arranjos dos grandes músicos que colaboram conosco, não exigimos ou sugerimos que seja isso ou aquilo. Apenas que façam MÚSICA.
    Eu e como musico da Soundscape Big Band, Banda Mantiqueira, Banda Savana, Orquestra Jazz Sinfonica do Estado, entre outros grupos, contribuo para “a manutenção da MPB” desde o primeiro dia que coloquei um instrumento na boca pra fazer música pra valer.
    Essas ideologias musicais que há tempos me enchem o saco, fazem lembrar as ideologias políticas e religiosas que atualmente estão tão em evidencia nos noticiários.
    Os grandes músicos de baile do passado a quem todos nós respeitamos muito, faziam isso porque era a forma que arrumaram para “existir” por um tempo. Todos sabem que não ficaram nos salões de bailes, mas nas grandes salas de concerto do mundo.

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