Augusto Vechini2

Abraçando o poste

Era madrugada em Piracicaba. O flautista e saxofonista Augusto Cesar Vechini já havia trabalhado tocando com o grupo de choro Cochichando, no bar Cevada Pura, no Jardim São Luiz. E ainda tinha ido para outro bar para ouvir o som da H7, banda de rock e pop de seu primo. Após a maratona musical, combinou com a galera de comer um lanche. Quando dirigia pela Avenida Rio das Pedras, um cachorro apareceu do nada na sua frente e, ao desviar, acabou batendo num poste.

O carro foi destruído e ele teve a sorte de só machucar o nariz, mesmo sem usar o cinto de segurança. A notícia correu rápido, principalmente entre os músicos da cidade, entre eles o amigo Vitor Casagrande, que resolveu fazer uma homenagem a Vechini, numa saudável brincadeira sobre o episódio na música “Abraçando o poste”, uma das 12 composições inéditas que fazem parte do CD “Café da Dona Chica”, lançado em 2013 pelo grupo piracicabano de choro Água de Vintém (www.grupoaguadevintem.com).

O CD, o primeiro do grupo que foi criado em 2011, foi produzido por Maurício Carrilho, que fez um choro em homenagem a Paula Borghi, violinista do Vintém. Ela, Guilherme Soares (violão sete cordas), Vitor Casagrande (bandolim e violinha), Xeina Barros (pandeiro) e Saulo Ligo (cavaco) tiraram o fôlego de Maurício Carrilho, filho do compositor e flautista Álvaro Carrilho e sobrinho de Altamiro Carrilho.

“Considero o Água de Vintém um dos melhores conjuntos de choro da nova geração e fico muito honrado de participar como produtor de seu primeiro registro fonográfico”, escreveu o mestre no encarte do CD, com projeto gráfico de Dora Reis e fotos de Silvana Marques. Ainda participam do CD o próprio Maurício em “Nono Oreste”, choro de Paula Borghi dedicado ao avô Oreste Borghi, “que sempre se emocionava ao ouvir os acordes da neta ao violão”; Antônio Rocha na flauta na música “Piquira”, outra composição de Paula inspirada no “pequeno peixe encontrado nas águas do Rio Paranapanema”; e Aquiles Moraes no trompete na música “De tarde na Paulista”, de autoria de Guilherme Soares.

Perde o amigo, mas não a música – É melhor ser amigo de Vitor Casagrande! Porque ele deu boas risadas ao contar a história dessa música, revelando que Vechini não havia gostado nada dessa homenagem de “Abraçando o Poste”, feita com vários breques, que simbolizam o momento em que poste e carro se encontraram inevitavelmente.

“O Augusto é meu amigo há muito tempo. Ele teve esse incidente de bater o carro no poste. E eu falei que um dia ia fazer para ele uma música. E fiz uns breques na música, como se estivesse batendo no poste. Ele deu muita sorte, teve uma fratura no nariz. Não foi muito grave, mas a batida foi bem feia. Ele no começo não gostou, achou: ‘pô, você poderia ter me homenageado de outro jeito’. Mas aí já tava feito e não teve jeito. Eu tava compondo uma música e achei a música sugestiva a essa ocasião”, diz o músico que começou a estudar cavaquinho aos 12 anos e, depois, também aprendeu bandolim.

“É… o brasileiro tem que dar risada da desgraça. E a música é bonita. A gente brinca. A gente nunca fica chateado. E tem que ter cuidado para dirigir. Depois de um susto, a gente fica mais esperto”, diz Vechini, que começou a estudar música na banda da União Operária de Piracicaba, passando pela Escola de Música de Piracicaba e pela banda da Guarda Mirim da cidade, justamente onde ele aprendeu choro com o maestro Marco Abreu.

“Aqui tem bastante projeto de choro e serestas. Comecei a tocar na noite, num bar, quando tinha 13 anos de idade. E fui começando a pegar o gosto”, diz ele, que hoje tem 25 anos. Ele ainda toca com o grupo Choro de Saia (www.chorodesaia.com.br) e, há quatro anos, formou o quarteto de jazz Augusto Vechini Jazz Quartet, com Wagner Silva (bateria), Roberto Bueno (baixo) e André Grella (piano).

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