“Nós S/A” é uma defesa contundente da cultura

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Roger Marzochi / Fotos Fábio Brazil

Não é fácil representar uma classe social, imagine então, toda uma sociedade. Mas foi bem isso o que conseguiu fazer “Nós S/A”, performance que o grupo de dança contemporânea do Instituto Caleidos, em São Paulo, apresentou entre os dias 10 a 19 de março. Em um momento em que vários grupos artísticos da cidade protestam contra o contingenciamento de 43,5% da verba da Secretaria de Educação de São Paulo, que inviabiliza espetáculos de teatro, dança e música, a diretora Isabel Marques, uma artista-educadora, levou o público a uma reflexão profunda não apenas do absurdo da administração João Dória (PSDB), mas a configuração de toda a sociedade, fundamentada no lucro exacerbado de poucos. “Nós S/A explora, por meio da dança, o universo da apropriação do espaço urbano pela lógica do mundo corporativo”, explica o folheto, entregue logo na entrada do espaço, criado em um antigo galpão na Lapa, zona oeste da capital. “O mundo dos negócios atuando sobre o espaço e sobre os corpos do mundo.”

Sob o início de uma garoa à beira do Outono, o público busca se proteger no pequeno hall, enquanto, do alto da cabine de comando, é liberado uma fumaça no salão de espetáculo. Abre-se uma porta, pela qual sai o poeta Fábio Brazil, responsável pela codireção e dramaturgia da peça, cinco minutos antes do início da apresentação, no sábado (18/03). “De repente, surge alguém e diz que sua vida não vale nada, e a joga no lixo”, diz Brazil. É uma referência ao corte no orçamento para a cultura, justamente em uma peça que foi selecionada, no ano passado, pelo Edital do Programa de Fomento à dança da Prefeitura. “Como fazer um trabalho de pesquisa de linguagens agora? A ideia é restar apenas o entretenimento, e nada mais?”, questiona. “Ah, a peça não é gratuita! Você a pagou quando pagou os seus impostos”, complementa, em tom espirituoso.

Sem tirar os sapatos desta vez, o que é praticamente uma regra nas apresentações da companhia, cerca de 30 pessoas entram no palco, acompanhadas à frente por um dançarino. No centro, há uma mesa de aproximadamente três metros, com umas 50 casas de papelão dobrável sobre a mesa, forrada de inúmeras propagandas de lançamento de apartamentos. Há ainda um pouco de fumaça, e a trilha sonora é a obra Réquiem, de Wolfgang Amadeus Mozart. Vestidos como homens de negócio, num terno estilizado em roupa de dança, com os pés pretos simbolizando sapatos (ou patas), os dançarinos criadores Nigel Anderson, Renata Baima, Kátia Oyama e Ágata Cérgole se posicionam sobre a ampla mesa, iniciando, pelos olhares contundentes, uma coreografia que revela o poder que possuem sobre a vida de todos os que habitam essas casas de papelão, metáfora da cidade. Participaram ainda do espetáculo os colaboradores Jailson Rodriguez, Bruna Milani, Felipe Lwe e Rodrigo Costrov.

À medida que a música avança, casas são derrubadas da mesa, num frenesi constante, em disputas de jogos de dama, tacadas de golfe e sinuca. Quando tudo está limpo, o público é convidado a adquirir um dos imóveis anunciados, que são ornamentados com carrinhos de brinquedo, bonecas e, também, panelas. Uma dançarina incentiva o público a bater panelas de brinquedo o que, com o clima fantasmagórico, vigoroso e poético da música que levou o compositor austríaco a se encontrar com a própria morte, a referência com o panelaço de Dilma Rousseff reforça ainda mais a sua perspectiva sombria. Por quem as panelas ‘dobram’? Não se escuta o mesmo com um governo corrupto como o de Michel Temer.

Nos_SA_-_Caleidos_Cia_de_Danca_Fabio BrazilCom a atuação de outros dois dançarinos, uma mesa de jantar repleta de comida é montada, com o centro preenchido pelo pato da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). ”#Chega de pagar o pato.” Com esse artefato inflável, toda comida é reunida em sua volta, simbolizando a concentração de renda. De homens de negócio, os dançarinos passam por uma profunda metamorfose após o banquete, que os leva a seres monstruosos, doentios, próximos a urubus gigantescos. Ao fim, são confinados em um espaço apertadíssimo, no qual vivem a saudável vida fitness. Entre as ações, muito movimento e controle sobre o corpo. Ao fim do espetáculo, Isabel Marques diz, de cima da cabine de som, que este foi claramente um evento em protesto ao corte do Orçamento de Cultura e em defesa de uma sociedade democrática. A apresentação foi muito além das cercanias de São Paulo, divisando à sua frente o imenso tsunami conservador que ameaça arrasar com todo o planeta.

Democracia sonora - No mesmo sábado, ocorreu o segundo encontro do movimento Música Instrumental Pela Democracia, no Jazz nos Fundos, com a proposta de realizar uma jam session de protesto contra o corte de verbas para a cultura. No mundo do jazz brasileiro, o autoritarismo de João Dória também se faz presente, prejudicando novas pesquisas sonoras. No ano passado, por exemplo, o grupo de jazz À Deriva lançou o CD “O muro rever o rumo”, fruto da associação da banda com o grupo de teatro Les Commedies Tropicales, mais especificamente, da última encenação “Guerra sem batalha ou Agora e por um tempo muito longo não haverá mais vencedores neste mundo, apenas vencidos”. O projeto só foi possível devido à ajuda da Lei de Fomento ao Teatro da cidade de São Paulo.

“A prefeitura não está no vermelho, o Fernando Haddad deixou o governo com dinheiro em caixa. Usa-se argumentos burocráticos, os quais não acreditamos, por que isso é um plano maior. As orquestras estão sendo eliminadas em todo lugar, em São Paulo, também teve o fim da Orquestra de São José dos Campos, teve isso em Curitiba, em Belém… Estamos vendo um ataque à cultura não só no Brasil, mas no mundo todo”, afirma Carlos Ezequiel, baterista e professor do Conservatório Souza Lima. Ezequiel conta que, nos Estados Unidos, muitos músicos estrangeiros, que possuem autorização para morar no país, temem sair em turnês com suas bandas sob o risco de serem barrados na volta pelas leis de imigração de Donald Trump.

O músico, um dos criadores do movimento, diz que o objetivo é debater com a sociedade e realizar shows de protesto em outros bares e cidades. Não é possível, na opinião do músico, que se continue a criminalizar mecanismo importantes de financiamento público da cultura, como a Lei Rouanet. “Está na Constituição: a cultura é um dever do Estado”, afirma o músico. O show de sábado foi transmitido ao vivo pela página do movimento no Facebook e, segundo o músico, cerca de 7 mil pessoas acompanharam a apresentação, seguida de uma mesa redonda. “A ideia é não se restringir ao pessoal da música instrumental. Nós queremos estimular as pessoas a saírem da bolha e a criarem argumentos para defender a área em que vivemos e trabalhamos”, diz o músico, que explica que o palco é livre para qualquer músico que deseja se expressar. O movimento, no entanto, não tentará dialogar com o poder público.  “Que expectativa temos do Dória e do Geraldo Alckmin? Não acreditamos em diálogo com esse pessoal. Não é à toa que o Michel Temer, em uma de suas primeiras medidas, foi acabar com o Ministério da Cultura.” Toda expressão cultural já é, necessariamente, uma expressão política, mesmo que se afirme o contrário. Seja na imersão catártica de uma apresentação como a de “Nós S/A”, seja no prazer de uma bossa nova e jazz, a ordem é protestar contra a onda conservadora.

Bruna Milani incendeia estreia da TarabJazz

Zikir Trio

Roger Marzochi / Foto de Pedro Bonatto de Castro

A dançarina Bruna Milani levou ao êxtase a plateia que acompanhou a pré-estreia da banda TarabJazz, na sexta-feira 17 de março, no 38 Social Clube, em São Paulo. A banda do multi-instrumentista Mario Aphonso III, criada para tocar a fusão entre o jazz e a música oriental, fez uma primeira entrada apresentando um repertório dedicado à música do oriente, com composições próprias do instrumentista e do compositor libanês Rabih Abou-Khalil. Nessa primeira apresentação, antes do intervalo, foram 50 minutos de muita música oriental, com melodias sopradas em flautas turcas como nay, caval e a flauta indiana bansuri. Após o intervalo, as 20 pessoas que acompanharam a apresentação, viram entrar a dançarina Bruna Milani, envolta em um véu vermelho.

A segunda parte do show, que durou cerca de uma hora, foi dedicada a apresentar as composições do CD “Jazz Sahara”, gravado em 1958 pelo contrabaixista Ahmed Abdul-Malik, que tocou com nomes como Thelonious Monk, John Coltrane e Art Blakey. Bruna dançou a primeira música do CD, “Ya Annas (Oh People)”. O CD tem quatro músicas, todas gravações folclóricas do Oriente Médio com um arranjo que caminha para o mundo ocidental na medida do sopro do saxofonista Johnny Griffin. “Essas músicas têm mais de 2 mil anos”, disse Ian Nain, que tocou alaúde, e fez uma introdução de tirar o fôlego.

Aphonso III, tocando sax soprano nesta música, além de apresentar o tema muito bem, improvisou de olhos atentos em Bruna, num movimento duplo em que sons e gestos se fundem numa dança profunda. A improvisação, que você pode ouvir no arquivo abaixo, gravado de um celular no dia da apresentação, foi uma das mais incríveis da apresentação, devido à fusão total de som e movimento. A banda ainda é formada por Francisco Lobo, nas percussões orientais, e Vinicius Pereira, no contrabaixo acústico.

Bruna ainda dançou mais duas músicas, entre elas, “Farah ‘Alaiyna”, levando o público a acompanhar a percussão com palmas. Aphonso III tocou músicas usando também sax tenor, flautas transversal e baixo, intercalando as canções com um diálogo educativo com a plateia, não apenas sobre a história de cada instrumento, mas da tradição da música oriental e suas ramificações pala música ocidental.

Contribuiu também para a apresentação o espaço incrível do 38 Social Clube, que é, na verdade uma casa na Vila Romana. A família abriu, há três anos, o bar no primeiro andar da residência. Sidnea Nogueira, a dona da casa, é quem prepara um buffet com uma comida caseira sem igual. No dia 7 de abril, o grupo fará um novo show, agora no Espaç91.

“Sons de Sobrevivência” ecoarão pelo Palacete Teresa

Sons de Sobrevivência

Nany Gottardi, Locomotiva Cultural / Foto de Ding Musa

Vida em movimento. Experimentação. Música urbana. Estes são alguns dos elementos presentes nos sete temas do álbum “Sons de Sobrevivência”, disco lançado pela gravadora Núcleo Contemporâneo e premiado internacionalmente.  No dia 23 de março, quinta-feira, às 21h30, o palco do novo espaço da Casa de Francisca, o Palacete Teresa, recebe os três músicos criadores do disco para uma noite de música e celebração. Simone Sou, que vive atualmente na Holanda, está no Brasil especialmente para o reencontro com Benjamim Taubkin e Guilherme Kastrup. Juntos eles apresentam curta temporada de shows do disco, lançado em 2015. A primeira desta série de apresentações no Brasil aconteceu em fevereiro, no Sesc Pinheiros, e teve boa receptividade e presença do público. Com carreiras independentes, “Sons de Sobrevivência” é um ponto de encontro entre os três artistas que, por meio da música, experimentam transcender para sentidos mais coletivos e humanos para a vida.

O álbum foi destaque na mídia internacional, sendo selecionado pela revista eletrônica inglesa The Ear – Hi-Fi Music Gear como um dos 8 melhores CDs de todo o mundo – dentre todos os estilos musicais . O trabalho recebeu ainda resenhas de renomados sites estrangeiros como worldmusicreport.com; https://www.allaboutjazz.com e http://www.jazzweekly.com. A parceria e o processo criativo dos três músicos tiveram início quando um convite para uma apresentação conjunta adicionou Benjamim Taubkin (piano) à música do Soukast, duo que o pianista já admirava, composto por Guilherme Kastrup (percussão e MPC) e Simone Sou (percussão e Campanas melódicas). Enquanto o Soukast utiliza diferentes objetos e instrumentos – baterias, tambores, vidros, panelas, tampas – para construir composições com elementos da música tradicional brasileira, o pianista, compositor e arranjador Benjamim Taubkin cria harmonias, contracantos e improvisos no piano em um constante diálogo com a percussão e os ritmos que Simone e Guilherme apresentam. Juntos, Soukast e Benjamim, participaram de projetos especiais com orquestras – em 2012, com a Jazz Sinfônica do Estado de São Paulo; ano passado, com a Tonkünstler Orchestra, na Áustria. E, agora, com “Sons de Sobrevivência”, Taubkin, Kastrup e Simone confirmam a afinidade musical em um disco em que o som, de fato, vive, respira.

“Sons de Sobrevivência” saiu no Brasil pela gravadora Núcleo Contemporâneo e nos EUA pelo selo Adventure Music, que já lançou diversos CDs em parceria com o Núcleo Contemporâneo, como os mais recentes “The Vortex Sessions”, “A Pequena Loja da Rua 57”, entre outros. “Do encontro entre duas almas atraídas pelos tambores nasceu o Soukast. Duo com a minha parceira Simone Sou. Dois ‘galego-dos-zoio-azul-e-pé-preto’, como ela mesma nos apelidou um dia! Tivemos como ponto de partida o desafio de fazer música somente com nossas percuterias e samplers. Criamos um repertório e um espetáculo, nos divertimos um bocado e passamos a convidar amigos pra passear e participar dessas paisagens sonoras. Até que a música nos aproximou do Benjamim, que eu já admirava de longe havia muito tempo. Sua sensibilidade deu cor e forma às harmonias e melodias que estavam implícitas nas nossas composições. As paisagens, assim, ganharam uma amplitude ainda maior e mais iluminada. Esse disco é o resultado desse encontro”, diz Guilherme Kastrup.

“Em 2010 recebi um convite pra tocar em um concerto com o SouKast – o duo do Gui com a Sou. Já havia curtido muito o duo ao vê-los em uma apresentação na Dinamarca. E sempre fui muito fã dos dois. Assim que foi com alegria que recebi este chamado. Fizemos esta apresentação em uma séria instrumental do SESC. E aconteceu tudo da melhor forma. Tocamos peças ensaiadas e improvisamos. A minha participação desde o primeiro encontro, se deu criando em cima do que eles já haviam composto. Fui imaginando harmonias e melodias, sobre as peças por eles criadas e que soam muito bem só com o duo, como vocês podem ouvir na faixa ‘Tocador’. Nas gravações, as partes acústicas foram tocadas ao vivo, no estúdio. Com as MPCs de cada um deles, sendo também tocadas em tempo real. E posteriormente criamos – o Gui e eu – alguns sons eletrônicos. O resultado aí está – ‘Sons de Sobrevivência’. Que nos permite seguir criando, trabalhando e imaginando para um tempo não tão distante, um mundo melhor”, afirma Benjamim Taubkin.

“Subviver, Sobreviver, Superviver…O nosso som VIVE. São sons de vivências humanas, encontros e acontecimentos, sonoros movimentos. E fantasia”, diz Simone Sou

Músicos:

Benjamim Taubkin – A música brasileira e seu diálogo com as outras culturas vêm sendo o campo de atividade deste pianista, arranjador, compositor e produtor. Iniciou o estudo do piano aos 18 anos e logo passou a se dedicar integralmente a esta atividade. Participa como músico e/ou produtor em mais de 150 projetos. É responsável pelo projeto Núcleo Contemporâneo- gravadora, produtora e o centro cultural Cada do Núcleo, na cidade de São Paulo. Desde 1997 iniciou diferentes projetos musicais como a Orquestra Popular de Câmara; o conjunto de choro, Moderna Tradição; o trabalho com o grupo de música tradicional Abaçaí; o quarteto de jazz Trio + 1; e o coletivo América Contemporânea, que reúne músicos e repertório de países da América do Sul. Tem feito música colaborativa mente com músicos de diversos países como Marrocos, Coréia, África do Sul, Índia , Israel, Espanha e Colômbia e outros da América do Sul. Tem se apresentado regularmente do piano solo à orquestra sinfônica em festivais e centros culturais no Brasil, América Latina, Canadá, Estados Unidos, e Europa, Oriente Médio. Realizou. Também, concertos e residências artísticas no Marrocos e na Coréia.

Guilherme Kastrup – Já gravou discos e participou de turnês internacionais ao lado de Chico César, Ana Carolina, Gal Costa, Arnaldo Antunes, Zeca Baleiro, Chico Lobo, Vanessa da Mata e do uruguaio Jorge Dexler. Desde 2005 é parceiro de Simone Sou no projeto Soukast. Além de percussionista, Guilherme Kastrup é também produtor e dentre suas mais importantes produções, destaca-se o álbum Um minutiiinho!, de Palavra Cantada e Amor e Outras Crônicas, de Badi Assad. Kastrup produziu o álbum ‘A Mulher do Fim do Mundo’, de Elza Soares que, lançado em 2015, foi agraciado com o prêmio de Melhor Disco de Música Popular Brasileira pelo Grammy Latino, além do prêmio APCA.

Simone Sou – Brasileira, residente na Holanda, Simone Sou é percussionista e baterista. Atualmente integra, junto a Guilherme Kastrup, o Soukast. Participou de muitas turnês ao redor do mundo. Uma delas, ao lado de Chico César, em 2007, no Japão. É responsável pela trilha sonora de Manifesto Macumbacyber, filme de Beto Brant. Gravou, entre 2008 e 2009, seu disco SIM ONE SOU, que conta com 13 faixas, dentre elas Pétalas, Maracá e Deus e o Mundo. Em 2016, Sou lançou a álbum S.O.S Bras Beat; gravado na Holanda, o trabalho teve a participação de músicos holandeses de grande expressão e de várias outras nacionalidades.

 

Sons de Sobrevivência na Casa de Francisca

23 de março, quinta-feira, às 21h30

Duração: 90 minutos

Local: Palacete Teresa (Rua Quintino Bocaiúva, 22 – Sé. São Paulo – SP)

Classificação etária: 18 anos

Couvert artístico: R$ 44 ou R$ 35 antecipado

Reservas: reservas@casadefrancisca.art.br | www.casadefrancisca.art.br

Telefone: 30520547

Wifi : Sim

Acessibilidade : Sim

Recomendações de acesso:
Metrô (Estação Sé)
Desembarque Táxi / Uber (Waze):
Rua Benjamin Constant, altura do nº 122 – esquina com Rua Quintino Bocaiúva.
Para-ciclos bicicletas:
Esquina com a Rua Direita
Estacionamento conveniado:
Rua Senador Feijó, n. 173/177
(WG estacionamento – R$ 25,00 o período pós 19h00)
Ps.: Estacionamento cerca de três quadras do local.

João Donato inaugura casa de shows em SP

Tupi or not Tupi - João Donato - Foto Cristina Granato

Músico lendário na cena musical brasileira, o pianista João Donato faz, nesta quinta-feira (16/03), o show inaugural do Tupi or not Tupi, nova casa de espetáculos na Vila Madalena, em São Paulo. Hoje, no entanto, o espaço já está com os seus 110 lugares reservados. Donato, que viveu por mais de uma década nos Estados Unidos, é referência internacional da Brazilian Music da geração dos anos 1950 e 1960, com seu som meio bossa nova, meio puro jazz, meio música latina. Ele estará ao piano, tendo Arismar do Espírito Santo como convidado especial e com a participação do percussionista Cléber Almeida. No cardápio, bossa-nova, samba, baião, bolero, jazz e clássicos como “Amazonas”, “A Rã”, “Nasci para Bailar”, “Minha Saudade” e “Até quem Sabe”.

A criação do Tupi or not Tupi é iniciativa de Angela Soares, que decidiu renovar e reinventar o espaço onde funcionou por 16 anos a Casa Tupiniquim, primeiro bufê infantil com valorização da cultura brasileira. O projeto começou a ser gestado em agosto de 2016, quando Angela, em parceria com a produtora Jeanne de Castro, deu início ao projeto “Oca Cultural Comida + Música”, série de jantares somando música e saborosa gastronomia.

Após a realização de mais de uma dezena de shows e concertos às quartas-feiras, surgiu a ideia do projeto Tupi or not Tupi. A casa da Rua Fidalga 360, imóvel dos anos 1950, passou por uma completa reforma, com projeto cenográfico assinado pelo inglês Lee Dawkins e tratamento acústico sob supervisão de Clement Zular, engenheiro de áudio e acústica. Foi criada uma área de shows com palco e acomodação para 110 pessoas sentadas. O espaço contempla também um restaurante e um café. O cardápio do restaurante tem foco na culinária brasileira. O destaque na carta de bebidas, elaborada especialmente para a nova casa, são cachaças e drinques à base de cachaça. Para a criação do Tupi or not Tupi, Angela Soares associou-se a Fabio Tagliaferri, Jeanne de Castro e Marcos Barreto.

Tupi or not Tupi atraiu dezenas de entusiasmados parceiros, amigos, fornecedores. Entre eles, o músico Arismar do Espírito Santo, que está à frente da programação das quintas-feiras com o seu “Arismar Convívio”; Carmela Vecchi, no projeto de ambientação; Maurício Ayer, que traz para o espaço suas experiência e paixão em cachaças; e Sirlene Giannotti, que criou exclusivas peças artesanais em cerâmica para uso no restaurante e no café a ceramista Sirlene Giannotti, que desenvolveu exclusivas peças artesanais para uso no restaurante e no café.

O espaço comporta também lançamentos de discos e livros, cursos, workshops, ensaios musicais e muito mais. Durante o dia, os passantes podem usufruir do Café, aberto a partir das nove horas da manhã. Para garantir aos músicos condições para que possam oferecer sua melhor performance, Tupi or not Tupi investiu em um primoroso tratamento acústico, com o objetivo de um equilíbrio acústico propício e adequado tanto para música acústica como para música amplificada.

São 184 painéis, que formam uma espécie de “abóbada” que cobre e envolve toda a área de shows – aproximadamente  200 m2. Os painéis, em madeira MDF, são quadrados e neles foram vazados círculos de diferentes tamanhos. Receberam então em uma de suas faces aplicação de tecido em fibra Nomex, resistente a chamas, e de manta de lã de pet para isolamento térmico e conforto acústico. Os painéis estão distribuídos por todo o espaço, cada um deles colocado em ângulo diferente, para absorver e refletir os sons. Esse misto de absorção e reflexão proporciona ao espaço uma ótima distribuição sonora, e notável riqueza e equilíbrio acústicos. Mas os cuidados do Tupi or not Tupi com a acústica foram ainda além. A área do restaurante recebeu tratamento de “reforço sonoro”. As portas da área de shows têm também funções acústicas, por seu material interno e revestimento. E até mesmo embaixo das mesas e cadeiras foram aplicadas mantas de lã de pet. Detalhe importante: todo o material é ecologicamente correto e proporciona máxima segurança.

No palco – 3,5m x 4,5m – os músicos terão à disposição um piano Kawai de meia cauda. O  equipamento de som está a cargo do Estúdio Loop, há anos referência de qualidade para músicos. O público é recebido em ambiente bonito, aconchegante, com 110 lugares distribuídos em mesas e com comidas e bebidas saborosas, a cargo da chef Raphaela Homem de Melo. A programação Tupi or not Tupi tem como marca a diversidade de propostas. É uma celebração ao prazer da música ao vivo, ao momento único que o público fica frente a frente com o músico – e, no caso, bem pertinho. São Paulo tem carência de espaços para abrigar a efervescente produção musical da cidade. Com agenda de shows de quarta a sábado, o espaço receberá de nomes consagrados a artistas jovens e com trabalhos em busca de novas tendências. A agenda da primeira semana é emblemática dessa proposta. Confira aqui a programação.

Texto Gabinete de Comunicação / Foto de Cristina Granato

TarabJazz faz a fusão da música oriental ao jazz

TarabJazz

Roger Marzochi / Foto de divulgação

O músico Mario Aphonso III, que há 30 anos cria pontes entre os mundos da música ocidental e oriental, está lançando um nova banda, cuja pré-estreia ocorre na sexta-feira, dia 17 de março, às 21h30, no 38 Social Clube, em São Paulo. O grupo foi batizado como TarabJazz e foi formado para celebrar o encontro da música étnica árabe com o jazz, na sua mais ampla concepção. “Não vamos tocar blues, nem standard de jazz”, diz Aphonso III. “Jazz vem da improvisação, vem da abertura que o jazz proporciona no encontro com outras linguagem e estruturas.” Além de Aphonso III, participam do grupo os músicos Ian Nain, Francisco Lobo e Vinicius Pereira.

Com instrumentos ocidentais como sax, flautas e contrabaixo acústico e instrumentos orientais como flautas turcas, alaúde e percussão étnica, o grupo tocará músicas autorais de Aphonso III, músicas árabes e sons do disco “Jazz Sahara”, um marco na união entre a música oriental e ocidental, uma gravação liderada pelo contrabaixista Ahmed Abdul-Malik, em 1958. “É uma ponte, uma forma de as culturas se comunicarem e buscarem novos caminhos. O TarabJazz não tem o objetivo de ‘quebrar tudo’, mas sim continuar a construir pontes entre as culturas”, diz Aphonso III.

O músico, que nasceu no Espírito Santo, criou em 2010 em São Paulo a Fundação Tarab, responsável por estudar a cultura oriental. Da fundação, nasceram bandas como a Orquestra Bandida, Grand Bazaar, Mutrib e Yaqin. Responsável por CDs como “Melodia dos Ventos” e “Arabesque”, o músico ainda atua na música instrumental brasileira com o projeto “Jobim Instrumental”, apresentando as composições instrumentais de Antonio Carlos Jobim.

Pré-estreia do TarabJazz

Dia 17 de março, às 21h30

38 Social Clube

Rua Coronel Castro de Faria, 38, Vila Romana, São Paulo

Preço: R$ 20 – cartão de débito e crédito

Social



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