• Yuri Daniel1

    Um brasileiro na banda de Garbarek

    Reconhecido como um dos maiores saxofonistas do mundo, uma verdadeira lenda viva do jazz, o norueguês Jan Garbarek tem em sua banda atual a companhia de um brasileiro. Nascido em Recife e criado em Curitiba, o contrabaixista Yuri Daniel toca há dez anos com Garbarek. “Sou um grande fã dele”, diz Daniel, em entrevista por e-mail ao entresons. Garbarek está presente em mais de 70 discos da cultuada gravadora alemã ECM, que no ano passado abriu o seu catálogo para os aplicativos de streaming de música. O músico, que ganhou fama internacional na década de 1970 ao integrar o quarteto do pianista americano Keith Jarret, gravou discos históricos na companhia do brasileiro Egberto Gismonti e do contrabaixista Charlie Haden, como “Carta de Amor”, “Folk Songs” e “Mágico”.

  • Calma2

    Som, paz e sustentabilidade

    Quem já teve a oportunidade de participar de uma meditação do Tambores Flow com a presença de Rico Verenito pôde viajar pelo universo profundo aos sons de sua cítara maravilhosa. Sua simples presença já transborda paz, seus alongamentos antes de começar a tocar lembram que a música é também extensão da memória muscular. Mas sua atuação no projeto que une música e meditação, dirigido pela meditadora Monica Jurado, é uma das pontas do imenso iceberg que esse multi-instrumentista construiu ao longo de seus 43 anos de idade. O músico está promovendo o pré-lançamento do C’Alma, espaço ecocultural localizado no Tatuapé, em São Paulo, com dois workshops sobre o aproveitamento da água da chuva e a construção de telhados verdes. O local, com 800 metros quadrados, receberá ainda cursos que introduzem os conceitos da música clássica indiana, música das esferas e discussões sobre qualidade de vida e alimentação.

  • Francisco Lobo Pedras 21

    Uma pedra no caminho

    Desde pequeno, sempre fui interessado pelo formato de pedras e pedregulhos. Com seis anos, guardei por muito tempo como amuleto uma “pedra-infinito”, com formato de número oito, praticamente duas bolinhas grudadas pela natureza. Em 2007, comemorei a decisão pelo nome de meu filho, definido naquele momento em uma praia de Caraguatatuba, mergulhando no mar para coletar uma das várias pedras que haviam no fundo, um macuco que guardo até hoje e que já foi tema de redação na escola do meu filho. As pedras vão muito além de item de colecionadores. Pedras e cristais têm sido usados há milênios pela humanidade em processos de cura. Cada gema tem propriedades específicas, que podem ajudar desde o combate à depressão a melhoraria da memória, como ametista, quartzo-rosa e jade. E até hoje ainda são usadas de várias formas por músicos e especialistas como massoterapeutas, meditadores, terapeutas holísticos e acupunturistas.

  • Luis Leite PB

    Uma meditação latino-americana

    Por mais revoltante e injusto que o mundo nos pareça, só com amor é possível mudar a nossa perspectiva para uma sociedade mais justa. “Vento Sul”, o terceiro CD autoral do violonista carioca Luis Leite, dá grande colaboração nesse sentido ao fazer um convite a um tipo de introspecção que não tem nada de passivo. Lançado no final de 2017, o trabalho pode ser considerado um mergulho na essência da América Latina, de suas veias até hoje abertas, e um forte estímulo para a meditação sobre quem somos, o que queremos e para onde vamos. O disco físico pode ser adquirido pelo site do artista (R$ 30) ou por download no mesmo endereço eletrônico (R$ 15). O violinista não disponibilizou o CD em plataformas de streaming por questões estéticas e econômicas.

  • Saúde de cantores evangélicos 2 MTC

    Só a fé não move o canto

    Com a proximidade do Natal e Fim de Ano, corais de igreja se apresentam em todos os cantos. A música, no entanto, não é um veículo de louvor apenas nessas festas. Todas as religiões têm na canção um componente essencial em sua liturgia. Entre os evangélicos, o uso da música é ainda mais intenso. Mas o canto dos evangélicos está ameaçado pela falta de técnica, com “elevado risco vocal” que pode prejudicar a saúde de cantores amadores que participam desses cultos. É o que mostram dois estudos coordenados pelo Departamento de Fonoaudiologia da Faculdade de Odontologia de Bauru da Universidade de São Paulo (USP) e Centro de Estudos da Voz (CEV).

  • Tarabando Zikir Trio

    Ventos do Oriente

    O Bando de Seu Pereira divulga o vídeo da música “Tarabando”.

  • Tadeu

    A última piada infame de Tadeu

    “… e ainda acreditamos em Deus e na qualidade musical. No fim tudo vira pó e mp3.” Às 19h30 de sábado, 2 de dezembro de 2017, Tadeu Martinez replicou essa sua frase profética que lhe apareceu na memória do Facebook, algo que havia escrito e compartilhado há exatos seis anos. Há 25 anos, o então metalúrgico deixou a fábrica na qual trabalhava para ficar mais perto do rock, sua paixão. Guitarrista, curioso com tudo que envolvia a música, Tadeu decidiu criar o Z7 Studio na parte da frente da sua casa, na Vila Madalena, em São Paulo. “Ele ergueu parede por parede. O estúdio era a vida dele”, lembra a filha Uiara Carvalho. Naquela noite de sábado, ele parecia feliz, fazendo piadas com a dura realidade, como era de seu costume. Ele estava animado com as câmeras que comprara recentemente para fazer transmissões ao vivo de ensaios. Às 3h50 da madrugada de domingo, ele acordou com fortes dores de cabeça e no peito. Com a demora da ambulância, a filha recorreu aos vizinhos, que o levaram até o Hospital das Clínicas. Ele chegou a ser atendido, mas morreu de infarto, aos 52 anos de idade.

  • Bruno Vieira2 CEO Deezer Brasil Crédito da Foto Roger Marzochi

    O jazz terá a sua vez

    Apesar de a Deezer Brasil estar apostando todas as suas fichas na música gospel no País, o jazz terá um pouco mais de espaço na plataforma de streaming de música em 2018. Bruno Vieira, CEO da Deezer Brasil, disse na última terça-feira (28/11), em coletiva de imprensa em um dos ícones do gênero no País, o Jazz nos Fundos, que artistas da música instrumental brasileira poderão ser chamados para o estúdio que a companhia inaugurou em sua sede, em Pinheiros, em agosto deste ano. “Claro! Total! 2018 dirá”, disse o executivo, ao ser questionado pelo entresons. A empresa francesa de streaming de música, presente em 180 países, é a terceira maior do mundo e ocupa o segundo lugar no Brasil, atrás do Spotify. “Temos um consumo grande de jazz (na plataforma). Temos rádios especializadas de jazz, temos um editor de jazz e está crescendo conteúdo para cada gênero. Por mais que a gente esteja falando de sertanejo e gospel, sob o ponto de vista de massa, isso não tira o nosso foco e interesse em trabalhar cada nicho.”

Textos

Paulio Celé Jazz nos Fundos

O tempo é agora

“E se meu tempo não fosse agora” será o nome do primeiro CD do guitarrista, arranjador e compositor Paulio Celé. O trabalho, que deve ficar pronto entre agosto e setembro de 2017, vai enriquecer ainda mais a cena da música instrumental brasileira, mais especificamente, a da chamada Música Universal. A expressão, criada pelo multi-instrumentista Hermeto Pascoal, refere-se a um jeito de tocar que ressoa influências musicais planetárias, sem ser possível a definição de um gênero específico. Em fevereiro do ano passado, o guitarrista Alex Lameira também mergulhou nessa fonte, apresentando o seu primeiro CD, que está pleno desse espírito. O disco era para se chamar “Saudades do Sol”, mas com início das gravações em estúdio novas sensações apontaram para outros caminhos.

1Salomão Soares por Luan Cardoso

Um São João na Suíça

Aos 27 anos, o pianista, arranjador e compositor Salomão Soares é o único brasileiro e latino-americano entre os dez semifinalistas do Montreux Jazz Piano Solo Competition 2017, disputa que ocorrerá entre os dias 2 e 3 de julho na Suíça, que faz parte do renomado festival Montreux Jazz Festival, o segundo mais importante festival de jazz do mundo. O festival, que é realizado entre os dias 30 de junho a 15 de julho, nasceu em 1967 e se tornou uma das mais importantes vitrines da música popular brasileira, com apresentações histórias de Hermeto Pascoal, Tom Jobim, Caetano Veloso e Gilberto Gil. Soares nasceu em Guarabira (PB) e foi criado em Cruz do Espírito Santo, também na Paraíba. Desde muito cedo teve a sua musicalidade despertada por influência do pai José – percussionista – e da mãe Maria José – violonista que brindava com música todas as festas da família. O músico cresceu num pedaço de Nordeste musicalmente privilegiado do Nordeste. Ao mesmo tempo em que começou a estudar teclado, entrou para a banda marcial tocando saxofone, batendo triângulo, zabumba e pandeiro, embalado pelas festas de São João. “Com certeza o forró do São João foi o mais importante na minha formação musical.”

Fernando Grecco - Foto de Tarita de Souza

Fernando Grecco se reinventa em “Repente da Palavra”

Fernando Grecco ficou conhecido no meio musical brasileiro por ter criado, em 2009, o selo Borandá. Essa iniciativa deu vida a novas obras de artistas importantes da MPB e da música instrumental brasileira, como Chico Saraiva, Marcelo Pretto, Swami Jr., Ná Ozzeti, Antonio Loureiro, Dani Gurgel, Toninho Ferragutti, Bebê Kramer, entre outros. O que poucos sabiam é que, no fundo do peito de Grecco, sempre bateu uma profunda vontade de tocar e compor. Essa pulsação artística foi materializada no dia 24 de maio de 2017, quando foi lançado, em plataformas digitais, e em versão física, o EP “Repente da Palavra”, com quatro canções autorais. “A partir do EP, meu desejo é trilhar o caminho como cantautor, músico e produtor musical. Até posso fazer produção executiva, mas meu objetivo agora é a música”, afirma o artista, que deixou o dia a dia do selo para se dedicar à arte. O lançamento do EP aconteceu nas plataformas digitais, e também como CD físico, que traz na capa a xilogravura “O Diálogo”, de Gilvan Samico (1928-2013).

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