• Nos-SA-4-Foto-Fábio-Brazil

    “Nós S/A” é uma defesa contundente da cultura

    Não é fácil representar uma classe social, imagine então, toda uma sociedade. Mas foi bem isso o que conseguiu fazer “Nós S/A”, performance que o grupo de dança contemporânea do Instituto Caleidos, em São Paulo, apresentou entre os dias 10 a 19 de março. Em um momento em que vários grupos artísticos da cidade protestam contra o contingenciamento de 43,5% da verba da Secretaria de Educação de São Paulo, que inviabiliza espetáculos de teatro, dança e música, a diretora Isabel Marques, uma artista-educadora, levou o público a uma reflexão profunda não apenas do absurdo da administração João Dória (PSDB), mas a configuração de toda a sociedade, fundamentada no lucro exacerbado de poucos. “Nós S/A explora, por meio da dança, o universo da apropriação do espaço urbano pela lógica do mundo corporativo”, explica o folheto, entregue logo na entrada do espaço, criado em um antigo galpão na Lapa, zona oeste da capital. “O mundo dos negócios atuando sobre o espaço e sobre os corpos do mundo.”

  • Zikir Trio

    Bruna Milani incendeia estreia da TarabJazz

    A dançarina Bruna Milani levou ao êxtase a plateia que acompanhou a pré-estreia da banda TarabJazz, na sexta-feira 17 de março, no 38 Social Clube, em São Paulo. A banda do multi-instrumentista Mario Aphonso III, criada para tocar a fusão entre o jazz e a música oriental, fez uma primeira entrada apresentando um repertório dedicado à música do oriente, com composições próprias do instrumentista e do compositor libanês Rabih Abou-Khalil. Nessa primeira apresentação, antes do intervalo, foram 50 minutos de muita música oriental, com melodias sopradas em flautas turcas como nay, caval e a flauta indiana bansuri. Após o intervalo, as 20 pessoas que acompanharam a apresentação, viram entrar a dançarina Bruna Milani, envolta em um véu vermelho.

  • Hermeto Pascoal Show 11032017 Foto de Divulgação

    Hermeto e Heraldo provam sua juventude

    “Querer saber sem sentir é o mesmo que querer ter fé sem ter esperança.” Essa foi uma das diversas frases poéticas ditas por Hermeto Pascoal no sábado (11/03), durante show com o guitarrista Heraldo do Monte, no Sesc Pinheiros, em São Paulo. Esta frase, especialmente, revela importantes características deste show e, também, da essência do que o músico batizou de “Música Universal”. “Música Universal é a música que está mais perto do céu, é a música que vai unir o mundo”, afirmou Hermeto. Os dois companheiros de longa data realizaram um show sem qualquer ensaio e, nem mesmo, repertório, como Heraldo havia explicado, na semana passada, ao entresons. A ideia da apresentação, que foi também celebrada no domingo, foi a de tocar a música que surgisse no palco, no momento. Uma hora, Hermeto desafiava Heraldo, começando no piano uma canção; depois, era a vez de Heraldo apresentar um tema. Em um tom muito bem-humorado e sem qualquer arranjo pré-definido, esses músicos incríveis, que já passaram dos 80 anos, deram uma pequena amostra do fascinante universo da explosão de constelações sonoras.

  • jubarte

    Número de baleias-jubarte encalhadas no Brasil é o maior em seis anos

    O canto das baleias jubarte no Brasil tem sido de desespero. O ano de 2016 fechará como o segundo pior período para as jubartes no Brasil. Até início de dezembro, 76 baleias encalharam na costa brasileira, o pior resultado desde 2010, quando houve o recorde de 96 casos. No ano passado, ocorrem 45 encalhes. “O que está ocorrendo este ano parece ser similar ao que ocorreu em 2010, quando houve uma diminuição do krill na área de alimentação das jubartes próximo à ilha Georgia do Sul”, explica Milton Marcondes, vice-presidente e coordenador de pesquisa do Instituto Baleia Jubarte (IBJ).

  • vinicius-chatas-foto

    Caolho fica quem tenta entender Vinícius Chagas

    Música é para sentir, não para entender, dizem os mestres. Um deles é o multi-instrumentista Itiberê Zwarg, com quem o saxofonista Vinícius Chagas, 25 anos, realizou um curso em 2015 com grande profundidade. O jovem instrumentista lançou recentemente o CD “Moment Storm”, cuja primeira música “Lalá” me traz a sensação do mesmo workshop. Tentei entrevistar o músico, mas nossas agendas não bateram. Como aqui é um blog, e o chefe sou eu mesmo, deixo de lado o jornalismo e a curiosidade e compartilho sensações. Até porque, essa curiosidade me fez lembrar da história dos caolhos do livro “Mil e uma Noites”. E como meu psiquiatra talvez leia o blog, ele pode avaliar se um dia terei alta. É testar para ver se a musicoterapia está funcionando. “Lalá” é uma música que me causa muita alegria, traz um gosto de liberdade e poesia, de um verdadeiro jazz brasileiro. Eu só escuto a música no Deezer, mas pesquisando no Youtube dá para ver que o arranjo é de Paulio Celé, um guitarrista incrível, que também participou do curso do Itiberê no ano passado.

  • ze-brow

    Encontro entre a metrópole e o interior

    Um dos pioneiros na mistura de rap com repente, coco e embolada, o músico pernambucano Zé Brown também é conhecido por ter ajudado a criar, em 1988, o grupo Faces do Subúrbio, primeira grande referência do rap nacional feito fora do eixo SP-Rio. Ao lado de nomes como Racionais, Câmbio Negro e Gog, o Faces do Subúrbio e seu MC Zé Brown foram fundamentais para a expansão da cultura hip-hop no Brasil a partir dos anos 1990. Embolador, rapper e compositor, nos últimos quatro anos Zé Brown se dedicou à pesquisa de culturas regionais para compor as músicas do álbum “Poesias do Povo”, com lançamento previsto para o início de 2017. Gravado no estúdio Medusa, de São Paulo, com direção musical de Janja Gomes (filho do percussionista João Parahyba), o disco apresenta uma síntese do diálogo que Zé Bown vem propondo entre o hip-hop e a cultura popular brasileira, a metrópole e o agreste, o interiorano e o urbano.

  • a-gata-cafe-1024x585

    A melodia felina de Toninho Ferragutti

    Antes de virar músico profissional, o sanfoneiro Toninho Ferragutti estudou veterinária em Botucatu, no interior de São Paulo. Talvez, pelo cuidado com os animais, ou devido à música boa que deve sair de sua casa, em São Paulo, uma gata – que depois se descobriu gato – começou a miar pedindo um aconchego logo no início do ano, quando o músico estava envolvido num projeto de gravação de um CD com um quinteto. Ele acolheu o bichano e, aos poucos, percebeu que toda a vizinhança se preparou para dar um pouco de comida e lugar onde dormir em suas garagens. “A música tem a função de juntar as pessoas, da mesma forma que o gato uniu os vizinhos”, explica o compositor em entrevista ao blog. Ele escreveu uma música para o gato, que dá nome ao trabalho, mas deixou no feminino para ficar mais charmoso. O CD foi lançado em julho, mas o quinteto se apresentará no JazzB, em São Paulo, no sábado, dia 8 de outubro.

  • mario-aphonso-iii

    O som dos cabarés do Oriente

    Mulheres, bebidas e fumaças. Para completar a tridimensionalidade do ambiente, a Orkestra Bandida está lançando o seu primeiro CD, que traz na capa um cão vira-lata. Utilizando instrumentos da cultura cigana oriental, os seis integrantes da banda fazem soar as músicas que animavam os cabarés, tabernas e festas do Egito, Grécia, Macedônia, entre outros países da Europa Oriental e do Oriente Médio. O grupo foi criado há quatro anos dentro da Fundação Tarab, organização dedicada aos estudos da música oriental e dirigida pelo multi-instrumentista Mario Aphonso III, em São Paulo. O CD será lançado em show no sábado, dia 24 de setembro, no Centro Cultural Rio Verde, na noite “Caravana Cigana”. O evento terá a participação da banda Grand Bazaar, tendas ciganas com comida típica, leitura de tarot e discotecagem do DJ Luciano Sallun, membro do legendário grupo Pedra Branca.

Textos

Rafael - original

De sofás e garrafas jogadas ao mar

“Por esses dias o grande medo daquele que faz o livro é o de não saber ao certo se está incorrendo de jogar mais um sofá ao rio.” Esse era o receio de Rafael Gombez sobre o destino de seu livro de poesias “Aonde o corpo se põe”, que ele terminara de escrever cerca de um ano antes de sua morte, em 2009, aos 25 anos. Portador de uma doença incurável, a fibrose cística, a metáfora de mais um produto da sociedade industrial boiando como lixo, na ferida líquida da cidade, possa talvez revelar a cegueira coletiva em que vivemos. Há quem, no entanto, veja em seu livro uma mensagem de um tesouro em uma garrafa jogada ao mar. E que hoje, dia 16 de julho de 2016, data em que o poeta completaria 33 anos, chega até a praia. São mais de 10,3 mil palavras, publicadas agora pela editora Patuá, após o empenho de Bia Lopes e Marcia Matos, amigas do poeta.

josé antônio e érica Giesbrecht - Crédito Rafael Jorge

Documentário sobre bailes que uniram a comunidade negra em Campinas será exibido no Largo do Rosário

O documentário “Baile para matar saudades”, de Érica Giesbrecht, abre o baú da memória de cinco artistas negros de Campinas e resgata capítulos da história da cidade. O filme será exibido no Largo do Rosário, no próximo dia 14, quinta-feira, às 19h, com entrada gratuita. A história do documentário já foi tema de reportagem do entresons “Big Bands ajudaram a cultura afro em Campinas”. Para o projeto, a diretora conversou com os artistas Carlos Augusto Ribeiro, José Antônio, Rosária Antônia, Aluízio Jeremias e Leonice Sampaio, todos com idade entre 70 e 90 anos e engajados no movimento cultural negro da cidade, do qual participam com sua música, dança e oralidade. O documentário é resultado da pesquisa etnográfica, realizada junto ao Departamento de Antropologia da Universidade de São Paulo, com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e do Laboratório de Imagem, Som e Antropologia – USP (LISA).

Gabriel Santiago2

Um violão em boa companhia

Gabriel Santiago tem 35 anos e é um dos expoentes da música brasileira, muito pouco conhecido no País. Agora, em julho, ele lança seu 8º CD, “Momentum”, no qual ele faz releituras de clássicos da música brasileira de compositores como Tom Jobim, Dorival Caymmi, Ivan Lins e Cartola. Nascido em Ilhéus, na Bahia, o violonista começou a estudar aos 7 anos e teve uma trajetória inspiradora, chegando a morar no Rio de Janeiro e, em 2008, foi estudar em Austin, no Texas, onde continua vivendo até hoje. “A gente queria fazer um disco para as pessoas, com uma força de chegar em mais pessoas. Muito diferente do que tenho feito”, explica Santiago, sobre o novo trabalho, o primeiro em que ele está sozinho no violão com uma imensa carga emocional que, muitas vezes, desagua em vocalizes. “É um disco onde não tem um solo de improviso meu, não tem. Sou eu tocando livremente as músicas, apesar de a improvisação estar lá, nas variações.”

Social



Licença de uso

Licença Creative Commons
Os textos do Entresons são publicados com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-CompartilhaIgual 3.0 Não Adaptada.
Você pode reproduzir, retransmitir e distribuir o conteúdo, desde que com crédito (ao site e ao autor do texto), para uso não-comercial e com uma licença similar.

Próximos shows

Assinar: RSS iCal