• Cesar Camargo1

    Canto, logo existo

    Em 2011, aos 21 anos, Cesar Camargo tomou uma dura decisão, que mudaria sua vida por completo. Contrariando a máxima de que não devemos desistir de nossos sonhos, Camargo estava decidido a parar de cantar. Nascido em Americana, no interior de São Paulo, em uma família pobre, Camargo teve contato desde muito cedo com a música, por meio da igreja na qual seus pais frequentavam. Aos seis anos, já puxava cantos do coral da comunidade e se apaixonou por música clássica, tornando-se fã de Tchaikovsky. Estudou teclado e fez aulas de canto na Escola de Música de Piracicaba. Aos 16 anos, já se apresentava em casamentos e integrou o coral Vocalis, do maestro Adilson Gombardi, seu primeiro padrinho no mundo da música. Por insistência do maestro Gombradi, Camargo se inscreveu no programa de talentos de Raul Gil, aos 17 anos. Em março de 2007, Camargo venceu o concurso, o que lhe abriu muitas portas, mas também o fez provar as gigantes barreiras para desenvolver a sua arte no Brasil.

  • Paulio Celé Jazz nos Fundos

    O tempo é agora

    “E se meu tempo não fosse agora” será o nome do primeiro CD do guitarrista, arranjador e compositor Paulio Celé. O trabalho, que deve ficar pronto entre agosto e setembro de 2017, vai enriquecer ainda mais a cena da música instrumental brasileira, mais especificamente, a da chamada Música Universal. A expressão, criada pelo multi-instrumentista Hermeto Pascoal, refere-se a um jeito de tocar que ressoa influências musicais planetárias, sem ser possível a definição de um gênero específico. Em fevereiro do ano passado, o guitarrista Alex Lameira também mergulhou nessa fonte, apresentando o seu primeiro CD, que está pleno desse espírito. O disco era para se chamar “Saudades do Sol”, mas com início das gravações em estúdio novas sensações apontaram para outros caminhos.

  • 1Salomão Soares por Luan Cardoso

    Um São João na Suíça

    Aos 27 anos, o pianista, arranjador e compositor Salomão Soares é o único brasileiro e latino-americano entre os dez semifinalistas do Montreux Jazz Piano Solo Competition 2017, disputa que ocorrerá entre os dias 2 e 3 de julho na Suíça, que faz parte do renomado festival Montreux Jazz Festival, o segundo mais importante festival de jazz do mundo. O festival, que é realizado entre os dias 30 de junho a 15 de julho, nasceu em 1967 e se tornou uma das mais importantes vitrines da música popular brasileira, com apresentações histórias de Hermeto Pascoal, Tom Jobim, Caetano Veloso e Gilberto Gil. Soares nasceu em Guarabira (PB) e foi criado em Cruz do Espírito Santo, também na Paraíba. Desde muito cedo teve a sua musicalidade despertada por influência do pai José – percussionista – e da mãe Maria José – violonista que brindava com música todas as festas da família. O músico cresceu num pedaço de Nordeste musicalmente privilegiado do Nordeste. Ao mesmo tempo em que começou a estudar teclado, entrou para a banda marcial tocando saxofone, batendo triângulo, zabumba e pandeiro, embalado pelas festas de São João. “Com certeza o forró do São João foi o mais importante na minha formação musical.”

  • Fernando Grecco - Foto de Tarita de Souza

    Fernando Grecco se reinventa em “Repente da Palavra”

    Fernando Grecco ficou conhecido no meio musical brasileiro por ter criado, em 2009, o selo Borandá. Essa iniciativa deu vida a novas obras de artistas importantes da MPB e da música instrumental brasileira, como Chico Saraiva, Marcelo Pretto, Swami Jr., Ná Ozzeti, Antonio Loureiro, Dani Gurgel, Toninho Ferragutti, Bebê Kramer, entre outros. O que poucos sabiam é que, no fundo do peito de Grecco, sempre bateu uma profunda vontade de tocar e compor. Essa pulsação artística foi materializada no dia 24 de maio de 2017, quando foi lançado, em plataformas digitais, e em versão física, o EP “Repente da Palavra”, com quatro canções autorais. “A partir do EP, meu desejo é trilhar o caminho como cantautor, músico e produtor musical. Até posso fazer produção executiva, mas meu objetivo agora é a música”, afirma o artista, que deixou o dia a dia do selo para se dedicar à arte. O lançamento do EP aconteceu nas plataformas digitais, e também como CD físico, que traz na capa a xilogravura “O Diálogo”, de Gilvan Samico (1928-2013).

  • Nos-SA-4-Foto-Fábio-Brazil

    “Nós S/A” é uma defesa contundente da cultura

    Não é fácil representar uma classe social, imagine então, toda uma sociedade. Mas foi bem isso o que conseguiu fazer “Nós S/A”, performance que o grupo de dança contemporânea do Instituto Caleidos, em São Paulo, apresentou entre os dias 10 a 19 de março. Em um momento em que vários grupos artísticos da cidade protestam contra o contingenciamento de 43,5% da verba da Secretaria de Educação de São Paulo, que inviabiliza espetáculos de teatro, dança e música, a diretora Isabel Marques, uma artista-educadora, levou o público a uma reflexão profunda não apenas do absurdo da administração João Dória (PSDB), mas a configuração de toda a sociedade, fundamentada no lucro exacerbado de poucos. “Nós S/A explora, por meio da dança, o universo da apropriação do espaço urbano pela lógica do mundo corporativo”, explica o folheto, entregue logo na entrada do espaço, criado em um antigo galpão na Lapa, zona oeste da capital. “O mundo dos negócios atuando sobre o espaço e sobre os corpos do mundo.”

  • Zikir Trio

    Bruna Milani incendeia estreia da TarabJazz

    A dançarina Bruna Milani levou ao êxtase a plateia que acompanhou a pré-estreia da banda TarabJazz, na sexta-feira 17 de março, no 38 Social Clube, em São Paulo. A banda do multi-instrumentista Mario Aphonso III, criada para tocar a fusão entre o jazz e a música oriental, fez uma primeira entrada apresentando um repertório dedicado à música do oriente, com composições próprias do instrumentista e do compositor libanês Rabih Abou-Khalil. Nessa primeira apresentação, antes do intervalo, foram 50 minutos de muita música oriental, com melodias sopradas em flautas turcas como nay, caval e a flauta indiana bansuri. Após o intervalo, as 20 pessoas que acompanharam a apresentação, viram entrar a dançarina Bruna Milani, envolta em um véu vermelho.

  • Hermeto Pascoal Show 11032017 Foto de Divulgação

    Hermeto e Heraldo provam sua juventude

    “Querer saber sem sentir é o mesmo que querer ter fé sem ter esperança.” Essa foi uma das diversas frases poéticas ditas por Hermeto Pascoal no sábado (11/03), durante show com o guitarrista Heraldo do Monte, no Sesc Pinheiros, em São Paulo. Esta frase, especialmente, revela importantes características deste show e, também, da essência do que o músico batizou de “Música Universal”. “Música Universal é a música que está mais perto do céu, é a música que vai unir o mundo”, afirmou Hermeto. Os dois companheiros de longa data realizaram um show sem qualquer ensaio e, nem mesmo, repertório, como Heraldo havia explicado, na semana passada, ao entresons. A ideia da apresentação, que foi também celebrada no domingo, foi a de tocar a música que surgisse no palco, no momento. Uma hora, Hermeto desafiava Heraldo, começando no piano uma canção; depois, era a vez de Heraldo apresentar um tema. Em um tom muito bem-humorado e sem qualquer arranjo pré-definido, esses músicos incríveis, que já passaram dos 80 anos, deram uma pequena amostra do fascinante universo da explosão de constelações sonoras.

  • jubarte

    Número de baleias-jubarte encalhadas no Brasil é o maior em seis anos

    O canto das baleias jubarte no Brasil tem sido de desespero. O ano de 2016 fechará como o segundo pior período para as jubartes no Brasil. Até início de dezembro, 76 baleias encalharam na costa brasileira, o pior resultado desde 2010, quando houve o recorde de 96 casos. No ano passado, ocorrem 45 encalhes. “O que está ocorrendo este ano parece ser similar ao que ocorreu em 2010, quando houve uma diminuição do krill na área de alimentação das jubartes próximo à ilha Georgia do Sul”, explica Milton Marcondes, vice-presidente e coordenador de pesquisa do Instituto Baleia Jubarte (IBJ).

Textos

Bruno Vieira DEEZER Felipe Gabriel E

Cobrança de ISS em streaming deve provocar guerra jurídica

O aplicativo francês de streaming de música Deezer começou a operar em 2013 no Brasil com a pulga atrás da orelha. A empresa é obrigada a pagar tributos federais sobre a renda, como IR e Cofins, como qualquer empresa instalada no País. Mas, sediada no município de São Paulo, a companhia não conseguiu se enquadrar de imediato na tributação sobre atividade econômica, para recolher ISS, que é um tributo municipal. E o motivo é simples: não existe no País a definição de atividade de empresas de streaming, seja de música, como Deezer, Spotify, Apple Music, ou de vídeo, como Netflix, Globo Play e Amazon Prime Vídeo. “A gente ficou um tempo sem saber em que categoria a empresa se encaixava, porque a legislação é antiga”, lembra o CEO do Deezer no Brasil, Bruno Vieira. Para evitar problemas, a companhia decidiu se enquadrar como uma empresa de licenciamento de software, recolhendo 2% de ISS sobre o seu faturamento. “A insegurança jurídica é muito grande para essas operações”, diz o advogado José do Patrocínio, professor de Gestão Tributária da Faculdade Fipecafi, para quem as companhias de streaming sofrem com um limbo jurídico.

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Comentários a respeito de John e Jarvis

“O tempo. Andou mexendo com a gente sim.” É o que diz a canção de Belchior em “Comentários a respeito de John”, que, assim como o ex-beatle, continua extremamente atual. O tempo vem dilacerando as esperanças. Entre 1969 e 2016, há um fosso gigantesco de 47 anos, em cujas extremidades podemos encontrar movimentos pacifistas e libertários, cujas forças criativas foram impulsionadas planetariamente por John Lennon. E, de outro lado, uma tecnologia que ameaça as liberdades individuais, personificada em Jarvis, a inteligência artificial criada pelo CEO e fundador do Facebook, Mark Zuckerberg, há uma semana antes do Natal de 2016. Jarvis transforma a sua casa em um ser vivo – e altamente perigoso.

jubarte

Número de baleias-jubarte encalhadas no Brasil é o maior em seis anos

O canto das baleias jubarte no Brasil tem sido de desespero. O ano de 2016 fechará como o segundo pior período para as jubartes no Brasil. Até início de dezembro, 76 baleias encalharam na costa brasileira, o pior resultado desde 2010, quando houve o recorde de 96 casos. No ano passado, ocorrem 45 encalhes. “O que está ocorrendo este ano parece ser similar ao que ocorreu em 2010, quando houve uma diminuição do krill na área de alimentação das jubartes próximo à ilha Georgia do Sul”, explica Milton Marcondes, vice-presidente e coordenador de pesquisa do Instituto Baleia Jubarte (IBJ).

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