• Paulio Celé Jazz nos Fundos

    O tempo é agora

    “E se meu tempo não fosse agora” será o nome do primeiro CD do guitarrista, arranjador e compositor Paulio Celé. O trabalho, que deve ficar pronto entre agosto e setembro de 2017, vai enriquecer ainda mais a cena da música instrumental brasileira, mais especificamente, a da chamada Música Universal. A expressão, criada pelo multi-instrumentista Hermeto Pascoal, refere-se a um jeito de tocar que ressoa influências musicais planetárias, sem ser possível a definição de um gênero específico. Em fevereiro do ano passado, o guitarrista Alex Lameira também mergulhou nessa fonte, apresentando o seu primeiro CD, que está pleno desse espírito. O disco era para se chamar “Saudades do Sol”, mas com início das gravações em estúdio novas sensações apontaram para outros caminhos.

  • 1Salomão Soares por Luan Cardoso

    Um São João na Suíça

    Aos 27 anos, o pianista, arranjador e compositor Salomão Soares é o único brasileiro e latino-americano entre os dez semifinalistas do Montreux Jazz Piano Solo Competition 2017, disputa que ocorrerá entre os dias 2 e 3 de julho na Suíça, que faz parte do renomado festival Montreux Jazz Festival, o segundo mais importante festival de jazz do mundo. O festival, que é realizado entre os dias 30 de junho a 15 de julho, nasceu em 1967 e se tornou uma das mais importantes vitrines da música popular brasileira, com apresentações histórias de Hermeto Pascoal, Tom Jobim, Caetano Veloso e Gilberto Gil. Soares nasceu em Guarabira (PB) e foi criado em Cruz do Espírito Santo, também na Paraíba. Desde muito cedo teve a sua musicalidade despertada por influência do pai José – percussionista – e da mãe Maria José – violonista que brindava com música todas as festas da família. O músico cresceu num pedaço de Nordeste musicalmente privilegiado do Nordeste. Ao mesmo tempo em que começou a estudar teclado, entrou para a banda marcial tocando saxofone, batendo triângulo, zabumba e pandeiro, embalado pelas festas de São João. “Com certeza o forró do São João foi o mais importante na minha formação musical.”

  • Fernando Grecco - Foto de Tarita de Souza

    Fernando Grecco se reinventa em “Repente da Palavra”

    Fernando Grecco ficou conhecido no meio musical brasileiro por ter criado, em 2009, o selo Borandá. Essa iniciativa deu vida a novas obras de artistas importantes da MPB e da música instrumental brasileira, como Chico Saraiva, Marcelo Pretto, Swami Jr., Ná Ozzeti, Antonio Loureiro, Dani Gurgel, Toninho Ferragutti, Bebê Kramer, entre outros. O que poucos sabiam é que, no fundo do peito de Grecco, sempre bateu uma profunda vontade de tocar e compor. Essa pulsação artística foi materializada no dia 24 de maio de 2017, quando foi lançado, em plataformas digitais, e em versão física, o EP “Repente da Palavra”, com quatro canções autorais. “A partir do EP, meu desejo é trilhar o caminho como cantautor, músico e produtor musical. Até posso fazer produção executiva, mas meu objetivo agora é a música”, afirma o artista, que deixou o dia a dia do selo para se dedicar à arte. O lançamento do EP aconteceu nas plataformas digitais, e também como CD físico, que traz na capa a xilogravura “O Diálogo”, de Gilvan Samico (1928-2013).

  • Nos-SA-4-Foto-Fábio-Brazil

    “Nós S/A” é uma defesa contundente da cultura

    Não é fácil representar uma classe social, imagine então, toda uma sociedade. Mas foi bem isso o que conseguiu fazer “Nós S/A”, performance que o grupo de dança contemporânea do Instituto Caleidos, em São Paulo, apresentou entre os dias 10 a 19 de março. Em um momento em que vários grupos artísticos da cidade protestam contra o contingenciamento de 43,5% da verba da Secretaria de Educação de São Paulo, que inviabiliza espetáculos de teatro, dança e música, a diretora Isabel Marques, uma artista-educadora, levou o público a uma reflexão profunda não apenas do absurdo da administração João Dória (PSDB), mas a configuração de toda a sociedade, fundamentada no lucro exacerbado de poucos. “Nós S/A explora, por meio da dança, o universo da apropriação do espaço urbano pela lógica do mundo corporativo”, explica o folheto, entregue logo na entrada do espaço, criado em um antigo galpão na Lapa, zona oeste da capital. “O mundo dos negócios atuando sobre o espaço e sobre os corpos do mundo.”

  • Zikir Trio

    Bruna Milani incendeia estreia da TarabJazz

    A dançarina Bruna Milani levou ao êxtase a plateia que acompanhou a pré-estreia da banda TarabJazz, na sexta-feira 17 de março, no 38 Social Clube, em São Paulo. A banda do multi-instrumentista Mario Aphonso III, criada para tocar a fusão entre o jazz e a música oriental, fez uma primeira entrada apresentando um repertório dedicado à música do oriente, com composições próprias do instrumentista e do compositor libanês Rabih Abou-Khalil. Nessa primeira apresentação, antes do intervalo, foram 50 minutos de muita música oriental, com melodias sopradas em flautas turcas como nay, caval e a flauta indiana bansuri. Após o intervalo, as 20 pessoas que acompanharam a apresentação, viram entrar a dançarina Bruna Milani, envolta em um véu vermelho.

  • Hermeto Pascoal Show 11032017 Foto de Divulgação

    Hermeto e Heraldo provam sua juventude

    “Querer saber sem sentir é o mesmo que querer ter fé sem ter esperança.” Essa foi uma das diversas frases poéticas ditas por Hermeto Pascoal no sábado (11/03), durante show com o guitarrista Heraldo do Monte, no Sesc Pinheiros, em São Paulo. Esta frase, especialmente, revela importantes características deste show e, também, da essência do que o músico batizou de “Música Universal”. “Música Universal é a música que está mais perto do céu, é a música que vai unir o mundo”, afirmou Hermeto. Os dois companheiros de longa data realizaram um show sem qualquer ensaio e, nem mesmo, repertório, como Heraldo havia explicado, na semana passada, ao entresons. A ideia da apresentação, que foi também celebrada no domingo, foi a de tocar a música que surgisse no palco, no momento. Uma hora, Hermeto desafiava Heraldo, começando no piano uma canção; depois, era a vez de Heraldo apresentar um tema. Em um tom muito bem-humorado e sem qualquer arranjo pré-definido, esses músicos incríveis, que já passaram dos 80 anos, deram uma pequena amostra do fascinante universo da explosão de constelações sonoras.

  • jubarte

    Número de baleias-jubarte encalhadas no Brasil é o maior em seis anos

    O canto das baleias jubarte no Brasil tem sido de desespero. O ano de 2016 fechará como o segundo pior período para as jubartes no Brasil. Até início de dezembro, 76 baleias encalharam na costa brasileira, o pior resultado desde 2010, quando houve o recorde de 96 casos. No ano passado, ocorrem 45 encalhes. “O que está ocorrendo este ano parece ser similar ao que ocorreu em 2010, quando houve uma diminuição do krill na área de alimentação das jubartes próximo à ilha Georgia do Sul”, explica Milton Marcondes, vice-presidente e coordenador de pesquisa do Instituto Baleia Jubarte (IBJ).

  • vinicius-chatas-foto

    Caolho fica quem tenta entender Vinícius Chagas

    Música é para sentir, não para entender, dizem os mestres. Um deles é o multi-instrumentista Itiberê Zwarg, com quem o saxofonista Vinícius Chagas, 25 anos, realizou um curso em 2015 com grande profundidade. O jovem instrumentista lançou recentemente o CD “Moment Storm”, cuja primeira música “Lalá” me traz a sensação do mesmo workshop. Tentei entrevistar o músico, mas nossas agendas não bateram. Como aqui é um blog, e o chefe sou eu mesmo, deixo de lado o jornalismo e a curiosidade e compartilho sensações. Até porque, essa curiosidade me fez lembrar da história dos caolhos do livro “Mil e uma Noites”. E como meu psiquiatra talvez leia o blog, ele pode avaliar se um dia terei alta. É testar para ver se a musicoterapia está funcionando. “Lalá” é uma música que me causa muita alegria, traz um gosto de liberdade e poesia, de um verdadeiro jazz brasileiro. Eu só escuto a música no Deezer, mas pesquisando no Youtube dá para ver que o arranjo é de Paulio Celé, um guitarrista incrível, que também participou do curso do Itiberê no ano passado.

Textos

Jane Ira Bloom Foto de Susan Cook

Os espaços sonoros de Jane Ira Bloom

Seu som já chegou a um asteroide, descoberto em 1984, e consegue chegar às células do coração de quem o ouve. A saxofonista Jane Ira Bloom, escolhida em votação pela revista DownBeat, em 2015, como um dos três músicos de sax soprano mais importantes do ano – ao lado de Wayne Shorter e Dave Liebman -, está lançando neste ano “Early Americans”, seu 16º CD, aos 61 anos. “Espaço interior e exterior são ambos de meu interesse, quer que se trate da exploração de galáxias distantes ou a psicologia do coração e mentes humanos”, diz a musicista, em entrevista ao entresons. O novo trabalho faz lembrar as sonoridades dos índios americanos e a influência dos conquistadores ingleses, em 12 músicas autorais, que são finalizadas por uma interpretação surpreendente de “Somewhere”, de Leonard Bernstein, na qual ela faz uma apresentação solo. Apesar de toda a representação que essa música pode ter para os americanos, para nós, brasileiros, há ainda um simbolismo especial, por fazer lembrar da interpretação feita por Renato Russo em “The Stonewall Celebration Concert”, de 1994.

Orkestra Bandida

Orkestra Bandida lança novo CD

A banda de música oriental Orkestra Bandida vai lançar seu primeiro CD em setembro. A Radio Marza, divisão de rádio do blog entresons, entrevistou o líder da banda, Mário Aphonso III. Em breve, o blog publicará uma nova reportagem sobre o tema, com a data e local de lançamento do trabalho, que explora a sonoridade dos cabarés e tabernas do Egito, Síria, Macedônia e Grécia.

Cheik Tidiane Seck1

Sesc realiza sexta edição do Jazz na Fábrica  

O Sesc Pompeia realiza, entre 11 e 28 de agosto, um dos mais importantes eventos do calendário de jazz do país, com mais de 20 atrações nacionais e internacionais, em panorama que contempla diversidade de estilos do gênero. O Jazz na Fábrica, festival consagrado do circuito nacional do gênero, reúne mais de 20 atrações, de nove países, em sua sexta edição. Com seleção cuidadosa, a programação contempla tradição, experimentalismo e tendências do jazz, produzido por diferentes correntes e culturas, entre os dias 11 e 28 de agosto. Nomes de destaque da cena jazzística da Argentina, Brasil, Canadá, Dinamarca, Estados Unidos, Israel, Mali, Suécia e Suíça apresentam-se no Sesc Pompeia, sempre de quinta a domingo.

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