• Caravana Cigana

    Na Clave!

    As bandas Orkestra Bandida e Grand Baazar se apresentam nesta sexta-feira (18/08) na Caravana Cigana, evento realizado no Centro Cultural Rio Verde, em São Paulo. A organização do evento reúne no centro cultural expositores de produtos com temática oriental na área externa. Dentro do salão, o público dançará ao som do pesquisador Alfas Maan e seu projeto AM8. Ainda na sexta, a talentosa cantora Misty e seu Grupo comemoram o 22ª aniversário do All of Jazz em um show que promete ser inesquecível. E a MC Lurdez da Luz se apresenta no Sesc Belenzinho. No sábado, o músico Derico Sciotti movimenta a Estação Cultura, em Campinas, com o show “Pelo Telefone”. Na quinta, o contrabaixista Sidiel Vieira apresenta músicas do álbum “Traços Urbanos”, no JazzB.

  • Eristhal Luz

    Purgatório aromático

    Era como se do teto descessem estalactites, por onde escorria um ácido, que queimava o corpo dos viventes. Foi essa sensação que tive, em 2010, ao ouvir a música “Purgatório” ao vivo, dentro de uma das salas de ensaio do Estúdio Z7, do guitarrista, humorista e filósofo bissexto Tadeu Martinez. A Boom Project Band, que à época era formada por Chico Leibholz (bateria), Miro Dantas (baixo e sintetizadores) e Eristhal Luz (guitarra), acabara de ser criada. A banda ensaiava com frequência nesse estúdio da Vila Madalena naquela época, fazendo um rock instrumental psicodélico, uma mistura de surf music com funk. Seguiram-se muitos shows, o lançamento do CD da banda em 2011, e também, algumas despedidas, que geraram ainda mais arte. O também artista plástico Miro Dantas resolveu se dedicar exclusivamente à pintura e ao estúdio de tatuagens, realizando um trabalho incrível. É dele, por exemplo, o projeto “Uma tatuagem por uma vida melhor”, no qual ajudou a recuperar a autoestima de mulheres que sofreram com o câncer de mama. Chico Leibholz está prestes a lançar um novo projeto, que se chamará Fluhe. “É instrumental trip noise”, define o baterista. E o guitarrista Eristhal Luz colocará na praça, nos próximos dias, “Aromáticas”, o seu primeiro trabalho autoral, que ficará disponível em plataformas de streaming de música.

  • Navio_negreiro_-_Rugendas_1830

    Nos porões da dor

    Há discos que são eternos, especialmente porque conseguem encontrar poesia onde há uma imensa dor. Letieres Leite, na Bahia, e Jorge Marciano, em São Paulo, são dois artistas mestres nesse campo, com trabalhos que expressam em arte o sofrimento dos negros trazidos da África para o Brasil.

  • Benjamim Taubkin - O piano que conversa

    Um filme para os ouvidos

    A celebração da cultura ancestral pela música contemporânea é a principal protagonista do filme “O piano que conversa”, do diretor Marcelo Machado. A obra, que venceu o Prêmio Petrobras de Melhor Documentário, na categoria Júri Popular, será exibido no CineSesc, em São Paulo, de 6 a 12 de julho, sempre às 21h30. Após esse período, a película será exibida no Circuito SPCine. A força catalisadora do trabalho nasce das antenas amplas e irrestritas do pianista Benjamim Taubkin, que em suas andanças pelo Brasil e pelo mundo, em mais de 150 projetos musicais, consegue tecer com as teclas de seus pianos uma intrincada rede de paz e amor. Machado acompanhou o encontro do pianista com músicos do Brasil, Coréia do Sul, Bolívia, Polônia, Israel e Moçambique, em gravações realizadas no País, na Bolívia e na Coréia do Sul.

  • Cesar Camargo1

    Canto, logo existo

    Em 2011, aos 21 anos, Cesar Camargo tomou uma dura decisão, que mudaria sua vida por completo. Contrariando a máxima de que não devemos desistir de nossos sonhos, Camargo estava decidido a parar de cantar. Nascido em Americana, no interior de São Paulo, em uma família pobre, Camargo teve contato desde muito cedo com a música, por meio da igreja na qual seus pais frequentavam. Aos seis anos, já puxava cantos do coral da comunidade e se apaixonou por música clássica, tornando-se fã de Tchaikovsky. Estudou teclado e fez aulas de canto na Escola de Música de Piracicaba. Aos 16 anos, já se apresentava em casamentos e integrou o coral Vocalis, do maestro Adilson Gombardi, seu primeiro padrinho no mundo da música. Por insistência do maestro Gombradi, Camargo se inscreveu no programa de talentos de Raul Gil, aos 17 anos. Em março de 2007, Camargo venceu o concurso, o que lhe abriu muitas portas, mas também o fez provar as gigantes barreiras para desenvolver a sua arte no Brasil.

  • Paulio Celé Jazz nos Fundos

    O tempo é agora

    “E se meu tempo não fosse agora” será o nome do primeiro CD do guitarrista, arranjador e compositor Paulio Celé. O trabalho, que deve ficar pronto entre agosto e setembro de 2017, vai enriquecer ainda mais a cena da música instrumental brasileira, mais especificamente, a da chamada Música Universal. A expressão, criada pelo multi-instrumentista Hermeto Pascoal, refere-se a um jeito de tocar que ressoa influências musicais planetárias, sem ser possível a definição de um gênero específico. Em fevereiro do ano passado, o guitarrista Alex Lameira também mergulhou nessa fonte, apresentando o seu primeiro CD, que está pleno desse espírito. O disco era para se chamar “Saudades do Sol”, mas com início das gravações em estúdio novas sensações apontaram para outros caminhos.

  • 1Salomão Soares por Luan Cardoso

    Um São João na Suíça

    Aos 27 anos, o pianista, arranjador e compositor Salomão Soares é o único brasileiro e latino-americano entre os dez semifinalistas do Montreux Jazz Piano Solo Competition 2017, disputa que ocorrerá entre os dias 2 e 3 de julho na Suíça, que faz parte do renomado festival Montreux Jazz Festival, o segundo mais importante festival de jazz do mundo. O festival, que é realizado entre os dias 30 de junho a 15 de julho, nasceu em 1967 e se tornou uma das mais importantes vitrines da música popular brasileira, com apresentações histórias de Hermeto Pascoal, Tom Jobim, Caetano Veloso e Gilberto Gil. Soares nasceu em Guarabira (PB) e foi criado em Cruz do Espírito Santo, também na Paraíba. Desde muito cedo teve a sua musicalidade despertada por influência do pai José – percussionista – e da mãe Maria José – violonista que brindava com música todas as festas da família. O músico cresceu num pedaço de Nordeste musicalmente privilegiado do Nordeste. Ao mesmo tempo em que começou a estudar teclado, entrou para a banda marcial tocando saxofone, batendo triângulo, zabumba e pandeiro, embalado pelas festas de São João. “Com certeza o forró do São João foi o mais importante na minha formação musical.”

  • Fernando Grecco - Foto de Tarita de Souza

    Fernando Grecco se reinventa em “Repente da Palavra”

    Fernando Grecco ficou conhecido no meio musical brasileiro por ter criado, em 2009, o selo Borandá. Essa iniciativa deu vida a novas obras de artistas importantes da MPB e da música instrumental brasileira, como Chico Saraiva, Marcelo Pretto, Swami Jr., Ná Ozzeti, Antonio Loureiro, Dani Gurgel, Toninho Ferragutti, Bebê Kramer, entre outros. O que poucos sabiam é que, no fundo do peito de Grecco, sempre bateu uma profunda vontade de tocar e compor. Essa pulsação artística foi materializada no dia 24 de maio de 2017, quando foi lançado, em plataformas digitais, e em versão física, o EP “Repente da Palavra”, com quatro canções autorais. “A partir do EP, meu desejo é trilhar o caminho como cantautor, músico e produtor musical. Até posso fazer produção executiva, mas meu objetivo agora é a música”, afirma o artista, que deixou o dia a dia do selo para se dedicar à arte. O lançamento do EP aconteceu nas plataformas digitais, e também como CD físico, que traz na capa a xilogravura “O Diálogo”, de Gilvan Samico (1928-2013).

Textos

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Anna Tréa “somos nozes”

A música tem as suas mágicas, disse-me uma vez Milton Nascimento. E não é que ele estava certo? Desde que comecei a prestar atenção nisso, entendi que ouvir e tocar abrem sempre novos horizontes nunca antes imaginados. Hoje, dia 30 de outubro, às 20h, mais uma prova de que é só ficar atento para perceber o quanto de magia há entre aqueles que fazem um som. É que o programa Sons do Brasil, do músico e produtor Sérgio Sagitta, que vai ao ar aos domingos pela Rádio USP (93,7 FM), vai entrevistar a cantora, compositora e violonista Anna Tréa. Ela está lançando “Clareia”, o seu primeiro de muitos outros CDs que com certeza virão. Como ela gravou o CD, que tipo de som ela faz, o que ela tem a ver com a “Árvore Somos Nozes”? Ah, meu amigo, escute o programa, todas as suas dúvidas serão esclarecidas. E também porque ela vai tocar umas três músicas ao vivo. Eu, que já tenho em mãos o CD, posso dizer que acaba de nascer uma das maiores cantoras do Brasil.

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Encontro entre a metrópole e o interior

Um dos pioneiros na mistura de rap com repente, coco e embolada, o músico pernambucano Zé Brown também é conhecido por ter ajudado a criar, em 1988, o grupo Faces do Subúrbio, primeira grande referência do rap nacional feito fora do eixo SP-Rio. Ao lado de nomes como Racionais, Câmbio Negro e Gog, o Faces do Subúrbio e seu MC Zé Brown foram fundamentais para a expansão da cultura hip-hop no Brasil a partir dos anos 1990. Embolador, rapper e compositor, nos últimos quatro anos Zé Brown se dedicou à pesquisa de culturas regionais para compor as músicas do álbum “Poesias do Povo”, com lançamento previsto para o início de 2017. Gravado no estúdio Medusa, de São Paulo, com direção musical de Janja Gomes (filho do percussionista João Parahyba), o disco apresenta uma síntese do diálogo que Zé Bown vem propondo entre o hip-hop e a cultura popular brasileira, a metrópole e o agreste, o interiorano e o urbano.

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Sentir e viver a música

Quando se escreve um poema, um livro, uma letra de música, uma peça de teatro os símbolos deixam de habitar a cabeça do criador para povoar os corações e mentes do público. Não importa a história de quem criou a obra. Talvez, em algum momento, essa informação possa fazer um sentido maior sobre a personalidade do criador e seus reflexos na sua criação. Mas a força da sua mensagem está nessa capacidade incrível de transcender a realidade, de falar para além de seu tempo. Renato Russo foi capaz de ser um poeta eterno, explorando, com as dissonâncias do rock, os abismos da injustiça social, da humana desumanidade, da solidão e da alegria das coisas simples do cotidiano. Alheio à sua história, à própria história do rock nacional, que floresceu na década de 1980, o que realmente me importava ouvindo Legião Urbana era reconhecer em suas letras um protesto contundente contra os enlatados americanos; o trabalho sem identidade de “Música de Trabalho”; a poluição da fábrica e a coisificação do homem em “Fábrica”; que o prá sempre, sempre acaba (“Por enquanto”).

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