Desenhando a tolerância

Julio C.L. Lisboa, 29 anos, Unisal

Não foram apenas 14 os premiados no 16º Salão do Humor Internacional em Americana, realizado entre os dias 20 e 28 de junho de 2015, na escola técnica Polivalente. Tão importante quanto o reconhecimento de um trabalho foi o empenho de Geraldo Basanella, criador do salão, que incentivou crianças e adultos de escolas das cidades de Americana, Nova Odessa, Santa Bárbara, Sumaré e Hortolândia a refletirem sobre a importância da tolerância na sociedade, em razão do tema do salão deste ano: “Sim Tolerância; Intolerância Não”. Dos 780 inscritos, apenas 25 eram desenhistas e chargistas profissionais, enquanto que a maioria era formada por estudantes da região. Além de fazer chegar o tema à razão pelas vias intangíveis da arte, expressa nos traços de cada participante, o humor teve papel importante na reflexão sobre a tolerância para os 1.500 visitantes do salão.

Independente de luz no fim do túnel

Eduardo Kobra Tahiti Maio 2015

Estados Unidos, Moscou, Itália, Emirados Árabes, Taiti, Suécia, Polônia, Japão. Eduardo Kobra jamais imaginaria no fim da década de 1980 que os desenhos que pichava nos muros de São Paulo, que lhe renderam várias prisões, chegariam um dia tão longe. Com a evolução de sua técnica e o reconhecimento de sua arte, Kobra é hoje um cidadão do mundo. Mas, quando começou, era apenas um garoto pobre do bairro Campo Limpo visto como vândalo que emporcalhava a cidade. Após tantas realizações, ele revela que o seu maior sonho agora é se “aproximar mais de Deus” e valorizar as pessoas que sempre estiveram com ele em todas as suas fases: “quem pegou ônibus na periferia de SP, e sempre esteve comigo, merece estar comigo em todos os lugares onde cheguei”, diz Kobra. Essa busca por Deus se intensificou nos últimos dois anos.

Pintura muda a vida de artista de rua em BH

O pintor Marcos assina suas obras como Jesus.

O voo da criatividade

romero in studio (1)

Há quem não goste de aeroporto, devido ao estresse causado pela urgência de se chegar na hora para não perder o voo, o excesso de gente transitando no local, principalmente em feriados, o risco do extravio das bagagens, a demora para o embarque e a decolagem. E, até mesmo, o medo de acidentes aéreos. Essa sensação, definitivamente, não faz parte do pensamento de Romero Britto, pernambucano respeitado mundialmente como um ícone da cultura pop moderna, com pinturas e esculturas presentes literalmente em todos os continentes em mais de cem galerias. “Eu viajo tanto que, às vezes, pode parecer estressante e chato. Mas eu amo estar no aeroporto. Eu gosto de chegar cedo para que toda a experiência seja calma, e então eu tenho a oportunidade de observar as pessoas. Desejando saber de onde elas estão chegando, para onde vão, o que estão fazendo.”

“A imitação da Rosa”, conto escrito por Clarice Lispector, inspira série de pinturas de mulheres-plantas

Primavera

O conto “A imitação da Rosa”, de Clarice Lispector, presente no livro “Laços de Família”, instigou a criatividade do pintor Giuseppe Buoso Filho, mais conhecido como Giu. Ele lera o conto na década de 1970 e, desde então, pintou 30 quadros a partir da epifania de Laura, personagem do conto: a ausência da beleza de um vaso de rosas, que é dado a uma amiga, faz-lhe sentir vontade de ser a própria flor. É por isso que os quadros de Giu retratam corpos de mulheres a partir dos quais crescem galhos, folhas, flores, num eterno transformar-se em meio à natureza, muitas vezes exuberante, muitas vezes primordial. “Eu desenho desde criança. Desde pequeno, via meu pai e minha mãe desenhando. Ele desenhava perspectiva de móveis, pois tinha fábrica de móveis; e minha mãe pintava telas”, diz Giu.

Alexandre Keto prepara exposição que retrata a cultura africana no Brasil e na Europa

Alexandre Keto1

O artista plástico Alexandre Keto está preparando uma exposição que ocorrerá no segundo semestre de 2015, que começará em Salvador e que deve percorrer as principais capitais do País. A exposição reunirá 20 fotos e um número ainda incerto de obras que retratam a cultura negra dos países africanos e sua influência na Europa e no Brasil. O artista, que começou aos 12 anos a fazer grafites nas ruas da Vila Prudente, zona leste de São Paulo, ganhou notoriedade ao criar os traços de uma mulher negra, retratando nas paredes da cidade a cultura africana.

Escafandrista urbano

Escafandrista flauta

O mar inspirou diversos artistas, de Dorival Caymmi a Arnaldo Antunes, desde os desafios que impõe ao homem, suas culturas e crenças. E, em suas profundezas, o oceano continua alimentando toda uma geração de artistas. Não é à toa que Caio Cesar Mateus Ferreira ganhou o apelido de “Timoneiro” e hoje, aos 19 anos, desenha pelas paredes das ruas de São Paulo figuras de escafandristas que dançam, tocam e amam com a mesma plasticidade fluída da água. E além de artista plástico, Timoneiro também é poeta e compositor. Na noite do dia 22 de abril, o rapaz que nasceu em Limoeiro, Pernambuco, estava andando pela Avenida Paulista com seu ukelele e cantou duas composições suas, em companhia de um amigo que acabara de conhecer. Assim como em seus poemas e grafites, o jeito como canta suas letras e a sua voz, entrecortada pelos sons de carros e buzinas da cidade, é um tibum no oceano urbano.

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