Camba(i)lhota

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“Quando eu vou assistir um concerto, um show, eu espero sair melhor do que entrei. Aquilo tem que transformar minha vida de alguma forma.” A frase do baterista e compositor Magno Bissoli, em entrevista a este blog em 2014, revela a transformação que a arte pode operar no público. E, entre os músicos, ocorrem transformações parecidas, ainda mais quando são realizadas as chamadas “residências artísticas”, que reúnem artistas de outras regiões e países. Em 2015, o festival Arte Serrinha, que é realizado em uma antiga fazenda que produzia café em Bragança Paulista, no interior de São Paulo, promoveu pela primeira vez em sua história um encontro de músicos brasileiros e estrangeiros. Como resultado desse encontro, nasceram muitas músicas inéditas, eternizadas no CD-DVD “Música na Serrinha – 10 dias de criação”, lançado no início de setembro pela gravadora Núcleo Contemporâneo.

Um xamã fusion

João Taubkin Foto Crédito de Antonio Brasiliano

“Olha embaixo da sua cama!” João Taubkin, então com 14 anos, correu para o quarto, esperando encontrar um pedal de guitarra overdrive, que havia pedido de presente para o pai, o pianista Benjamim Taubkin, que viajara para um show nos Estados Unidos. Mas, para sua decepção, o que lá estava era um baixolão, um contrabaixo acústico, parecido com um violão. “Não foi amor à primeira vista”, diz o músico. Presentes inesperados como esse mudaram a vida do garoto para sempre. Hoje, compositor e baixista consagrado, João aprendeu a surpreender seu público, que poderá ver em setembro vídeos inéditos do artista nas redes sociais. O CD, enquanto objetivo máximo de um músico, já é coisa do passado na era digital. A produção de seus próprios projetos e a realização de shows, com muitos parceiros, transformou a vida do baixista em uma aventura frenética, com projetos sobre a confluência entre a música e a dança e a retomada de um som hipnótico que fizera em trio, e que agora terá nova formação em quarteto.

Um filme para os ouvidos

Benjamim Taubkin - O piano que conversa

A celebração da cultura ancestral pela música contemporânea é a principal protagonista do filme “O piano que conversa”, do diretor Marcelo Machado. A obra, que venceu o Prêmio Petrobras de Melhor Documentário, na categoria Júri Popular, será exibido no CineSesc, em São Paulo, de 6 a 12 de julho, sempre às 21h30. Após esse período, a película será exibida no Circuito SPCine. A força catalisadora do trabalho nasce das antenas amplas e irrestritas do pianista Benjamim Taubkin, que em suas andanças pelo Brasil e pelo mundo, em mais de 150 projetos musicais, consegue tecer com as teclas de seus pianos uma intrincada rede de paz e amor. Machado acompanhou o encontro do pianista com músicos do Brasil, Coréia do Sul, Bolívia, Polônia, Israel e Moçambique, em gravações realizadas no País, na Bolívia e na Coréia do Sul.

“Sons de Sobrevivência” ecoarão pelo Palacete Teresa

Sons de Sobrevivência

Vida em movimento. Experimentação. Música urbana. Estes são alguns dos elementos presentes nos sete temas do álbum “Sons de Sobrevivência”, disco lançado pela gravadora Núcleo Contemporâneo e premiado internacionalmente. No dia 23 de março, quinta-feira, às 21h30, o palco do novo espaço da Casa de Francisca, o Palacete Teresa, recebe os três músicos criadores do disco para uma noite de música e celebração. Simone Sou, que vive atualmente na Holanda, está no Brasil especialmente para o reencontro com Benjamim Taubkin e Guilherme Kastrup. Juntos eles apresentam curta temporada de shows do disco, lançado em 2015. A primeira desta série de apresentações no Brasil aconteceu em fevereiro, no Sesc Pinheiros, e teve boa receptividade e presença do público. Com carreiras independentes, “Sons de Sobrevivência” é um ponto de encontro entre os três artistas que, por meio da música, experimentam transcender para sentidos mais coletivos e humanos para a vida.

Duofel e Benjamim Taubkin pela primeira vez juntos em um show

A Casa do Núcleo apresenta encontro inédito entre Duofel e Benjamim Taubkin, no dia 12 de setembro, sábado, às 21h. Nesta noite o diálogo entre os violões e o piano poderá ser apreciado pelo público. O trabalho do Duofel é resultado de 35 anos de pesquisas, ensaios e shows diversos. Luiz Bueno, paulistano, 60 anos, e Fernando Melo, alagoano de Arapiraca, 56 anos, têm em comum o fato de serem autodidatas e de acreditarem com rara obstinação, no sucesso de uma proposta musical. Benjamim Taubkin, pianista, produtor, arranjador e compositor, realiza diversos projetos com música brasileira e seu diálogo com as outras culturas, o vêm sendo seu campo de atividades. Dirige a produtora e gravadora Núcleo Contemporâneo desde seu início e é idealizador da Casa do Núcleo.

Núcleo Contemporâneo chega à maioridade cultivando a independência

Casa do Núcleo

Um dos principais desafios de um artista é conseguir sobreviver com a cultura que ele produz. No caso específico dos músicos da chamada música instrumental, ou jazz brasileiro, a questão é ainda mais delicada. E um bom exemplo de que é possível conciliar arte, sem concessões ao mercado, com retorno financeiro que dê o mínimo de dignidade ao artista é uma iniciativa que foi lançada em 1997: o Núcleo Contemporâneo, que é ao mesmo tempo produtora e gravadora, e que lançou há quatro anos em São Paulo a Casa do Núcleo, um local de encontro dos artistas relacionados ao movimento e seu público. Nesses 18 anos, a iniciativa que deu certo e produziu 45 CDs e distribui outros 45, de artistas como Na Ozzetti, Naná Vasconcelos, Marco Pereira e Hamilton de Holanda, entre outros. Ao todo, foram vendidos 120 mil CDs.

Artistas tentam salvar um dos últimos espaços do exercício do pluralismo no rádio

Um cadáver ouve rádio - Marcos Rey

A discrepância entre o que se é produzido de música no Brasil e o que veiculado pelos meios de comunicação é tamanha, que um grupo de 156 instrumentistas, cantores, produtores culturais e jornalistas se viu obrigado a lutar pela manutenção da qualidade de uma rádio AM. O Movimento Somos Rádio encaminhou há 15 dias uma carta ao Conselho Curador da Fundação Padre Anchieta exigindo que a entidade reveja a demissão de dois locutores da Rádio Cultura AM, o que prejudicou programas da emissora que realizavam programas ao vivo com músicos. Apesar da péssima qualidade do AM e dos problemas técnicos, os artistas argumentam que a rádio havia ampliado sua área de atuação com a transmissão de sua programação por meio da internet.

O papel da arte hoje é apontar caminhos, diz Benjamim Taubkin em debate sobre o filme “Eu Maior”

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O papel da arte é chocar? Não é essa a opinião do músico Benjamim Taubkin que, durante uma palestra sobre a trilha sonora que ele criou para o filme “Eu Maior”, na Casa do Núcleo, revelou o que mais gostou do trabalho, que completa um ano de lançamento. O filme é um documentário sobre a busca do autoconhecimento e da felicidade, com base na experiência de vida de 30 pessoas, como artistas como o próprio Benjamim e líderes espirituais, cientistas, filósofos, escritores. Participaram do encontro os diretores do Fernando e Paulo Schultz, que planejam lançar um livro para aproveitar ainda mais todo o conteúdo gerado nas entrevistas. E, em meados do próximo ano, deverá ficar pronto um novo documentário, a princípio chamado de “Mais Amor”.

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