Jazz na zona de guerra

Vinicius Chagas Warzone

O jovem saxofonista Vinícius Chagas lança “Warzone”, seu seguindo trabalho autoral, com um som carregado em velocidade de execução e gritos muito próximos do completo desespero, desalento e desamor. Sua fascinação pelo jazz de Miles Davis e Charlie Parker estão nítidos em seu swing e na fotografia que escolheu para ilustrar o seu WhatsApp, embora suas dissonâncias o deixem mais próximo de Ornette Coleman e do free-jazz. Mas, afinal, por que você toca assim? Por que você grita? “Eu cresci em igreja evangélica, ouvindo muita música gospel. E música raiz, samba, por influência do meu pai. Isso está dentro da minha musicalidade. Tem uma coisa melódica, mas tem uma tristeza. Todos esses fragmentos são coisas da minha vida pessoal que se refletem na música”, explica o saxofonista. “A maneira de tocar vem da influência da minha vivência, minha personalidade. Reflete o jeito que eu toco, reflete mais a minha personalidade que o momento. As composições podem ter minha maneira de tocar, que desenvolvi há anos.”

“Estou cansado dessa onda de ufanismo”, diz Bocato

O trombonista e compositor Bocato concedeu uma entrevista ao entresons no dia 27 de novembro de 2012, antes do lançamento de seu CD duplo “Esculturas de Vento” no Sesc Vila Mariana, no dia 29 de novembro. O encontro rendeu a matéria “Bocato ‘atropela’ Villa-Lobos e Tom Jobim”. O companheiro de som, cineasta e estudante de trompete Thiago Cecilio Domingos gravou e editou trechos da entrevista que estão neste vídeo, no qual Bocato fala sobre o disco, sua relação com Elis Regina e Hermeto Pascoal.

Bocato “atropela” Villa-Lobos e Tom Jobim

Bocato argumenta

Trombonista e compositor, Bocato conseguiu aos 52 anos chegar ao ápice da sua carreira com “Esculturas de Vento”, CD duplo que é uma obra-prima impossível de ser categorizada, por fundir música erudita, jazz, rock, música brasileira e eletrônica numa profusão de melancolia, dissonâncias, tensão e alegria. Só o tempo dirá a grandiosidade produzida pelo músico, que conseguiu “atropelar” estéticamente Tom Jobim e Villa-Lobos, dando a sua contribuição à música universal. A obra bem que poderia ser executada pela Osesp, uma vez que a regente Marin Alsop se dispõe a tocar obras de compositores vivos, resta saber se tem coragem para acrescentar em sua lista de apresentação compositores brasileiros como Bocato, que para amplificar seu som pelo mundo decidiu partir para os Estados Unidos em 2013.

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