Choro nas “brechas” da indústria cultural

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Apesar de não tocar no rádio, nem ser exibido na TV, o choro está mais vivo do que nunca. Um festival que já está em sua 12ª edição prova que agora é a hora do choro, como afirma Fátima Camargo, diretora do projeto Contribuinte da Cultura, responsável pelo festival internacional Chorando Sem Parar, realizado em São Carlos. Neste ano, são mais de cem artistas participantes, muitos dos quais, fazem uma homenagem a Heitor Villa-Lobos.

Heraldo do Monte abre o Instrumental Sesc Brasil de 2015 com o projeto Choro de Viola

Heraldo do Monte 2

Foi em uma apresentação com Rolando Boldrin, no programa Sr. Brasil, que Heraldo do Monte decidiu levar adiante um projeto antigo de tocar chorinho na viola caipira. O resultado do desafio lançado durante o programa da TV Cultura levou o multi-instrumentista e compositor, que integrou o lendário Quarteto Novo nos anos 1960, a pensar seriamente em tocar e compor choro usando a viola, o que resultou em várias composições novas e novos arranjos de clássicos do gênero reunidos agora no projeto Choro de Viola, que no dia 5 de janeiro abrirá a programação de 2015 do Instrumental Sesc Brasil, em São Paulo. Prestes a completar 80 anos em maio, Heraldo diz que leva o seguinte aprendizado de vida: quanto mais um músico estuda, maior é o seu ostracismo no Brasil.

11ª edição do “ChorandoSemParar” homenageia Chiquinha Gonzaga e Luciana Rabello

Luciana Rabello

No ChorandoSemParar 2014 o ano é das mulheres! Desde seu início, em 2004, o festival de música instrumental ChorandoSemParar dedica cada uma de suas edições a um músico em memória e a outro, convidado a participar do elenco. O 11º ChorandoSemParar tem como homenageada in memoriam a maestrina, pianista e compositora Chiquinha Gonzaga; e, como convidada-homenageada, a cavaquinhista e compositora Luciana Rabello. Chiquinha Gonzaga, como se sabe, paira absoluta como o maior nome feminino da história da música popular brasileira; quanto a Luciana Rabello, é com certeza o maior nome feminino do Choro na atualidade.

Izaías e Seus Chorões faz show gratuito no E-Scapes

Izaías

O bandolinista Izaías Bueno de Almeida, personagem central na cena do choro em São Paulo, comanda roda de choro com seu grupo, Izaías e Seus Chorões, e ainda músicos convidados. O show acontece na Praça das Artes no domingo 10 de Agosto, às 17h30 horas. A entrada é franca. O show marca a abertura do evento E-Scapes – Conferência Internacional do Design para Performance, que se realiza na Praça das Artes de 10 a 14 de Agosto.

Abraçando o poste

Augusto Vechini2

Era madrugada em Piracicaba. O flautista e saxofonista Augusto Cesar Vechini já havia trabalhado tocando com o grupo de choro Cochichando, no bar Cevada Pura, no Jardim São Luiz. E ainda tinha ido para outro bar para ouvir o som da H7, banda de rock e pop de seu primo. Após a maratona musical, combinou com a galera de comer um lanche. Quando dirigia pela Avenida Rio das Pedras, um cachorro apareceu do nada na sua frente e, ao desviar, acabou batendo num poste. O carro foi destruído e ele teve a sorte de só machucar o nariz. A notícia correu rápido, principalmente entre os músicos da cidade, entre eles o amigo Vitor Casagrande, que resolveu fazer uma homenagem a Vechini, numa saudável brincadeira sobre o episódio na música “Abraçando o poste”.

Ernesto Nazareth é homenageado no ChorandoSemParar

Ernesto Nazareth

O compositor Ernesto Nazareth será homenageado na décima edição do ChorandoSemParar, festival de choro que começa na próxima segunda-feira (02/12) e vai até domingo (08/12) em São Carlos, no interior de São Paulo. No domingo, serão doze horas ininterruptas de música, das 10 horas da manhã às 10 horas da noite. No ano em que se celebram os 150 anos de nascimento do homem que compôs músicas como “Odeon” e “Apanhei-te cavaquinho”, o festival toma uma importante iniciativa para ressaltar a importância do músico na história brasileira, com exposições fotográficas, debates e shows com importantes músicos.

Doce de Coco descendo a ladeira

Trecho da entrevista de Izaías Bueno de Almeida gravada no dia 19 de setembro de 2013 e editada por Thiago Cecilio Domingos. Izaías conta neste trecho o apoio dos pais e, no final, toca “Odeon”, música de Ernesto Nazareth. Para ler a reportagem sobre o músico, que neste ano completa 60 anos de carreira, acesse […]

Izaías do Bandolim quer levar o choro de volta à televisão

Izaias (esq ) e seu irmão Israel Bueno de Almeida (violão) - Foto Ed Figueiredo

Pixinguinha já havia bebido prá burro. E desde que chegou na roda de choro naquela noite da década de 1950 em São Paulo, os amigos pediam insistentemente para que ele tocasse. “Não vim aqui para tocar, eu vim aqui para descansar e ouvir música”, respondia. De tanto insistirem, armou o sax para tocar a valsa “Rosa”, a primeira versão que havia escrito, não a que havia sido gravada. Ele fazia os contracantos enquanto era Jacob do Bandolim que solova. “Foi emocionante, foi de chorar. Só sax e bandolim. Tenha dó. Uma coisa fantástica”, lembra o bandolinista Izaías Bueno de Almeida, que presenciou esse som naquela noite e que lamenta só ter o registro na memória. Aos 76 anos, ele quer fazer um programa na televisão dedicado ao choro.

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