Héloa e índios da Aldeia Kariri-Xocó entoam canto em defesa do Velho Chico

Héloa em Agô _ Frame 2

“Eu sou Pawanã Kariri-Xocó, sou chefe da minha aldeia. Bom dia!! Eu convido os irmãos a lutarem pelo nosso Rio Opará! O Rio Opará está indo embora, está morrendo, ele não tem mais peixe para a gente caçar! Nós vivemos dele, ele é nossa vida, nosso ancestral! Meus irmãos brancos de bom coração, vamos lutar pelo Rio Opará? Vamos? Vamos!” É com essa força, de denúncia e chamado, que Héloa apresenta “Agô”, primeiro single de seu próximo registro de estúdio. Acompanhada de videoclipe que mistura ficção com documentário, a música traz a união de duas poderosas energias ancestrais que guiam a vida da artista iniciada no candomblé e consagrada nas tradições indígenas da família Sabuká Kariri-Xocó. Em uma espécie de pedido de desculpas e um lamento pela morte do Rio Opará, amplamente conhecido como Rio São Francisco, a cantora lança um olhar para este que, há anos, vem sofrendo tragédias e mutilamentos.

Um antídoto contra a violência

Chick Corea2

Faça amor, não faça a guerra. E o amor pode se expressar de diversas maneiras. O pianista americano Chick Corea compartilha com o mundo a sua contribuição com essa máxima pacifista por meio de sua música, desde dos anos 1960. E, em 28 de junho, o músico com ascendência italiana, mas de coração latino, lançou o álbum “Chick Corea and The Spanish Heart Band: Antidote”, com músicas dos álbuns “My Spanish Heart” (1976) e “Touchstone” (1982). Revisitar grandes clássicos que traduzem o amor de Corea pelo universo latino-americano contou com grandes músicos de diversas partes do mundo, como Cuba, Espanha e Venezuela. E, no jazz, especialmente para artistas que transpiram música como Corea, a música gravada nunca será exatamente a mesma daquela apresentada no palco, tornando uma das expressões musicais mais inovadoras do mundo.

Fora da prateleira

Tchella

Há nove anos, uma cantora independente chamada Glaucia Nasser me disse uma coisa muito importante. Ela explicou que, apesar de ser independente de gravadoras, ela era “dependente” de muita gente: todos os ídolos da música e da arte; sua família, amigos e músicos; e, principalmente, seu público. A multi-talentosa e multi-instrumentista Marcela Brito tem essa mesma visão. Apresentando-se como Tchella, nome artístico que ganhou de seu pai quando se formou em artes cênicas, ela gravou em 2018 o disco “Transmutante”. Em julho, o trabalho completa um ano e será comemorado no dia 13, um sábado, com show acústico com o compositor e multi-instrumentista Antonio Dantas. O evento será gravado, eternizado em DVD, que será batizado de “Acústico Transmutante Ao Vivo”. “Eu preciso de vocês nesse DVD, a participação do público é muito importante, preciso muito que vocês estejam aqui”, diz Tchella em vídeo divulgado nas redes sociais, conclamando seu público, que já a apoiara há 12 meses numa campanha de financiamento coletivo que possibilitou o lançamento do trabalho. “Fizemos esse show no Rio, em maio. E gostei tanto do resultado versão voz e violão e vou trazer esse show para comemorar em São Paulo”, explica a artista em entrevista ao entresons.com.br.

Mais veloz que a luz

Ivo Perelman1

Os impressionistas buscavam captar a luz no exato momento da pintura. Artistas como Van Gogh, por exemplo, chegaram ao extremo. Em seu quadro “Noite Estrelada”, ele retratou a turbulência em espiral que flui na expansão da luz – fenômeno reconhecido até mesmo pela ciência. O saxofonista brasileiro Ivo Perelman vai além. “Quero não só captar a luz, mas tudo”, diz o músico, radicado nos Estados Unidos desde a década de 1980. “Eu tento captar a totalidade da minha experiência corpórea e espiritual, a fisicalidade que me rodeia. E a minha luta e o meu processo é ser cada vez mais honesto com essa captura. E mais eficiente. Busco tirar pensamentos estranhos e distrações e entrar na vibração simplesmente do ser como tal, como zen. Me mesclar com meu meio ambiente, com meus outros manos, com o planeta, com os planetas da Via Láctea e com o Universo. É uma experiência mística, eu nunca quis ser artista para outra coisa.” Expoente mundial do free-jazz, Perelman e o pianista americano Matthew Shipp se apresentarão em São Paulo, dias 11 e 12 de julho, no Sesc Pompeia, com vários motivos interplanetários para comemorar. Na semana da apresentação no Brasil, o duo lançará uma caixa com quatro CDs batizada de “Efflorescence”. Este será o centésimo trabalho da carreira de Perelman, 58 anos, que também completa 30 anos de estrada desde o seu primeiro trabalho, “Ivo”. Há 20 anos, o instrumentista se enveredou pelas artes plásticas e ainda lançará no próximo mês uma plataforma de exibição e de comércio eletrônico de suas obras.

Caridade em tempos de crise

Assimetria no Caminho ((Roger Marzochi)

A luz diáfana que atravessa as árvores entre os gentis caminhos do Parque Villa Lobos, em São Paulo, revela uma beleza baça na mistura entre o verde da vegetação, o cinza do chão e a suave névoa branca de uma manhã molhada do fim de fevereiro. Com uma pasta azul embaixo do braço, cujas pontas estão esgarçadas, revelando o bege do papelão da qual é feita, seu Gutemberg procura latinhas nas lixeiras. “A chuva deve ter espantado o povo daqui ontem, consegui quase nada”, diz. Após reunir o que pode de recicláveis, que são colocados em sacos plásticos, esse homem negro com barba e cabelos embranquecidos, percorre empresas da região da Lapa entregando o conteúdo de sua pasta: currículos. “Trabalhei a vida toda de ajudante ou conferente, não sei fazer outra coisa”, afirma. Gutemberg me fez refletir sobre o que realmente significa a palavra caridade, um conceito que está na base de todas as religiões do mundo. Mas, afinal, o que é caridade? E como é possível hoje praticá-la? “A caridade é um impulso de amor que faz você ver o outro como um templo divino. O povo confunde com filantropia, que sempre diferencia o ajudado de quem ajuda”, diz o jornalista e escritor Pedro Fávaro Jr.

Nas asas de um mistério

Sidemberg Rodrigues e o Beija Flor1

Em meados da década de 1970, Sidemberg Rodrigues iniciava uma nova e fantástica relação com os pássaros. Em Muqui, a 172 quilômetros de Vitória (ES), ele contraiu uma forte alergia nos olhos, que só na década de 1980 se descobriu que era uma reação ao pólen durante a primavera. Os olhos ardiam e as pálpebras se fechavam. Com a visão debilitada, ele começou a sentir pássaros pousando em seu ombro, em suas costas e até em sua mão. O que poderia ser o desejo de muita criança, era visto como desgraça para o garoto. “Eu odiava os pássaros pousando em mim”, diz Rodrigues, membro honorário da Academia Brasileira de Direitos Humanos e ex-gerente de comunicação e sustentabilidade da ArcelorMittal Tubarão.

Só a fé não move o canto

Saúde de cantores evangélicos 2 MTC

Com a proximidade do Natal e Fim de Ano, corais de igreja se apresentam em todos os cantos. A música, no entanto, não é um veículo de louvor apenas nessas festas. Todas as religiões têm na canção um componente essencial em sua liturgia. Entre os evangélicos, o uso da música é ainda mais intenso. Mas o canto dos evangélicos está ameaçado pela falta de técnica, com “elevado risco vocal” que pode prejudicar a saúde de cantores amadores que participam desses cultos. É o que mostram dois estudos coordenados pelo Departamento de Fonoaudiologia da Faculdade de Odontologia de Bauru da Universidade de São Paulo (USP) e Centro de Estudos da Voz (CEV).

Último “meditashow” do ano refletirá sobre como semear um novo ciclo

Tambor e Rosa Foto de Fernando Almeida

O grupo Meditação com Tambores realizará na sexta-feira, 11/12, às 20h30, o último “meditashow” de 2015. O evento, que ocorrerá na Casa Jaya, em Pinheiros, terá como tema principal a celebração do ano que está terminando e uma reflexão sobre como semear um novo ciclo, que se iniciará em janeiro. Criado há dois anos, o grupo é formado pela meditadora Monica Jurado, a psicanalista Patrícia Alcântara e a cantadeira de histórias Cristiane Velasco, que encontraram no som dos tambores um importante veículo para estimular a meditação e o autoconhecimento. Participarão do evento a musicista Mariana Pilatos Corado (violino e rabeca) e Roger Marzochi (sax). O grupo também convida os participantes a levarem seus tambores.

O espírito da floresta

Encontro Amazônico

Existem povos que produzem sons e realizam performances em rituais e cerimônias que, quando questionados sobre isso, negam que essas expressões sejam “música” ou “dança”. O som e a performance são para eles o próprio ritual de cura, de iniciação da vida adulta, de comunicação com o mundo espiritual. E por serem expressões tão vigorosas e transformadoras, que chegam até a serem chamadas de medicina social pela antropóloga Yvonne Daniel no livro “Dancing Wisdom”, muitos artistas mergulham nesse universo fazendo a transição do ritual para o palco das sociedades modernas, carregando consigo o espírito dos que pretendem expressar. Assim foi o Encontro Amazônico, em São Paulo, e assim é Celdo Braga, que prepara novo CD inspirado pelo som da semente que caiu no chão da mata alagada.

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