Um ouvido na cabeça, outro no coração

capa_circular Santiago CHile

No início de outubro, peguei uma gripe poderosa. Como reflexo, sofri uma infecção no ouvido direito, que causou uma dor absurda até o penúltimo domingo, e que me deixou surdo nesse hemisfério. A previsão é que eu volte a ouvir – se Deus quiser – daqui a dois meses. A vida continua. Mas, com o ouvido esquerdo, foi possível sentir novos sons: o compositor e baterista alagoano Carlos Ezequiel lançou “Circular”, uma experiência jazzística polirrítimica poderosa, com a participação de dois músicos estrangeiros convidados; o violonista baiano Gabriel Santiago, músico premiado nos Estados Unidos, apresentou “Traveler”, altamente inspirador na melodia e em seus vocalizes; e o pianista Tomás Improta veio com “Olha Pro Céu”, disco solo no qual interpreta músicas de Tom Jobim, Ary Barroso, Edu Lobo, Torquato Neto, Villa-Lobos, Cole Porter e composições próprias. Todos os discos estão no Deezer, meu serviço de música por streaming.

Um violão em boa companhia

Gabriel Santiago2

Gabriel Santiago tem 35 anos e é um dos expoentes da música brasileira, muito pouco conhecido no País. Agora, em julho, ele lança seu 8º CD, “Momentum”, no qual ele faz releituras de clássicos da música brasileira de compositores como Tom Jobim, Dorival Caymmi, Ivan Lins e Cartola. Nascido em Ilhéus, na Bahia, o violonista começou a estudar aos 7 anos e teve uma trajetória inspiradora, chegando a morar no Rio de Janeiro e, em 2008, foi estudar em Austin, no Texas, onde continua vivendo até hoje. “A gente queria fazer um disco para as pessoas, com uma força de chegar em mais pessoas. Muito diferente do que tenho feito”, explica Santiago, sobre o novo trabalho, o primeiro em que ele está sozinho no violão com uma imensa carga emocional que, muitas vezes, desagua em vocalizes. “É um disco onde não tem um solo de improviso meu, não tem. Sou eu tocando livremente as músicas, apesar de a improvisação estar lá, nas variações.”

Um músico para ser conhecido e admirado

Gabriel Santiago 2013

Ele é a inspiração em pessoa, ainda mais quando toca violão e solta a voz. Aos 34 anos, construiu uma carreira invejável. Em várias formações, com a colaboração de músicos tão importantes quanto ele, já gravou 7 CDs, 2 DVDs e participou como músico convidado na gravação de outros 16 CDs. Tocou e foi o arranjador de músicas para o teatro e o cinema e ainda ganhou três prêmios nos Estados Unidos, país onde fez seu doutorado após ganhar uma bolsa de estudos. Apesar dessa profunda experiência e da qualidade admirável de seu trabalho, o público brasileiro pouco ou nada sabe sobre a existência de um ser chamado Gabriel Santiago, que a partir de Ilhéus (BA) estendeu sua obra para todo o planeta, ganhando a audiência de americanos e japoneses.

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