A musicalidade da dança do ventre

Zikir_2BM_Pedro_Bonatto

A dança do ventre é contagiante tanto para quem dança como para quem assiste. É raro, no entanto, que essa arte seja praticada no Brasil com instrumentos acústicos. As raízes dessa expressão cultural se esvaem, petrificadas na repetição mecânica de canções que, em sua expressão viva, possuem nuances e peculiaridades, capazes de enriquecer os gestos corporais. Mas um curso, que tem início no domingo, dia 27 de agosto, em São Paulo, resgata a essência desse diálogo inseparável e simultâneo do corpo com os sons: “Musicalidade para a Dança”. O primeiro dia de aula, sobre “História da Música Oriental”, ocorrerá na Fundação Tarab, e é aberto para o público em geral. Os outros quatro dias de curso, que se estenderão em setembro, outubro, novembro e dezembro, são mais indicados a dançarinos, e serão realizados no Instituto Caleidos, centro de dança contemporânea liderado pela arte-educadora Isabel Marques.

“Nós S/A” é uma defesa contundente da cultura

Nos-SA-4-Foto-Fábio-Brazil

Não é fácil representar uma classe social, imagine então, toda uma sociedade. Mas foi bem isso o que conseguiu fazer “Nós S/A”, performance que o grupo de dança contemporânea do Instituto Caleidos, em São Paulo, apresentou entre os dias 10 a 19 de março. Em um momento em que vários grupos artísticos da cidade protestam contra o contingenciamento de 43,5% da verba da Secretaria de Educação de São Paulo, que inviabiliza espetáculos de teatro, dança e música, a diretora Isabel Marques, uma artista-educadora, levou o público a uma reflexão profunda não apenas do absurdo da administração João Dória (PSDB), mas a configuração de toda a sociedade, fundamentada no lucro exacerbado de poucos. “Nós S/A explora, por meio da dança, o universo da apropriação do espaço urbano pela lógica do mundo corporativo”, explica o folheto, entregue logo na entrada do espaço, criado em um antigo galpão na Lapa, zona oeste da capital. “O mundo dos negócios atuando sobre o espaço e sobre os corpos do mundo.”

Tecendo processos

Foto

A atriz e professora Adriana Costa faz neste texto um relato sobre o processo de montagem da peça “Sacra Folia”, de Luís Alberto de Abreu, com alunos do Teatro Escola Macunaíma, no segundo semestre de 2015. O texto acaba de ser publicado no Caderno de Registro Macu, número 8, do Primeiro Semestre de 2016, disponível aos alunos nas unidades da escola. “Realizei vários exercícios de Campo de Visão com os alunos, para que o ator possa ampliar seu potencial criativo, sua gestualidade, percepção de si e do outro e as capacidades expressivas de seu corpo. Apesar desse jogo improvisacional se utilizar muitas vezes de temas, como cenas do cotidiano – a movimentação na Rua 25 de Março, por exemplo –, minha intuição sugeriu trabalhar no Campo de Visão um exercício de antropomorfização, no qual incentivei os alunos a imaginarem qual o animal que a personagem do texto lhes sugeria. Primeiro levando-os a se portarem plenamente como esses animais e, aos poucos, acrescentando características humanas. Assim, aproveitei esse exercício como tema para o Campo de Visão, com bons resultados”, diz um trecho do relato.

Social



Licença de uso

Licença Creative Commons
Os textos do Entresons são publicados com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-CompartilhaIgual 3.0 Não Adaptada.
Você pode reproduzir, retransmitir e distribuir o conteúdo, desde que com crédito (ao site e ao autor do texto), para uso não-comercial e com uma licença similar.

Próximos shows

Assinar: RSS iCal