Improvisação no Choro e jazz brasileiro passa por transformação “ininteligível”

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Avenida Rudge, 944, Bom Retiro. Era para esse endereço que Izaías Bueno de Almeida se deslocava com grande alegria, o maior número de noites possíveis, ao longo da década de 1960, em São Paulo. Lá morava Antonio D’Auria, o criador do Conjunto Atlântico, um importante grupo de choro do País, cuja trajetória é contada no livro “Conjunto Atlântico – Uma História de Amor ao Choro”, de José de Almeida Amaral Júnior. No fundo da residência, pertencente à família de D’Auria até hoje, rodas de choro se formavam num estúdio improvisado de cerca de 16 metros quadrados. Em uma dessas noites na casa do saudoso chorão, Izaías estava na roda com seu bandolim, tocando uma das músicas que mais marcaram o início de seu aprendizado no instrumento: “Doce de Coco”, de Jacob do Bandolim. O jovem músico mal conseguiu acreditar em seus olhos quando, naquele mesmo recinto, entrou Jacob do Bandolim, em pessoa. “Eu improvisei na frente dele. Foi uma ousadia da minha parte. Os chorões improvisam, sempre improvisaram. Mas foi uma ousadia fazer uma variação para a música dele perto dele”, recorda Izaías, com certa angústia. “Ele fez uma cara de reprovação. Ele disse que não precisava de parceiros, que a música era bonita por si só. E eu fiquei envergonhado, inclusive. Mas foi o que aconteceu. Voltei a improvisar, mas não na frente dele. O Jacob tinha um temperamento terrível, muito difícil.” Hoje, aos 81 anos, é Izaías quem faz cara feia.

Izaías e Seus Chorões faz show gratuito no E-Scapes

Izaías

O bandolinista Izaías Bueno de Almeida, personagem central na cena do choro em São Paulo, comanda roda de choro com seu grupo, Izaías e Seus Chorões, e ainda músicos convidados. O show acontece na Praça das Artes no domingo 10 de Agosto, às 17h30 horas. A entrada é franca. O show marca a abertura do evento E-Scapes – Conferência Internacional do Design para Performance, que se realiza na Praça das Artes de 10 a 14 de Agosto.

Doce de Coco descendo a ladeira

Trecho da entrevista de Izaías Bueno de Almeida gravada no dia 19 de setembro de 2013 e editada por Thiago Cecilio Domingos. Izaías conta neste trecho o apoio dos pais e, no final, toca “Odeon”, música de Ernesto Nazareth. Para ler a reportagem sobre o músico, que neste ano completa 60 anos de carreira, acesse […]

Izaías do Bandolim quer levar o choro de volta à televisão

Izaias (esq ) e seu irmão Israel Bueno de Almeida (violão) - Foto Ed Figueiredo

Pixinguinha já havia bebido prá burro. E desde que chegou na roda de choro naquela noite da década de 1950 em São Paulo, os amigos pediam insistentemente para que ele tocasse. “Não vim aqui para tocar, eu vim aqui para descansar e ouvir música”, respondia. De tanto insistirem, armou o sax para tocar a valsa “Rosa”, a primeira versão que havia escrito, não a que havia sido gravada. Ele fazia os contracantos enquanto era Jacob do Bandolim que solova. “Foi emocionante, foi de chorar. Só sax e bandolim. Tenha dó. Uma coisa fantástica”, lembra o bandolinista Izaías Bueno de Almeida, que presenciou esse som naquela noite e que lamenta só ter o registro na memória. Aos 76 anos, ele quer fazer um programa na televisão dedicado ao choro.

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