De sofás e garrafas jogadas ao mar

Rafael - original

“Por esses dias o grande medo daquele que faz o livro é o de não saber ao certo se está incorrendo de jogar mais um sofá ao rio.” Esse era o receio de Rafael Gombez sobre o destino de seu livro de poesias “Aonde o corpo se põe”, que ele terminara de escrever cerca de um ano antes de sua morte, em 2009, aos 25 anos. Portador de uma doença incurável, a fibrose cística, a metáfora de mais um produto da sociedade industrial boiando como lixo, na ferida líquida da cidade, possa talvez revelar a cegueira coletiva em que vivemos. Há quem, no entanto, veja em seu livro uma mensagem de um tesouro em uma garrafa jogada ao mar. E que hoje, dia 16 de julho de 2016, data em que o poeta completaria 33 anos, chega até a praia. São mais de 10,3 mil palavras, publicadas agora pela editora Patuá, após o empenho de Bia Lopes e Marcia Matos, amigas do poeta.

Rodrigo Nassif Quarteto prepara novo disco

Rodrigo Nassif Quarteto

Rodrigo Nassif Quarteto, grupo de jazz brasileiro do Rio Grande do Sul, está preparando um novo trabalho inspirado nos grafites de São Paulo e no livro “Ainda estou aqui”, lançado em agosto do ano passado pelo escritor Marcelo Rubens Paiva. Na sexta-feira, 24 de junho de 2016, o conjunto se apresentou em show no Sesc Vila Mariana, em São Paulo. O violonista Rodrigo Nassif, porta-voz e líder da banda, explica que nos últimos dois anos o grupo sofreu grande influência de São Paulo, devido à quantidade de shows realizados na cidade, o que não poderia ficar fora do imaginário de suas composições. Com forte influência da música de fronteira, com valsas, chamamés e o tangos-milonga, a banda utiliza dois violões que também flertam de leve com o rock e o pop.

Reconto de conto norueguês se transforma em livro infantil

Cristiane Velasco

Cristiane Velasco canta maravilhosamente bem, mas não se diz cantora. Desde a infância, ela está envolvida no mundo da dança, mas também não se diz dançarina. São desses dois universos que ela cria uma terceira dimensão de sua vida ao contar histórias para adultos e, especialmente, crianças. Agora, pela primeira vez, ela publicará um livro com uma das histórias que ela andou encantando crianças, que será publicado pela Panda Books e que está em processo de captação de recursos por meio da plataforma de crowdfunding Bookstart. “A dança virou uma grande ferramenta para trazer a história para o meu corpo, caracterizar a personagem, costurar histórias. Hoje eu vejo como minhas duas grandes inspirações, além da cultura da criança pequena, que é o brincar. Elas são contadoras de histórias natas, contam as histórias com o corpo inteiro. E com uma inspiração imensa pela cultura brasileira, o povo brincante. Essa expressão do povo brasileiro reúne todas as linguagens. O povo brincante não se diz músico ou contador de história, mas um brincante. Esses são os alicerces do meu trabalho”, diz Cristiane, que também é professora da escola de Antonio Nóbrega, o Instituto Brincante.

Ouvido Absurdo

Taquaritinga 2 - Marcos Tavares Costa MTC

Meia luz, meia noite. A sala está na penumbra, vez ou outra é perpassada por flashes luminosos projetados nas paredes pelos farois dos carros, que atravessam ferozes a encruzilhada onde fica o prédio da família do músico Taquaritinga, que mora em meio ao ruído enlouquecedor do primeiro andar de um condomínio na Vila Madalena, em São Paulo. No meio da sala, avó, avô, pai, mãe e filho do músico, subitamente desaparecido, formam um círculo e acendem uma vela no meio. O avô sussurra primeiro, com a boca flácida e já desdentada, o nome do neto, enquanto que, suavemente, ouve-se ritmos de tambores africanos, cuícas e paus de chuva. Todos dão as mãos e começam a fazer uma roda. Aos poucos, o ritmo se acelera e o sussurro ganha as proporções de uma canção em alto tom, puxada pela mulher do instrumentista, que pergunta:

“A imitação da Rosa”, conto escrito por Clarice Lispector, inspira série de pinturas de mulheres-plantas

Primavera

O conto “A imitação da Rosa”, de Clarice Lispector, presente no livro “Laços de Família”, instigou a criatividade do pintor Giuseppe Buoso Filho, mais conhecido como Giu. Ele lera o conto na década de 1970 e, desde então, pintou 30 quadros a partir da epifania de Laura, personagem do conto: a ausência da beleza de um vaso de rosas, que é dado a uma amiga, faz-lhe sentir vontade de ser a própria flor. É por isso que os quadros de Giu retratam corpos de mulheres a partir dos quais crescem galhos, folhas, flores, num eterno transformar-se em meio à natureza, muitas vezes exuberante, muitas vezes primordial. “Eu desenho desde criança. Desde pequeno, via meu pai e minha mãe desenhando. Ele desenhava perspectiva de móveis, pois tinha fábrica de móveis; e minha mãe pintava telas”, diz Giu.

Kid Vinil lança biografia e sonha em escrever novo livro

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Um dos mais carismáticos roqueiros do Brasil chega aos 60 anos e tem agora sua história publicada: “Kid Vinil: Um Herói do Brasil”, biografia autorizada escrita pelo jornalista e músico Ricardo Gozzi e pelo músico e produtor Duca Belintani, será lançada entre o fim de março e o início de abril, pela editora Edições Ideal. O livro, com 160 páginas, conta um pouco da história de Antonio Carlos Senefonte, o Kid Vinil, cuja paixão pela música o fez cantor, guitarrista, escritor, jornalista, radialista, executivo de gravadora e apresentador de televisão. Como músico, ganhou notoriedade nacional ao criar sucessos nos anos 1980 como “Sou Boy” e “Tic-tic nervoso”, sem contar o conhecimento musical que o fez um dos mais queridos apresentadores de televisão do País, apresentando em primeira mão bandas como Ira!, Ultraje a Rigor, The Smiths, Pixies e R.E.M..

“Vivemos como se não morrêssemos”

Rondon de Castro

O que é mais estarrecedor em uma obra de arte é a sua capacidade de transmitir, pela sua beleza estética, os dissabores das maiores tragédias da humanidade. Em “Retirantes”, quadro que integra o acervo do Museu de Arte de São Paulo (Masp), Cândido Portinari deixa transparecer a morte nos traços desfigurados de nove pessoas, adultos e crianças, que fogem da seca. As técnicas de pintura, a mistura das cores, fazem com que o óleo sobre tela seja magnífico, embora extremamente triste. Mas a vida é, em última instância, valorizada pelo artista. Guardada as devidas proporções, caminha no mesmo sentido o jornalista Rondon de Castro em “A morte como companhia”, livro de 130 páginas, lançado em setembro de 2014 pela editora Rio das Letras.

Um gestor do além

Sidemberg Rodrigues Mar Complementaridade

Imagine ser escolhido para gerenciar uma área com a qual jamais trabalhou. E, no primeiro dia de trabalho, em meio a planilhas e a busca de fixar nome e a função de cada um da equipe, um espírito surgisse a seu lado pedindo para mandar uma mensagem do além para uma funcionária. Foi exatamente isso que aconteceu com Sidemberg Rodrigues, gerente de Comunicação, Responsabilidade Social e Relações Institucionais da ArcelorMittal Tubarão, que revela seu poder mediúnico no livro “Complementaridade”, lançado no dia 20 de agosto no Espírito Santo. A revelação do executivo, feita pela primeira vez em público, explica em parte o seu envolvimento visceral com que chama de “sustentabilidade em seis dimensões”, que começou a ser aplicado na companhia em 2003.

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