Encontro entre a metrópole e o interior

ze-brow

Um dos pioneiros na mistura de rap com repente, coco e embolada, o músico pernambucano Zé Brown também é conhecido por ter ajudado a criar, em 1988, o grupo Faces do Subúrbio, primeira grande referência do rap nacional feito fora do eixo SP-Rio. Ao lado de nomes como Racionais, Câmbio Negro e Gog, o Faces do Subúrbio e seu MC Zé Brown foram fundamentais para a expansão da cultura hip-hop no Brasil a partir dos anos 1990. Embolador, rapper e compositor, nos últimos quatro anos Zé Brown se dedicou à pesquisa de culturas regionais para compor as músicas do álbum “Poesias do Povo”, com lançamento previsto para o início de 2017. Gravado no estúdio Medusa, de São Paulo, com direção musical de Janja Gomes (filho do percussionista João Parahyba), o disco apresenta uma síntese do diálogo que Zé Bown vem propondo entre o hip-hop e a cultura popular brasileira, a metrópole e o agreste, o interiorano e o urbano.

Matéria Rima vence prêmios do Itaú Unicef 2015

Matéria Rima Itaú Unicef

Depois de ter sido incluído entre os 32 vencedores regionais da edição 2015 do prêmio Itaú Unicef, o Matéria Rima, que explora a Cultura Hip Hop como estratégia de aprendizagem, foi um dos ganhadores nacionais da 11ª edição da premiação. O resultado foi anunciado em 26 de novembro, no Auditório do Ibirapuera, em São Paulo. Este ano o prêmio Itaú Unicef recebeu 1947 inscrições. O Matéria Rima surgiu em 2002, em Diadema, um dos berços do hip hop da região do ABC Paulista. Atualmente o projeto atende mais de 900 crianças da rede municipal de ensino da cidade. De 10 a 12 anos, 64 delas estão na escola Sagrado Coração de Jesus, que dividiu com o Matéria Rima o prêmio de 250 mil reais (R$ 50 mil foram ganhos na premiação regional e R$ 200 mil na premiação nacional).

Música em ponto de mutação

Foto de Luís Dávila - Vila Imagem — com Mario Aphonso III em Munhoz MG

É possível que seja mais comum que se imagina a ocorrência diária, em qualquer parte do mundo, de um final de tarde parecido com aquele das últimas cenas do filme “Ponto de Mutação” (Mindwalk, EUA, 1990), inspirado no livro “O Ponto de Mutação”, de Fritjof Capra (1983). No filme, uma cientista, um político e um poeta debatem as barreiras para se colocar em prática uma nova visão da vida não mais baseada no modelo cartesiano, que reduz o tempo e o homem a máquinas, mas em uma perspectiva integrada, em um sistema complexo de relações. Debates como este do enredo do filme estão na base de movimentos como o de defesa do meio ambiente, que floresceu em escala planetária nos anos 1980, de novas abordagens científicas, além de instigaram novas concepções sobre a cultura e a arte. Independentemente de terem visto o filme e compartilharem ou não as ideias sobre a teoria dos sistemas e da física quantica, dois artistas brasileiros de universos diferentes tiveram um por do sol semelhante ao do filme, representando o poeta, aquele que constrói a invisível teia de sentidos de uma nova forma de estar no mundo. Mario Aphonso III e MC Joul, cada um do seu jeito, criaram movimentos artísticos e sociais a partir da fusão da cultura brasileira com a norte-americana e a oriental, promovendo uma mudança de percepção estética e educativa.

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