“Nesse Trem” a vida é boa

SOM D'LUNA - NESSE TREM 3

Os trens desenhados na capa do CD “Nesse Trem”, trabalho de estreia do grupo paraibano Som D’Luna, desafiam a gravidade. Eles rodam deitados em paredes de cubos, sobem morros em 90 graus, atravessam casas, divisando em seu horizonte o sol e a lua. A ideia foi fazer desse modo de transporte, tão maltratado no Brasil, uma metáfora da vida. “O trem passeia pelos cubos sem direção certa, sem gravidade. Isso é para simbolizar a vida da gente, que não tem uma direção certa. O que podemos fazer são escolhas”, explica Vitor Luna. Ele e o irmão gêmeo Diogo, acompanhados de uma excelente banda e produtor, conseguiram criar um CD com 11 músicas que irradiam poesia e otimismo, numa visão pró-ativa desse nosso trilho de cada dia. “A gente sempre diz que o intuito é ser um disco otimista, de levar boas energias para quem o escuta. ‘Que o som te leve a bons lugares’, essa é a dedicatória que faço em todos os discos que autografo. E isso é muito sincero.” Os cubos da capa também representam o ofício daquele que constrói a sua realidade, que transforma o seu mundo. Mas, para chegar a esse resultado, os irmãos Luna viram o “trem” quase virar de cabeça prá baixo. Não é coisa de mineiro! Calma lá! E se você chegou a ler até esse ponto, prepare-se porque o trem está partindo!

Vivi Rocha lança “Entreatos”

Vivi Rocha, Entreatos - Foto Karen Montija (38)

“Entreatos”, primeiro CD autoral de Vivi Rocha, será lançado em show no dia 30 de maio, às 21h, no Teatro Viradalata (Rua Apinajés 1387, Sumaré, R$ 25). O nome do trabalho revela um pouco da história da compositora, que há dez anos integra o Coro Lírico do Theatro Municipal de São Paulo. O momento seguinte para o início de um novo ato em uma apresentação de música erudita revela o momento em que o ser é plena potência, prestes a materializar no palco o sonho de um compositor. Com influências do tango argentino, do pop e da MPB, a artista compôs e arranjou 11 canções que tocam fundo em temas como o amor, a solidão, o sentimento de impotência e a exposição da vida em redes sociais.

Fernando Grecco se reinventa em “Repente da Palavra”

Fernando Grecco - Foto de Tarita de Souza

Fernando Grecco ficou conhecido no meio musical brasileiro por ter criado, em 2009, o selo Borandá. Essa iniciativa deu vida a novas obras de artistas importantes da MPB e da música instrumental brasileira, como Chico Saraiva, Marcelo Pretto, Swami Jr., Ná Ozzeti, Antonio Loureiro, Dani Gurgel, Toninho Ferragutti, Bebê Kramer, entre outros. O que poucos sabiam é que, no fundo do peito de Grecco, sempre bateu uma profunda vontade de tocar e compor. Essa pulsação artística foi materializada no dia 24 de maio de 2017, quando foi lançado, em plataformas digitais, e em versão física, o EP “Repente da Palavra”, com quatro canções autorais. “A partir do EP, meu desejo é trilhar o caminho como cantautor, músico e produtor musical. Até posso fazer produção executiva, mas meu objetivo agora é a música”, afirma o artista, que deixou o dia a dia do selo para se dedicar à arte. O lançamento do EP aconteceu nas plataformas digitais, e também como CD físico, que traz na capa a xilogravura “O Diálogo”, de Gilvan Samico (1928-2013).

João Donato inaugura casa de shows em SP

Tupi or not Tupi - João Donato - Foto Cristina Granato

Músico lendário na cena musical brasileira, o pianista João Donato faz, nesta quinta-feira (16/03), o show inaugural do Tupi or not Tupi, nova casa de espetáculos na Vila Madalena, em São Paulo. Hoje, no entanto, o espaço já está com os seus 110 lugares reservados. Donato, que viveu por mais de uma década nos Estados Unidos, é referência internacional da Brazilian Music da geração dos anos 1950 e 1960, com seu som meio bossa nova, meio puro jazz, meio música latina. Ele estará ao piano, tendo Arismar do Espírito Santo como convidado especial e com a participação do percussionista Cléber Almeida. No cardápio, bossa-nova, samba, baião, bolero, jazz e clássicos como “Amazonas”, “A Rã”, “Nasci para Bailar”, “Minha Saudade” e “Até quem Sabe”.

Anna Tréa “somos nozes”

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A música tem as suas mágicas, disse-me uma vez Milton Nascimento. E não é que ele estava certo? Desde que comecei a prestar atenção nisso, entendi que ouvir e tocar abrem sempre novos horizontes nunca antes imaginados. Hoje, dia 30 de outubro, às 20h, mais uma prova de que é só ficar atento para perceber o quanto de magia há entre aqueles que fazem um som. É que o programa Sons do Brasil, do músico e produtor Sérgio Sagitta, que vai ao ar aos domingos pela Rádio USP (93,7 FM), vai entrevistar a cantora, compositora e violonista Anna Tréa. Ela está lançando “Clareia”, o seu primeiro de muitos outros CDs que com certeza virão. Como ela gravou o CD, que tipo de som ela faz, o que ela tem a ver com a “Árvore Somos Nozes”? Ah, meu amigo, escute o programa, todas as suas dúvidas serão esclarecidas. E também porque ela vai tocar umas três músicas ao vivo. Eu, que já tenho em mãos o CD, posso dizer que acaba de nascer uma das maiores cantoras do Brasil.

Há Hélio no fim do túnel

Helio no túnel da Lapa de Baixo em SP

A Lapa de Baixo, em São Paulo, é um retrato da pobreza do Brasil. Longe dos espigões da Avenida Paulista, dos escritórios moderninhos das Avenidas Berrini e Faria Lima, as proximidades da estação da Lapa, da CPTM, concentram o maior número de camelôs por metro quadrado. A Rua 12 de Outubro é tomada, de ambos os lados, por vendedores ambulantes, de tal forma que parece impossível transitar pelas calçadas. No fim da rua, há um túnel de cerca de 30 metros, que passa por debaixo dos trilhos da CPTM, que também fica repleto de vendedores. Gente que merece trabalhar, sem ameaças de apreensão de mercadorias, gente sofrida demais. É possível comprar no túnel cigarros, roupas, uva, maçã ovos de páscoa, CDs, DVDs, chocolates, barbeadores e uma infinidade de produtos. Entre pastores evangélicos pregando a palavra do senhor e rapazes entregando santinhos de bordeis, uma voz se sobressai sobre a multidão. É a voz do violonista e cantor Hélio, 50 anos.

Marcos Eiras lança EP “Entre Outras Coisas”

“Entre Outras Coisas” é um trabalho autoral, um registro de seis composições novas que não deixam suas influências de lado. Composto por Marcos Eiras, que cantou nas seis faixas, o EP traz em sua essência a soma do coletivo. Isso fica claro na primeira faixa (“Equilibrista”). Logo na introdução ouvimos o azeitado naipe de metais formado pelos músicos Sidmar Vieira (trompete e flugelhorn), Douglas Antunes (trombone) e Daniel Perroni (Flauta). Na música “Passagem” a sutileza do baixo de Israel Lúcio se destaca junto ao swing da bateria de Jota Erre. O solo de piano de André Freitas nos remete paisagens conhecidas, como quem anda pelo calçadão à beira mar do Rio de Janeiro.

Músico maranhense teve que dar relógio em troca de comida para não passar fome em São Paulo

Caminhos de Papete

O músico maranhense José de Ribamar Viana, o Papete, está escrevendo um livro contando a história de sua vida, desde os apuros que passou ao chegar em São Paulo, em 1968, até as conquistas, como gravar 23 CDs, conhecer músicos admiráveis, subir ao palco de prestigiados festivais, como o de Montreaux, na Suíça, e ser reconhecido como um dos maiores percussionistas do mundo. Papete lançará em São Paulo, em novembro, o contagiante CD duplo “Sr. José” e o livro “Os Senhores Cantadores, Amos e Poetas do Bumba Meu Boi do Maranhão”, que eterniza a vida de 34 mestres do Bumba Meu Boi. Nos dias 6 e 7 de agosto, a reportagem do blog entresons pode ficar bem perto deste músico culto e polêmico, que conhece os ritmos dos toques das mais variadas tradições da cultura popular brasileira.

Onde o rio encontra o mar

Papete (1)

O trabalho do músico maranhense José de Ribamar Viana, mais conhecido como Papete, pode ser comparado à água: é tão vital quanto o líquido precioso que alimenta a terra. Papete completará 68 anos em novembro, mês que escolheu para fazer o lançamento em São Paulo de dois trabalhos, já lançados no Maranhão, que mostram a profundidade da cultura popular maranhense e sua projeção no mundo enquanto cultura pop. O primeiro é o livro “Os Senhores Cantadores, Amos e Poetas do Bumba Meu Boi do Maranhão”, no qual revela a história dos 34 mestres mais representativos do Bumba Meu Boi no Estado; o segundo é o CD duplo “Sr. José… de Ribamar e outras praias…”, verdadeira fonte da juventude do artista, que ao usar técnicas de gravação e levar um espírito de esperança em sua interpretação o faz soar como um garoto de 20 anos.

Núcleo Contemporâneo chega à maioridade cultivando a independência

Casa do Núcleo

Um dos principais desafios de um artista é conseguir sobreviver com a cultura que ele produz. No caso específico dos músicos da chamada música instrumental, ou jazz brasileiro, a questão é ainda mais delicada. E um bom exemplo de que é possível conciliar arte, sem concessões ao mercado, com retorno financeiro que dê o mínimo de dignidade ao artista é uma iniciativa que foi lançada em 1997: o Núcleo Contemporâneo, que é ao mesmo tempo produtora e gravadora, e que lançou há quatro anos em São Paulo a Casa do Núcleo, um local de encontro dos artistas relacionados ao movimento e seu público. Nesses 18 anos, a iniciativa que deu certo e produziu 45 CDs e distribui outros 45, de artistas como Na Ozzetti, Naná Vasconcelos, Marco Pereira e Hamilton de Holanda, entre outros. Ao todo, foram vendidos 120 mil CDs.

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