Um brasileiro na banda de Garbarek

Yuri Daniel1

Reconhecido como um dos maiores saxofonistas do mundo, uma verdadeira lenda viva do jazz, o norueguês Jan Garbarek tem em sua banda atual a companhia de um brasileiro. Nascido em Recife e criado em Curitiba, o contrabaixista Yuri Daniel toca há dez anos com Garbarek. “Sou um grande fã dele”, diz Daniel, em entrevista por e-mail ao entresons. Garbarek está presente em mais de 70 discos da cultuada gravadora alemã ECM, que no ano passado abriu o seu catálogo para os aplicativos de streaming de música. O músico, que ganhou fama internacional na década de 1970 ao integrar o quarteto do pianista americano Keith Jarret, gravou discos históricos na companhia do brasileiro Egberto Gismonti e do contrabaixista Charlie Haden, como “Carta de Amor”, “Folk Songs” e “Mágico”.

Uma meditação latino-americana

Luis Leite PB

Por mais revoltante e injusto que o mundo nos pareça, só com amor é possível mudar a nossa perspectiva para uma sociedade mais justa. “Vento Sul”, o terceiro CD autoral do violonista carioca Luis Leite, dá grande colaboração nesse sentido ao fazer um convite a um tipo de introspecção que não tem nada de passivo. Lançado no final de 2017, o trabalho pode ser considerado um mergulho na essência da América Latina, de suas veias até hoje abertas, e um forte estímulo para a meditação sobre quem somos, o que queremos e para onde vamos. O disco físico pode ser adquirido pelo site do artista (R$ 30) ou por download no mesmo endereço eletrônico (R$ 15). O violinista não disponibilizou o CD em plataformas de streaming por questões estéticas e econômicas.

Ventos do Oriente

Tarabando Zikir Trio

O Bando de Seu Pereira divulga o vídeo da música “Tarabando”.

O interior da boa música

JAZZ-roger

2017 termina com dois eventos muito importantes para a cultura brasileira. Começa hoje (4/12), em São Carlos, a 14ª edição do Chorando Sem Parar. Até domingo (10/12), o evento celebra a obra de Aníbal Augusto Sardinha (1915 – 1955), mais conhecido como Garoto, “o gênio das cordas”. E na quarta-feira (6/12) tem início o Festival Serrinha Instrumental, na zona rural de Bragança Paulista, com extraordinários músicos brasileiros que se apresentam, até domingo, em uma antiga fazenda que produzia café e virou um museu à céu aberto. Esses dois festivais comprovam que o interior de São Paulo não tem apenas festa de peão boiadeiro, sertanejo, gospel e brega music. É preciso respeitar o gosto de cada cidadão, respeitar o direito à fé e à catarse. Mas são gêneros já sustentados por uma rica indústria, com domínio de grande parte dos meios de comunicação tanto da antiga quanto da nova era.

O jazz terá a sua vez

Bruno Vieira2 CEO Deezer Brasil Crédito da Foto Roger Marzochi

Apesar de a Deezer Brasil estar apostando todas as suas fichas na música gospel no País, o jazz terá um pouco mais de espaço na plataforma de streaming de música em 2018. Bruno Vieira, CEO da Deezer Brasil, disse na última terça-feira (28/11), em coletiva de imprensa em um dos ícones do gênero no País, o Jazz nos Fundos, que artistas da música instrumental brasileira poderão ser chamados para o estúdio que a companhia inaugurou em sua sede, em Pinheiros, em agosto deste ano. “Claro! Total! 2018 dirá”, disse o executivo, ao ser questionado pelo entresons. A empresa francesa de streaming de música, presente em 180 países, é a terceira maior do mundo e ocupa o segundo lugar no Brasil, atrás do Spotify. “Temos um consumo grande de jazz (na plataforma). Temos rádios especializadas de jazz, temos um editor de jazz e está crescendo conteúdo para cada gênero. Por mais que a gente esteja falando de sertanejo e gospel, sob o ponto de vista de massa, isso não tira o nosso foco e interesse em trabalhar cada nicho.”

Forró Pé de Terra

Bando do Seu Pereira Didier Lavialle

Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira já denunciavam em “Asa Branca” o impacto da seca no sertão. Hoje, a sua poesia da tristeza de ver o gado morrendo por falta de água, o chão ardendo qual fogueira de São João, deixa de ser uma constatação do homem frente à força da natureza. Conscientes de que o ser humano tem capacidade de influir no meio ambiente, tanto para o bem quanto para o mal, um grupo de músicos e pesquisadores formou em 2015 o Bando do Seu Pereira, que apresenta nesta segunda-feira (27/11) o seu primeiro single no SoundCloud: “Tarabando”. A partir do poder de comunicação e poesia proporcionados pelo forró, o grupo se inspira em causas ambientais, como crise hídrica, consciência ambiental, imigração e dilemas da especulação imobiliária em suas canções, de tal forma que pode se dizer que foi criado um novo estilo do gênero no País: o Forró pé de Terra, uma homenagem de ativismo ambiental ao querido e tradicional Forró Pé de Serra.

Perspectivas da solidão

Rodrigo Bragança Crédito de Tárita de Souza

Você já se deparou com uma obra de arte da qual não gostou? É uma pergunta salutar num momento em que surgem movimentos querendo a censura de exposições de arte no Brasil. Pois eu me vejo em situações parecidas, sem, no entanto, querer calar qualquer expressão artística. No mês passado, recebi pelo Correio “Solo para um homem só”, CD do guitarrista, compositor e poeta Rodrigo Bragança. Senti um grande incômodo, minha primeira reação foi a de não gostar do trabalho, no qual o artista expressa uma das doenças que mais assolam a humanidade: a solidão, que é, muitas vezes, a porta de entrada da depressão. Explorando timbres de sua guitarra e usando sintetizadores, Bragança declama alguns de seus poemas, contidos no livro que leva o mesmo título do CD, e que deu origem ao seu som sombrio. O trabalho também está disponível no Deezer, aplicativo de streaming de música.

Um ouvido na cabeça, outro no coração

capa_circular Santiago CHile

No início de outubro, peguei uma gripe poderosa. Como reflexo, sofri uma infecção no ouvido direito, que causou uma dor absurda até o penúltimo domingo, e que me deixou surdo nesse hemisfério. A previsão é que eu volte a ouvir – se Deus quiser – daqui a dois meses. A vida continua. Mas, com o ouvido esquerdo, foi possível sentir novos sons: o compositor e baterista alagoano Carlos Ezequiel lançou “Circular”, uma experiência jazzística polirrítimica poderosa, com a participação de dois músicos estrangeiros convidados; o violonista baiano Gabriel Santiago, músico premiado nos Estados Unidos, apresentou “Traveler”, altamente inspirador na melodia e em seus vocalizes; e o pianista Tomás Improta veio com “Olha Pro Céu”, disco solo no qual interpreta músicas de Tom Jobim, Ary Barroso, Edu Lobo, Torquato Neto, Villa-Lobos, Cole Porter e composições próprias. Todos os discos estão no Deezer, meu serviço de música por streaming.

Camba(i)lhota

2Mula Sem Cabeça20150714_Serrinha_ResidenciaMusical_WalterCosta_MG_1378

“Quando eu vou assistir um concerto, um show, eu espero sair melhor do que entrei. Aquilo tem que transformar minha vida de alguma forma.” A frase do baterista e compositor Magno Bissoli, em entrevista a este blog em 2014, revela a transformação que a arte pode operar no público. E, entre os músicos, ocorrem transformações parecidas, ainda mais quando são realizadas as chamadas “residências artísticas”, que reúnem artistas de outras regiões e países. Em 2015, o festival Arte Serrinha, que é realizado em uma antiga fazenda que produzia café em Bragança Paulista, no interior de São Paulo, promoveu pela primeira vez em sua história um encontro de músicos brasileiros e estrangeiros. Como resultado desse encontro, nasceram muitas músicas inéditas, eternizadas no CD-DVD “Música na Serrinha – 10 dias de criação”, lançado no início de setembro pela gravadora Núcleo Contemporâneo.

Vida áspera, som aveludado

Maurício Mohamed - Crédito Foto José Cardoso

A música quase perdeu Maurício Mohamed para o futebol. Aos 15 anos, o músico deixou de lado a flauta transversal que começara a estudar aos dez para partidas da principal paixão nacional. Azar da seleção brasileira, sorte da música instrumental. Em 2015, o flautista e saxofonista lançou “Velvet Sounds”, seu primeiro CD. O trabalho apresenta arranjos instrumentais para lados B de compositores como Tom Jobim, Milton Nascimento, Mozar Terra, João Donato. Desde então, Mauricio tem realizado apresentações dessas músicas nos bares de jazz de São Paulo. E, na mente, o gostinho de quero mais: o músico planeja um segundo CD, incluindo agora um dos mais antigos dos instrumentos musicais: a voz.

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