Camba(i)lhota

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“Quando eu vou assistir um concerto, um show, eu espero sair melhor do que entrei. Aquilo tem que transformar minha vida de alguma forma.” A frase do baterista e compositor Magno Bissoli, em entrevista a este blog em 2014, revela a transformação que a arte pode operar no público. E, entre os músicos, ocorrem transformações parecidas, ainda mais quando são realizadas as chamadas “residências artísticas”, que reúnem artistas de outras regiões e países. Em 2015, o festival Arte Serrinha, que é realizado em uma antiga fazenda que produzia café em Bragança Paulista, no interior de São Paulo, promoveu pela primeira vez em sua história um encontro de músicos brasileiros e estrangeiros. Como resultado desse encontro, nasceram muitas músicas inéditas, eternizadas no CD-DVD “Música na Serrinha – 10 dias de criação”, lançado no início de setembro pela gravadora Núcleo Contemporâneo.

Vida áspera, som aveludado

Maurício Mohamed - Crédito Foto José Cardoso

A música quase perdeu Maurício Mohamed para o futebol. Aos 15 anos, o músico deixou de lado a flauta transversal que começara a estudar aos dez para partidas da principal paixão nacional. Azar da seleção brasileira, sorte da música instrumental. Em 2015, o flautista e saxofonista lançou “Velvet Sounds”, seu primeiro CD. O trabalho apresenta arranjos instrumentais para lados B de compositores como Tom Jobim, Milton Nascimento, Mozar Terra, João Donato. Desde então, Mauricio tem realizado apresentações dessas músicas nos bares de jazz de São Paulo. E, na mente, o gostinho de quero mais: o músico planeja um segundo CD, incluindo agora um dos mais antigos dos instrumentos musicais: a voz.

A musicalidade da dança do ventre

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A dança do ventre é contagiante tanto para quem dança como para quem assiste. É raro, no entanto, que essa arte seja praticada no Brasil com instrumentos acústicos. As raízes dessa expressão cultural se esvaem, petrificadas na repetição mecânica de canções que, em sua expressão viva, possuem nuances e peculiaridades, capazes de enriquecer os gestos corporais. Mas um curso, que tem início no domingo, dia 27 de agosto, em São Paulo, resgata a essência desse diálogo inseparável e simultâneo do corpo com os sons: “Musicalidade para a Dança”. O primeiro dia de aula, sobre “História da Música Oriental”, ocorrerá na Fundação Tarab, e é aberto para o público em geral. Os outros quatro dias de curso, que se estenderão em setembro, outubro, novembro e dezembro, são mais indicados a dançarinos, e serão realizados no Instituto Caleidos, centro de dança contemporânea liderado pela arte-educadora Isabel Marques.

Um xamã fusion

João Taubkin Foto Crédito de Antonio Brasiliano

“Olha embaixo da sua cama!” João Taubkin, então com 14 anos, correu para o quarto, esperando encontrar um pedal de guitarra overdrive, que havia pedido de presente para o pai, o pianista Benjamim Taubkin, que viajara para um show nos Estados Unidos. Mas, para sua decepção, o que lá estava era um baixolão, um contrabaixo acústico, parecido com um violão. “Não foi amor à primeira vista”, diz o músico. Presentes inesperados como esse mudaram a vida do garoto para sempre. Hoje, compositor e baixista consagrado, João aprendeu a surpreender seu público, que poderá ver em setembro vídeos inéditos do artista nas redes sociais. O CD, enquanto objetivo máximo de um músico, já é coisa do passado na era digital. A produção de seus próprios projetos e a realização de shows, com muitos parceiros, transformou a vida do baixista em uma aventura frenética, com projetos sobre a confluência entre a música e a dança e a retomada de um som hipnótico que fizera em trio, e que agora terá nova formação em quarteto.

Nos porões da dor

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Há discos que são eternos, especialmente porque conseguem encontrar poesia onde há uma imensa dor. Letieres Leite, na Bahia, e Jorge Marciano, em São Paulo, são dois artistas mestres nesse campo, com trabalhos que expressam em arte o sofrimento dos negros trazidos da África para o Brasil.

O tempo é agora

Paulio Celé Jazz nos Fundos

“E se meu tempo não fosse agora” será o nome do primeiro CD do guitarrista, arranjador e compositor Paulio Celé. O trabalho, que deve ficar pronto entre agosto e setembro de 2017, vai enriquecer ainda mais a cena da música instrumental brasileira, mais especificamente, a da chamada Música Universal. A expressão, criada pelo multi-instrumentista Hermeto Pascoal, refere-se a um jeito de tocar que ressoa influências musicais planetárias, sem ser possível a definição de um gênero específico. Em fevereiro do ano passado, o guitarrista Alex Lameira também mergulhou nessa fonte, apresentando o seu primeiro CD, que está pleno desse espírito. O disco era para se chamar “Saudades do Sol”, mas com início das gravações em estúdio novas sensações apontaram para outros caminhos.

Um São João na Suíça

1Salomão Soares por Luan Cardoso

Aos 27 anos, o pianista, arranjador e compositor Salomão Soares é o único brasileiro e latino-americano entre os dez semifinalistas do Montreux Jazz Piano Solo Competition 2017, disputa que ocorrerá entre os dias 2 e 3 de julho na Suíça, que faz parte do renomado festival Montreux Jazz Festival, o segundo mais importante festival de jazz do mundo. O festival, que é realizado entre os dias 30 de junho a 15 de julho, nasceu em 1967 e se tornou uma das mais importantes vitrines da música popular brasileira, com apresentações histórias de Hermeto Pascoal, Tom Jobim, Caetano Veloso e Gilberto Gil. Soares nasceu em Guarabira (PB) e foi criado em Cruz do Espírito Santo, também na Paraíba. Desde muito cedo teve a sua musicalidade despertada por influência do pai José – percussionista – e da mãe Maria José – violonista que brindava com música todas as festas da família. O músico cresceu num pedaço de Nordeste musicalmente privilegiado do Nordeste. Ao mesmo tempo em que começou a estudar teclado, entrou para a banda marcial tocando saxofone, batendo triângulo, zabumba e pandeiro, embalado pelas festas de São João. “Com certeza o forró do São João foi o mais importante na minha formação musical.”

“Nós S/A” é uma defesa contundente da cultura

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Não é fácil representar uma classe social, imagine então, toda uma sociedade. Mas foi bem isso o que conseguiu fazer “Nós S/A”, performance que o grupo de dança contemporânea do Instituto Caleidos, em São Paulo, apresentou entre os dias 10 a 19 de março. Em um momento em que vários grupos artísticos da cidade protestam contra o contingenciamento de 43,5% da verba da Secretaria de Educação de São Paulo, que inviabiliza espetáculos de teatro, dança e música, a diretora Isabel Marques, uma artista-educadora, levou o público a uma reflexão profunda não apenas do absurdo da administração João Dória (PSDB), mas a configuração de toda a sociedade, fundamentada no lucro exacerbado de poucos. “Nós S/A explora, por meio da dança, o universo da apropriação do espaço urbano pela lógica do mundo corporativo”, explica o folheto, entregue logo na entrada do espaço, criado em um antigo galpão na Lapa, zona oeste da capital. “O mundo dos negócios atuando sobre o espaço e sobre os corpos do mundo.”

Bruna Milani incendeia estreia da TarabJazz

Zikir Trio

A dançarina Bruna Milani levou ao êxtase a plateia que acompanhou a pré-estreia da banda TarabJazz, na sexta-feira 17 de março, no 38 Social Clube, em São Paulo. A banda do multi-instrumentista Mario Aphonso III, criada para tocar a fusão entre o jazz e a música oriental, fez uma primeira entrada apresentando um repertório dedicado à música do oriente, com composições próprias do instrumentista e do compositor libanês Rabih Abou-Khalil. Nessa primeira apresentação, antes do intervalo, foram 50 minutos de muita música oriental, com melodias sopradas em flautas turcas como nay, caval e a flauta indiana bansuri. Após o intervalo, as 20 pessoas que acompanharam a apresentação, viram entrar a dançarina Bruna Milani, envolta em um véu vermelho.

“Sons de Sobrevivência” ecoarão pelo Palacete Teresa

Sons de Sobrevivência

Vida em movimento. Experimentação. Música urbana. Estes são alguns dos elementos presentes nos sete temas do álbum “Sons de Sobrevivência”, disco lançado pela gravadora Núcleo Contemporâneo e premiado internacionalmente. No dia 23 de março, quinta-feira, às 21h30, o palco do novo espaço da Casa de Francisca, o Palacete Teresa, recebe os três músicos criadores do disco para uma noite de música e celebração. Simone Sou, que vive atualmente na Holanda, está no Brasil especialmente para o reencontro com Benjamim Taubkin e Guilherme Kastrup. Juntos eles apresentam curta temporada de shows do disco, lançado em 2015. A primeira desta série de apresentações no Brasil aconteceu em fevereiro, no Sesc Pinheiros, e teve boa receptividade e presença do público. Com carreiras independentes, “Sons de Sobrevivência” é um ponto de encontro entre os três artistas que, por meio da música, experimentam transcender para sentidos mais coletivos e humanos para a vida.

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