“Operação Riga” é um canto místico de liberdade

Victoria Crédito Joana Peressinotto

Música é uma questão de gosto? A repórter e musicista Victória, protagonista do romance ficcional “Operação Riga – Sons entre a guerra e a sublimação”, de Roger Marzochi, sentirá na pele que o som pode destruir, construir e transcender. Enfrentando barreiras para publicar reportagens sobre música no Diário Brasileiro, recebendo muito pouco com as apresentações de sua banda de jazz, Victoria ainda descobrirá segredos sobre sua família que estão intrinsecamente ligados ao mistério dos sons, usados tanto para a guerra quanto para a cura. O ebook chegou na loja da Amazon no domingo, dia 18 de agosto.

Um exercício saudável da melancolia

João Taubkin Quarteto

A essência da música é a sensação que ela provoca em quem toca e quem ouve. É praticamente como ser levado à infância ao sentir o cheiro de terra molhada após uma chuva, ou o sabor de um pavê que você compra num restaurante à quilo e que te faz sentir saudades de uma tia querida. O compositor e contrabaixista João Taubkin explora também as percepções que lhe marcaram a sua vida na música em “Kândra”, novo CD que terá show de lançamento amanhã, dia 7 de agosto, no JazzB. A avó paterna de João era cantora lírica e o pai, Benjamin Taubkin, um pianista extraordinário. “Ela é a semente de tudo isso”, disse-me João, em entrevista em 2017, em um café na Vila Madalena. “O que pegou prá mim de ser músico não foi nem muito uma escolha, foi naturalmente acontecendo. Meu pai me levava desde moleque em shows. Eu lembro com oito anos meu pai ensaiando com a Savana”, explicou o músico.

10 anos de jornalismo cultural

Chris Joao e Dave Crédito Divulgação

Meu sonho no jornalismo sempre foi trabalhar como repórter. Quando comecei a estudar saxofone, em 2005, catando milhos nas partituras e nas chaves do instrumento, fui ampliando minha audição e comecei a nutrir também um grande desejo em escrever sobre música. Eu sempre via os repórteres de cultura dos cadernos dos principais jornais do País como semi-deuses. Seria possível conseguir escrever sobre sensações? Com apoio da jornalista Renata Freitas e do jornalista e escritor Pedro Fávaro Jr eu comecei a trilhar esse caminho. Ao saber que o pianista brasileiro João Carlos Martins estava programando uma apresentação com a lenda do jazz Dave Brubeck iniciei minha apuração. Não me lembro como consegui o celular de Martins. Liguei para o número, mas estava fora de área. Deixei recado. E, num sábado, Martins retornou minha ligação, convidando-me para uma visita ao seu apartamento em São Paulo. Foi um momento maravilhoso, conversamos muito. Ele ligou para Chris Brubeck e combinamos as outras entrevistas. Gravei Martins tocando piano em sua casa, vi um documentário muito emocionante em sua casa e me senti o mais feliz dos seres. É uma pena que a gravação do áudio de todo esse acontecimento tenha se perdido. Agora, em julho, as entrevistas que foram realizadas e a publicação da primeira matéria completam dez anos. Ao longo desse tempo, muitas conquistas e derrotas se passaram, muita coisa aprendi da música e do jornalismo cultural para saber que ainda nada sei. E compartilho com vocês as matérias que produzi à época.

Núcleo Contemporâneo responde com arte à “destruição do País”

Rio Tocantins Estreito Maranhão Crédito Roger Marzochi

É possível pegar um ônibus de uma cidade a outra viajando com a cortina fechada e não ver paisagem alguma. Ouvir o pianista Benjamim Taubkin é como viajar levitando por entre todas as paisagens do mundo. Há 22 anos, a produtora e gravadora Núcleo Contemporâneo, criada pelo músico, segue impulsionando a música instrumental brasileira e, até hoje, lançando CDs, em plena era da música líquida dos streamings. E acabam de sair novidades desse fogo criador: o CD “Encontros”, no qual Taubkin toca com o violeiro Ivan Vilela, trabalho que será lançado em show no Sesc 24 de Maio, no dia 7 de agosto; e “O Piano que Conversa”, CD e DVD com o filme de Marcelo Machado, que acompanhou o pianista em dois países e músicos de cinco nacionalidades, vencedor do Prêmio do Público no Festival in Edit de 2017.

“Vamos sentir a falta de João”, diz Chick Corea

João Gilberto (1983_ por Mario Luiz Thompson)

Os grandes ícones da música têm histórias inusitadas. O bruxo Hermeto Pascoal, por exemplo, gaba-se de ter nocauteado Miles Davis no ringue que o trompetista americano tinha dentro de sua própria casa. E, quem diria, João Gilberto não era apenas o gênio que inventou a bossa nova, mas também nutria grandes habilidades no pingue-pongue. Quem lembra da história é o pianista americano Chick Corea que, a pedido do entresons.com.br, escreveu uma breve homenagem ao músico brasileiro, que morreu no último sábado, dia 6 de julho. “Eu e todos nós vamos sentir a falta do João. Vamos amar a sua contribuição musical para sempre”, afirmou Corea, que no fim de junho lançou o novo álbum “Chick Corea and The Spanish Heart Band: Antidote”, no qual o maestro revisita “Desafinado”, música de Tom Jobim e Newton Mendonça, imortalizada por João Gilberto.

Um antídoto contra a violência

Chick Corea2

Faça amor, não faça a guerra. E o amor pode se expressar de diversas maneiras. O pianista americano Chick Corea compartilha com o mundo a sua contribuição com essa máxima pacifista por meio de sua música, desde dos anos 1960. E, em 28 de junho, o músico com ascendência italiana, mas de coração latino, lançou o álbum “Chick Corea and The Spanish Heart Band: Antidote”, com músicas dos álbuns “My Spanish Heart” (1976) e “Touchstone” (1982). Revisitar grandes clássicos que traduzem o amor de Corea pelo universo latino-americano contou com grandes músicos de diversas partes do mundo, como Cuba, Espanha e Venezuela. E, no jazz, especialmente para artistas que transpiram música como Corea, a música gravada nunca será exatamente a mesma daquela apresentada no palco, tornando uma das expressões musicais mais inovadoras do mundo.

Fora da prateleira

Tchella

Há nove anos, uma cantora independente chamada Glaucia Nasser me disse uma coisa muito importante. Ela explicou que, apesar de ser independente de gravadoras, ela era “dependente” de muita gente: todos os ídolos da música e da arte; sua família, amigos e músicos; e, principalmente, seu público. A multi-talentosa e multi-instrumentista Marcela Brito tem essa mesma visão. Apresentando-se como Tchella, nome artístico que ganhou de seu pai quando se formou em artes cênicas, ela gravou em 2018 o disco “Transmutante”. Em julho, o trabalho completa um ano e será comemorado no dia 13, um sábado, com show acústico com o compositor e multi-instrumentista Antonio Dantas. O evento será gravado, eternizado em DVD, que será batizado de “Acústico Transmutante Ao Vivo”. “Eu preciso de vocês nesse DVD, a participação do público é muito importante, preciso muito que vocês estejam aqui”, diz Tchella em vídeo divulgado nas redes sociais, conclamando seu público, que já a apoiara há 12 meses numa campanha de financiamento coletivo que possibilitou o lançamento do trabalho. “Fizemos esse show no Rio, em maio. E gostei tanto do resultado versão voz e violão e vou trazer esse show para comemorar em São Paulo”, explica a artista em entrevista ao entresons.com.br.

Mais veloz que a luz

Ivo Perelman1

Os impressionistas buscavam captar a luz no exato momento da pintura. Artistas como Van Gogh, por exemplo, chegaram ao extremo. Em seu quadro “Noite Estrelada”, ele retratou a turbulência em espiral que flui na expansão da luz – fenômeno reconhecido até mesmo pela ciência. O saxofonista brasileiro Ivo Perelman vai além. “Quero não só captar a luz, mas tudo”, diz o músico, radicado nos Estados Unidos desde a década de 1980. “Eu tento captar a totalidade da minha experiência corpórea e espiritual, a fisicalidade que me rodeia. E a minha luta e o meu processo é ser cada vez mais honesto com essa captura. E mais eficiente. Busco tirar pensamentos estranhos e distrações e entrar na vibração simplesmente do ser como tal, como zen. Me mesclar com meu meio ambiente, com meus outros manos, com o planeta, com os planetas da Via Láctea e com o Universo. É uma experiência mística, eu nunca quis ser artista para outra coisa.” Expoente mundial do free-jazz, Perelman e o pianista americano Matthew Shipp se apresentarão em São Paulo, dias 11 e 12 de julho, no Sesc Pompeia, com vários motivos interplanetários para comemorar. Na semana da apresentação no Brasil, o duo lançará uma caixa com quatro CDs batizada de “Efflorescence”. Este será o centésimo trabalho da carreira de Perelman, 58 anos, que também completa 30 anos de estrada desde o seu primeiro trabalho, “Ivo”. Há 20 anos, o instrumentista se enveredou pelas artes plásticas e ainda lançará no próximo mês uma plataforma de exibição e de comércio eletrônico de suas obras.

Ebonit, Ébonita!

Ebonit

O saxofone paira sobre o inconsciente coletivo como um instrumento do jazz, mas sua amplitude é gigantesca, passando por grandes nomes do choro e do samba como Abel Ferreira, Pixinguinha e Paulo Moura, ao mundo da música erudita. Pelo fato de ter sido criado em 1840 na Bélgica, grandes compositores eruditos não chegaram a conhecer esse instrumento, que teve impulso no início do século 20 por personagens importantes como Claude Debussy. Mas se depender de um quarteto de saxofones formado na Holanda em 2011, a influência desse instrumento na música clássica será cada vez maior. O Ebonit Saxophone Quartet, que lançou no ano passado o CD “Arabesque”, em homenagem a Debussy, acredita que é uma questão de tempo para que o instrumento cresça no mundo da música clássica contemporânea. “Muitos dos grandes compositores eruditos não tiveram a chance de ‘ser apresentado’ a um saxofone. No entanto, os pais do saxofone clássico Marcel Mule e Sigurd Rascher fizeram um grande trabalho aproximando e convencendo muitos compositores de seu tempo a escreverem para esse instrumento”, diz a saxofonista polonesa Paulina Marta Kulesza, integrante do Ebonit, em entrevista por e-mail ao entresons.com.br. “E não podemos nos esquecer que existem muitos compositores hoje que já escreveram e estão dispostos a continuar escrevendo para o nosso instrumento. Deverá ser muito interessante olhar para essa questão daqui a 200 anos para ver o que mudará.”

Criatividade artificial

Deep Meditations Memo Akten2

A evolução da inteligência artificial chegou ao mundo da arte e da ciência, produzindo músicas, esculturas, pinturas e diagnósticos médicos. Até a capacidade de sonhar do ser humano, que poderia nos diferenciar das máquinas, poderá ser reinterpretada no momento de ascensão da computação quântica, cujo impacto na sociedade é imprevisível. Conheça um pouco da história de artistas e artistas-cientistas que estão preocupados com a mais tênue divisão entre seres biológicos humanos e robôs na busca por sentido estético e impulso criativo.

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