Salimanga para aguçar os paladares

Salimanga

Sal com manga é tão bom que na década de 1980, uma menina que conheço e que não quer revelar a idade, fazia malabarismos para conseguir unir as duas coisas. De sua janela na cidade, ela via o caminhão de areia do vizinho. Pulava a janela, pulava o muro e, uma vez em cima do caminhão, tinha acesso às melhores frutas. E tudo isso ela fazia como uma Indiana Jones, já com a faca e um punhado de sal. Tudo para sentir o efeito do sal na manga, que nas mais verdes, parece que deixa tudo ainda mais doce. É essa aparente contradição, de o sal adocicar a manga verde, e pela delícia que isso provoca no paladar, que surgiu em Brasília uma nova banda: o violonista Bruno César Araújo e o saxofonista Paulo Rogério criaram o Salimanga, que lançará o primeiro CD “Quase Treze”, em julho.

Gustavo Spínola iça velas para navegar “Mares, Rios”

Gustavo Spindola Capa_CD

O cantor, instrumentista e compositor Gustavo Spínola lançará no segundo semestre de 2015 “Mares, Rio”, seu primeiro trabalho autoral. Serão nove faixas que expressam um som de grande sensibilidade, resultado de parcerias muito especiais. É como se, em pleno interior de São Paulo, na cidade de Americana, nascesse um movimento musical que já começa no mesmo nível de qualidade de artistas como 5 a Seco e Hugo Branquinho. Entre os vários mestres de Gustavo, está a pianista e cantora Andrea dos Guimarães, professora inspiradora que ajudou indiretamente o músico a realizar o sonho do primeiro CD. Andrea faz show do seu CD “Desvelo”, no dia 1 de junho, às 21h, no Espaço Cachuera, em São Paulo.

Quintal Brasileiro realiza três shows no projeto Ouvido Absoluto

Quintal Brasileiro (5) - Foto Davilym Dourado (3)

A idealizada versão do quintal como um lugar lúdico se faz em som e tem como um de seus nomes o conjunto Quintal Brasileiro, que se equilibra no muro entre os seus vizinhos “populares” e “eruditos”. Sem receio de levar tiro de sal nos fundilhos ao desejar hora a fruta de um, hora a do outro, seus arranjos e composições autorais são inspiradas de tal forma que por si só dissolvem barreiras de classificação. O que importa não é saber se é erudito, se é popular ou se são ambos, mas quanto os ouvintes ganham nessa soma e quanto os músicos se sentem realizados à medida que o nível de liberdade cresce. O grupo será o primeiro a se apresentar no projeto “Ouvido Absoluto”, da Ato Cultural e Livraria Cultura, com o intuito de abrir espaço para a música de câmara. As apresentações ocorrerão aos sábados, no Teatro Eva Herz, ao meio dia.

Dentista se especializa em tratar músicos de instrumentos de sopro

Alexandre Alcântara e François de Lima trombonista da Banda Mantiqueira

A música pode até surgir no cérebro, a partir de uma inspiração, mas para se materializar em som é preciso bem mais que estudo e o domínio de um instrumento: o corpo tem papel fundamental nesse processo. Além de técnicas de respiração, o uso de toda a boca é determinante no caso de músicos que se expressam por meio de instrumentos de sopro, como saxofone, trompete, trombone, flauta, tuba, entre outros. A conexão exata do corpo do músico com o instrumento de sopro se dá pela chamada “embocadura”, que por meio de uma conjunção de fatores envolvendo os dentes, lábios e a língua, permite a passagem exata de ar pelo instrumento para que ele possa emitir as ondas sonoras das notas musicais. O assunto chamou a atenção do dentista Alexandre Alcântara, em 1995, que se especializou na área.

Pergunte a um poeta, mas nunca a um ditador

Adylson Godoy foto de Claudia Souza

O destino entrelaça caminhos de forma inacreditável, colocando muitas vezes opressores e oprimidos lado a lado. Foi o que aconteceu com o pianista e compositor Adylson Godoy em 1980, quando se apresentou na casa do ditador João Figueiredo. Adylson, que completa 50 anos de carreira, foi censurado pela Ditadura, proibido de gravar “Heroica” e “O General e o muro”. Mas também fez trincheira de resistência. “Eu perguntei a ele (Figueiredo) se o Brasil tinha jeito. E ele, com um copo de uísque na mão, me disse: ‘você já viu cobertor curto?’”, diz Adylson, que 35 anos depois da resposta, chega a usar a mesma metáfora para se referir ao Brasil hoje. Pode se pode completar 50 anos de carreira e achar que Figueiredo estava certo? Seu único deslize talvez seja o de perguntar a um ditador algo que só um poeta pode responder.

Orquestra Atlântica lança o primeiro CD

Orquestra Atlântica 2 (2)

“A música sozinha não é mais nada para as pessoas. Ela sempre está associada a imagens”, diz o saxofonista Marcelo Martins, em uma reflexão sobre o efeito da televisão e do videoclipe na música e, também, na literatura. Para ele, é como se as pessoas deixassem de cultivar a imaginação a partir do som, ou a partir do texto, para construir suas próprias teias de sentido. Essa preguiça semântica pode ser parte da explicação da fama de certas expressões artísticas, que ganham o público possivelmente não apenas porque é priorizado pela mídia, mas também porque há gente que goste. É preciso, no entanto, existir independentemente do gosto da maioria. Assim foi criada a Orquestra Atlântica, em 2012, no Rio de Janeiro, que agora em 2015 lança o seu primeiro CD.

Big Bands ajudaram a cultura afro em Campinas

Érica Giesbrecht Pesquisa Baile 3

O que Glenn Miller, líder de uma das mais famosas orquestras de jazz dos anos 1930 e 1940, tem em comum com o jongo e o samba de bumbo, expressões afro-brasileiras por meio das quais os escravos buscavam manter a dignidade e a memória de sua cultura e que estão vivas até hoje? O que a princípio parece não ter conexão alguma, a não ser pelo fato de serem expressões culturais que receberam influência da diáspora africana na América, torna-se revelador em uma pesquisa de pós-doutorado realizada pela antropóloga Érica Giesbrecht pela USP: bailes glamorosos organizados pela comunidade negra da cidade durante os Anos Dourados, com músicas como “In the Mood” e “Moonlight Serenade” tocadas por orquestras, contribuíram para o fortalecimento de expressões culturais afro-brasileiras na cidade.

“Pós-bossa” vibes!

Show do lançamento do CD “Pós-bossa”, de Magno Bissoli Quinteto.

Jazz após as crianças dormirem

Marcus Almeida1

Muitos músicos de jazz que tocavam em orquestras em bailes restritos dos brancos nos Estados Unidos, saíam do trabalho para tocar em casas noturnas na periferia após os shows, o que ficou conhecido como Jam (Jazz After Midnight). Com o passar do tempo, a Jam ficou popularizada, ampliando seu significado para momentos de improvisação artística livre. Mas para uma série de músicos, que por vários motivos só tocam em bares quando convém, fazer um som em casa após a esposa e as crianças dormirem já é suficiente para manter o espírito criativo da arte. O compositor e guitarrista Marcus Almeida é um exemplo disso.

Pife Muderno lança CD duplo de show ao vivo gravado na China

Carlos Malta

A banda Pife Muderno, que tem como um dos seus idealizadores o multi-instrumentista Carlos Malta, lançará no início de abril o CD duplo “Ao vivo na China”, com shows de apresentação do trabalho nos dias 1 e 2 no Sesc Copacabana, no Rio, e no dia 10, no Auditório Ibirapuera, em São Paulo. A apresentação na China ocorreu em 2011, quando a banda recebeu um convite da embaixada do Brasil em Pequim para realizar um show na sala de concerto que existe na Cidade Proibida, o Forbidden City Music Hall. O teatro, com capacidade para 1.500 pessoas, estava praticamente lotado e o público ficou entusiasmado com a performance da banda, que iniciou o show dentro da sala e terminou no hall de entrada, liderado pelo carisma contagiante do som de todo grupo e da confiança e habilidade musical de Carlos Malta.

Social



Licença de uso

Licença Creative Commons
Os textos do Entresons são publicados com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-CompartilhaIgual 3.0 Não Adaptada.
Você pode reproduzir, retransmitir e distribuir o conteúdo, desde que com crédito (ao site e ao autor do texto), para uso não-comercial e com uma licença similar.

Próximos shows

Assinar: RSS iCal