Jazz brasileiro resiste no interior de São Paulo

JAZZ-roger

Um músico talentoso pode nascer e desenvolver sua arte em qualquer cidade do mundo. Difícil é sobreviver na cidade em que nasceu apresentando seu trabalho, seja porque o incentivo governamental é ainda muito pequeno ou porque as preferências musicais do público são outras. E a música instrumental brasileira, que abarca os ritmos do planeta, sofre para se desenvolver localmente. Mas além de a tecnologia ajudar hoje essa música a se desterritorializar, ganhando o mercado internacional, que tem sido consumidor do som feito no Brasil, novas bandas surgem no interior do País apresentando um trabalho magnífico. Em São Paulo dois exemplos são a banda Adilson Filho e Grupo, em Sumaré, e Pó de Café Quarteto, em Ribeirão Preto.

Uma carta de amor À Deriva

Cau Karam À Deriva

À Deriva lança seu quinto disco com a participação do violonista Cau Karam. “Cau Karam À Deriva – De senhores, baronesas, botos, urubus, cabritos e ovelhas” reforça a ideia de que essa banda é a metáfora de um Brasil mundializado, com todas as suas contradições. Leia a carta de amor do entresons à banda.

Frevo ganha documentário e novo disco da Spok Frevo

Spok Frevo Maestro

Com apoio de leis de incentivo à cultura, o frevo está mais que reverenciado, especialmente entre os meses de agosto de setembro de 2013, com o devido respeito histórico e a prova de que o ritmo brasileiro tem ainda muito espaço para inovações. Isso porque o documentário “Sete Corações”, que revela as lembranças de sete mestres vivos do frevo em Pernambuco, ficará pronto até setembro, como afirma a diretora Andrea Ferraz. A ideia do longa metragem nasceu da luta do maestro Spok em manter viva a história desse gênero que tem 106 anos. E, em agosto, a Spok Frevo Orquestra lança o segundo disco, batizado de “Ninho de Vespa”, que leva o nome de um frevo de Dori Caymmi e de Paulo César Pinheiro, com a participação do próprio Dori e de outros 12 convidados, como Nelson Ayres e Hamilton de Holanda.

O voo da Saracotia

Foto Saracotia

Não é de alpiste que vive a saracotia, a mais nova ave mitológica do Brasil, que pousou de repente no puleiro da imaginação do baterista Marcio Silva. Ao acordar, ela veio instantâneamente. Ele fez uma busca na web para saber se a palavra existia e tudo que achou foi saracotear, o que tem muito a ver com o som que ele faz com Rafael Marques (bandolim de dez cordas) e Rodrigo Samico (violão sete cordas). Saracotia cantou mais alto, fez-se ave do trio pernambucano de música instrumental brasileira criado em setembro de 2008, cujo primeiro disco foi indicado ao Prêmio da Música Brasileira, em sua última edição, nas categorias grupo revelação e melhor grupo de música instrumental. Não levou os prêmios, mas a indicação já foi uma grata surpresa para o grupo, que consegue fazer música de excelente qualidade usando elementos de vários estilos, sem que se torne um mero desfile de modas: a saracotia come chorinho, samba, baião, valsa, frevo, rock, MPB e jazz e vai espalhando sementes híbridas para todos os cantos.

Dário Arruda cobra da Soundscape a “manutenção da MPB”

Dario Arruda

A maioria dos músicos da Soundscape leciona na Escola Municipal de Música de São Paulo e na Escola de Música do Estado de São Paulo (Emesp-Tom Jobim) e, com certeza, passam aos novos músicos o que gostam, que é o jazz. “Prá mim, na minha humilde opinião, isso gera um efeito dominó, pois esta influência traz a resposta e a continuidade da raiz americana e não a manutenção na MPB”, diz Dário Arruda, líder da Orquestra Urbana Arruda Brasil e herdeiro do Cangaceiro, saxofonista e arranjador. O músico se esquece que, além da grade currícular dos cursos que independe do gosto do professor, há professores como Débora Gurgel, Magno Bissoli e Guilherme Ribeiro.

“Die Sonne” inspira três poetas

Emiliano Sampaio Regesburg

A música “Die Sonne”, composta pelo guitarrista Emiliano Sampaio, inspirou três grandes poemas que são fortes candidatos a colaborarem para a riqueza das letras do hip hop nacional, já que essa música instrumental em si já é um prêmio para o jazz, hip hop e funk com a polifonia dos metais e o compasso certeiro da Mere Big Band, que apresentou o tema em show inédito no dia 25 de fevereiro de 2013, no Centro Cultural Rio Verde, em São Paulo. Os poemas trazem uma belíssima percepção sobre o tempo e da arte.

Gui Afif solta a voz com a Orquestra Arruda Brasil

Gui Afif - F.Pepe Guimarães

Saxofonista e integrante da primeira formação da Orquestra Urbana Arruda Brasil, Gui Afif começou a cantar em 2000 e não parou mais. Ontem (15/04), no show realizado no Centro Cultural Rio Verde pelo Movimento Elefantes, coletivo que reúne 11 big bands, Afif mais uma vez deixou o sax de lado e mostrou muita energia ao cantar músicas como “Summertime” e “I’get a kick out of you”, com uma orquestra com naipes afiadíssimos, com 18 músicos no palco.

Improvisações elevam a temperatura da nova fase do Elefantes

Vinicius e Mauricio Barbosa

Improvisações de Ivan Andrade (clarinete), Jorge Cirilo (sax barítono), Maurício Barbosa (bateria) e Matheus Prado (percussão) elevaram a já alta temperatura do show do Projeto Coisa Fina, que abriu na segunda-feira (01) a nova temporada do Movimento Elefantes em sua casa nova, no Centro Cultural Rio Verde, após o fechamento do Teatro da Vila. Impossível dizer qual o ponto alto do show devido à beleza indiscritível dos arranjos, interpretações e sintonia fina dos 13 músicos da big band. A organização do Movimento informou que 62 pessoas estiveram presentes.

RESSACA DE ELEFANTE

Projeto Coisa Fina_Foto de F  Pepe Guimaraes

Os dilemas sobre os caminhos a serem tomados para que um movimento artístico ganhe maior projeção causaram uma crise no Movimento Elefantes, com a saída das big bands Soundscape e Reteté, que criticam o movimento por supostamente seguir o caminho comercial em detrimento da música. Uma das mais importantes iniciativas para difundir a música instrumental, o Elefantes perdeu seu quartel-general no início de 2013, uma vez que o Teatro da Vila, na Vila Madalena, foi fechado. O Elefantes conseguiu fazer um acordo com o Centro Cultural Rio Verde por dois meses, com pagamento de ingresso, e não mais o sistema usado anteriormente, do pague o quanto vale. Os shows começarão em abril. E o Elefantes luta para fazer com que o público compareça e conseguir sobreviver frente a atual crise.

Carambolá faz homenagem a Moacir Santos

Carambolá-Ensaio-Aberto

O octeto Carambolá, liderado pelo guitarrista e compositor João Nepomuceno, faz show sábado (09/03) no Jazz nos Fundos, em São Paulo, fazendo uma dupla homenagem ao maestro Moacir Santos. Além de tocar as músicas do disco “Coisas” (1965), a banda apresentará a música inédita composta por Nepomuceno inspirado pela obra de Moacir Santos.

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