Alice no País de Tomás Improta

A volta de Alice

Após quase 20 anos sem compor, o pianista e jornalista Tomás Improta decidiu gravar seu quinto CD e começou a ensaiar no estúdio do amigo Carlos Pontual, que mora em São Paulo mas tem um espaço para ensaios no Rio de Janeiro. Compôs oito músicas, mas só levou a sério duas. Uma outra ele chegou até mesmo a jogá-la no lixo. Mas Pontual pegou o manuscrito do lixo e mostrou para o amigo que ele estava perdendo uma preciosidade. Mudou umas coisas aqui e alí, e assim nasceu “A volta de Alice”, música que tomou conta do trabalho como um todo até chegar a batizar o CD e a arte da capa, com o desenho de “Alice no País das Maravilhas”, de Lewis Carroll, e fotos do espaço sideral, com várias estrelas e nebulosas bem alinhadas pela designer Aline Carrer.

Pó de Café produz CD descafeinado

Pó de Café 2

Num país no qual é necessário um esforço gigantesco da antropologia para se entender a cultura que cria sucessos estrondosos de forrós maliciosos e sertanejos que cursam o terceiro grau, prioridade da grande mídia mas que são também ancorados por ávidos fãs, é positivo a existência de artistas que criem obras mais elaboradas e que sejam sim comerciais, mas não puro reclames publicitários. No entanto, há também bandas nesta área que parecem tropeçar na criatividade, como o grupo de jazz Pó de Café, de Ribeirão Preto, que lançou em novembro de 2015 “Amérika”, seu segundo CD, e que tem realizado no início de 2016 shows com o novo trabalho. Não é uma questão de gostar ou não das composições, uma vez que a qualidade é a de quem ouve, mas sim de questionar o conceito do trabalho.

Hector Costita tocará o “jazz do dentista” em Curitiba

Hector Costita - Foto de Rogério-Vieira_2014_05_16_3819 - Itaú Cultural

Compositores sempre se inspiraram em mulheres encantadoras, amores indizíveis, utopias sociais e até mesmo, dizem as más línguas, em homenagem a seu próprio traficante, como no caso de “Moose the Mooche”, do saxofonista Charlie Parker. O saxofonista e compositor Hector Costita, de 81 anos, inspirou-se em seu dentista na sua mais nova composição jazzística, que estará presente em seus shows que realizará em Curitiba, Blumenau, Uruguai e Argentina até o fim de fevereiro. Em Curitiba serão cinco shows, entre os dias 19 a 23 de janeiro.

Há amor no Oriente Médio

Rosa

A violência nos países do Oriente Médio, com guerras infindáveis e migração em massa que está mudando a cara da Europa, encobre a riqueza de culturas milenares que deram imensa contribuição para o desenvolvimento da humanidade no que se refere à astronomia, saúde, matemática e, principalmente, nas artes. Enquanto que o vermelho do sangue das vítimas de extremistas, sejam eles Ocidentais ou Orientais, nos levam a suspeitar que o teórico americano Samuel Hungtington estaria certo em sua absurda tese em que buscou provar por A mais B que o mundo islâmico seria muito mais violento que qualquer outro, músicos brasileiros e sírios revelam o quanto há de amor na cultura Oriental, de árabes cristãos, muçulmanos, espíritas ou ateus.

“A improvisação é um caminho sem volta”

Lupa Santiago em foto de Murilo Moser

O guitarrista Lupa Santiago lançou em 2015 nada menos do que quatro CDs com as mais diversas formações e com músicos de vários países, com apresentações em Portugal, África do Sul e Dinamarca. E, no próximo ano, espera lançar mais dois discos e fazer uma turnê pelo Sul e Sudeste do Brasil e realizar mais shows na Europa. Entre os quatro discos já lançado neste ano, pude ouvir “Chamado”, com participação do saxofonista Rodrigo Ursaia em um quinteto no qual está o pianista André Marques; “Manhã”, no qual o guitarrista faz um duo com o pianista Paulo Braga; e “São Paulo/Paris II”.

Músico integra Expedição Rio Doce Vivo  

Zeolina

O contrabaixista e compositor Vinícius Pereira sempre esteve ligado a importantes movimentos culturais, tendo liderado o Movimento Elefantes, que busca formar público para a música instrumental e atuando como músico de bandas que fazem desde uma homenagem ao maestro Moacir Santos, passando pelo tango até a música oriental. Compositor de “Gotita”, uma das músicas mais expressivas e mais bonitas da atual cena da música instrumental brasileira, segundo avaliação do próprio blog entresons, Pereira será uma das sete pessoas, entre outros artistas, educadores e engenheiros, que percorrerão quatro cidades entre Minas Gerais e o Espírito Santo de 13 a 20 novembro, levando informações sobre coleta e tratamento da água da chuva para suprir as comunidades de meios para superar a crise provada pela tragédia do rompimento da barragem de rejeitos da mineradora Samarco.

Palindrum revela o som oculto de mitologias

PALINDRUM (2)

O músico, compositor e educador alemão naturalizado brasileiro Hans-Joachin Koellreutter dizia a seus alunos em português, com o sotaque carregado, que a música não descreve nada. Quem lembra agora dessa frase é um de seus alunos, o compositor Dyonisio Moreno, ao comentar sobre suas composições para o grupo Palindrum, que lançou seu primeiro CD em setembro de 2015. Além de utilizar em suas músicas um instrumento exótico chamado hang drum, mas parecido com um disco voador, as composições de Moreno parecem revelar segredos ocultos e misteriosos de antigas sociedades, que alcançam altos níveis de deslumbramento. “Koellreutter tem razão, tudo é uma associação cultural. A música pode parecer soar como uma cachoeira, mas na sua cultura. Talvez para os hindus não pareça mesma coisa. Embora seja muito interessante quando uma música desperta sentimentos parecidos entre pessoas diferentes.”

Músico e sapateiro Luiz Marzochi recebe homenagem em Americana

Luiz Marzochi

A Câmara Municipal de Americana fez na quinta-feira, dia 29 de outubro de 2015, uma homenagem ao trombonista e sapateiro Luiz Marzochi, que morreu há 23 anos quando teve um mal súbito quando estava a caminho de uma apresentação da Banda Municipal Monsenhor Nazareno Maggi, poucos dias antes de seu aniversário, quando completaria 71 anos. A pedido dos filhos do músico, os vereadores denominaram uma rua no Jardim Boer II com o nome de Luiz Marzochi. “Luiz Marzochi, ou ‘Seu Luiz’, como era conhecido, fazia parte de segunda geração de imigrantes italianos que fugiram da miséria e da fome que assolava a Itália. Sua história é igual à história de outros tantos imigrantes italianos que vieram desbravar essa terra”, escreveram os filhos José Carlos Marzochi e Maria Angelina Marzochi no requerimento enviado à Câmara.

Ouvido Absurdo

Taquaritinga 2 - Marcos Tavares Costa MTC

Meia luz, meia noite. A sala está na penumbra, vez ou outra é perpassada por flashes luminosos projetados nas paredes pelos farois dos carros, que atravessam ferozes a encruzilhada onde fica o prédio da família do músico Taquaritinga, que mora em meio ao ruído enlouquecedor do primeiro andar de um condomínio na Vila Madalena, em São Paulo. No meio da sala, avó, avô, pai, mãe e filho do músico, subitamente desaparecido, formam um círculo e acendem uma vela no meio. O avô sussurra primeiro, com a boca flácida e já desdentada, o nome do neto, enquanto que, suavemente, ouve-se ritmos de tambores africanos, cuícas e paus de chuva. Todos dão as mãos e começam a fazer uma roda. Aos poucos, o ritmo se acelera e o sussurro ganha as proporções de uma canção em alto tom, puxada pela mulher do instrumentista, que pergunta:

Música em ponto de mutação

Foto de Luís Dávila - Vila Imagem — com Mario Aphonso III em Munhoz MG

É possível que seja mais comum que se imagina a ocorrência diária, em qualquer parte do mundo, de um final de tarde parecido com aquele das últimas cenas do filme “Ponto de Mutação” (Mindwalk, EUA, 1990), inspirado no livro “O Ponto de Mutação”, de Fritjof Capra (1983). No filme, uma cientista, um político e um poeta debatem as barreiras para se colocar em prática uma nova visão da vida não mais baseada no modelo cartesiano, que reduz o tempo e o homem a máquinas, mas em uma perspectiva integrada, em um sistema complexo de relações. Debates como este do enredo do filme estão na base de movimentos como o de defesa do meio ambiente, que floresceu em escala planetária nos anos 1980, de novas abordagens científicas, além de instigaram novas concepções sobre a cultura e a arte. Independentemente de terem visto o filme e compartilharem ou não as ideias sobre a teoria dos sistemas e da física quantica, dois artistas brasileiros de universos diferentes tiveram um por do sol semelhante ao do filme, representando o poeta, aquele que constrói a invisível teia de sentidos de uma nova forma de estar no mundo. Mario Aphonso III e MC Joul, cada um do seu jeito, criaram movimentos artísticos e sociais a partir da fusão da cultura brasileira com a norte-americana e a oriental, promovendo uma mudança de percepção estética e educativa.

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