“A improvisação é um caminho sem volta”

Lupa Santiago em foto de Murilo Moser

O guitarrista Lupa Santiago lançou em 2015 nada menos do que quatro CDs com as mais diversas formações e com músicos de vários países, com apresentações em Portugal, África do Sul e Dinamarca. E, no próximo ano, espera lançar mais dois discos e fazer uma turnê pelo Sul e Sudeste do Brasil e realizar mais shows na Europa. Entre os quatro discos já lançado neste ano, pude ouvir “Chamado”, com participação do saxofonista Rodrigo Ursaia em um quinteto no qual está o pianista André Marques; “Manhã”, no qual o guitarrista faz um duo com o pianista Paulo Braga; e “São Paulo/Paris II”.

Músico integra Expedição Rio Doce Vivo  

Zeolina

O contrabaixista e compositor Vinícius Pereira sempre esteve ligado a importantes movimentos culturais, tendo liderado o Movimento Elefantes, que busca formar público para a música instrumental e atuando como músico de bandas que fazem desde uma homenagem ao maestro Moacir Santos, passando pelo tango até a música oriental. Compositor de “Gotita”, uma das músicas mais expressivas e mais bonitas da atual cena da música instrumental brasileira, segundo avaliação do próprio blog entresons, Pereira será uma das sete pessoas, entre outros artistas, educadores e engenheiros, que percorrerão quatro cidades entre Minas Gerais e o Espírito Santo de 13 a 20 novembro, levando informações sobre coleta e tratamento da água da chuva para suprir as comunidades de meios para superar a crise provada pela tragédia do rompimento da barragem de rejeitos da mineradora Samarco.

Palindrum revela o som oculto de mitologias

PALINDRUM (2)

O músico, compositor e educador alemão naturalizado brasileiro Hans-Joachin Koellreutter dizia a seus alunos em português, com o sotaque carregado, que a música não descreve nada. Quem lembra agora dessa frase é um de seus alunos, o compositor Dyonisio Moreno, ao comentar sobre suas composições para o grupo Palindrum, que lançou seu primeiro CD em setembro de 2015. Além de utilizar em suas músicas um instrumento exótico chamado hang drum, mas parecido com um disco voador, as composições de Moreno parecem revelar segredos ocultos e misteriosos de antigas sociedades, que alcançam altos níveis de deslumbramento. “Koellreutter tem razão, tudo é uma associação cultural. A música pode parecer soar como uma cachoeira, mas na sua cultura. Talvez para os hindus não pareça mesma coisa. Embora seja muito interessante quando uma música desperta sentimentos parecidos entre pessoas diferentes.”

Músico e sapateiro Luiz Marzochi recebe homenagem em Americana

Luiz Marzochi

A Câmara Municipal de Americana fez na quinta-feira, dia 29 de outubro de 2015, uma homenagem ao trombonista e sapateiro Luiz Marzochi, que morreu há 23 anos quando teve um mal súbito quando estava a caminho de uma apresentação da Banda Municipal Monsenhor Nazareno Maggi, poucos dias antes de seu aniversário, quando completaria 71 anos. A pedido dos filhos do músico, os vereadores denominaram uma rua no Jardim Boer II com o nome de Luiz Marzochi. “Luiz Marzochi, ou ‘Seu Luiz’, como era conhecido, fazia parte de segunda geração de imigrantes italianos que fugiram da miséria e da fome que assolava a Itália. Sua história é igual à história de outros tantos imigrantes italianos que vieram desbravar essa terra”, escreveram os filhos José Carlos Marzochi e Maria Angelina Marzochi no requerimento enviado à Câmara.

Ouvido Absurdo

Taquaritinga 2 - Marcos Tavares Costa MTC

Meia luz, meia noite. A sala está na penumbra, vez ou outra é perpassada por flashes luminosos projetados nas paredes pelos farois dos carros, que atravessam ferozes a encruzilhada onde fica o prédio da família do músico Taquaritinga, que mora em meio ao ruído enlouquecedor do primeiro andar de um condomínio na Vila Madalena, em São Paulo. No meio da sala, avó, avô, pai, mãe e filho do músico, subitamente desaparecido, formam um círculo e acendem uma vela no meio. O avô sussurra primeiro, com a boca flácida e já desdentada, o nome do neto, enquanto que, suavemente, ouve-se ritmos de tambores africanos, cuícas e paus de chuva. Todos dão as mãos e começam a fazer uma roda. Aos poucos, o ritmo se acelera e o sussurro ganha as proporções de uma canção em alto tom, puxada pela mulher do instrumentista, que pergunta:

Música em ponto de mutação

Foto de Luís Dávila - Vila Imagem — com Mario Aphonso III em Munhoz MG

É possível que seja mais comum que se imagina a ocorrência diária, em qualquer parte do mundo, de um final de tarde parecido com aquele das últimas cenas do filme “Ponto de Mutação” (Mindwalk, EUA, 1990), inspirado no livro “O Ponto de Mutação”, de Fritjof Capra (1983). No filme, uma cientista, um político e um poeta debatem as barreiras para se colocar em prática uma nova visão da vida não mais baseada no modelo cartesiano, que reduz o tempo e o homem a máquinas, mas em uma perspectiva integrada, em um sistema complexo de relações. Debates como este do enredo do filme estão na base de movimentos como o de defesa do meio ambiente, que floresceu em escala planetária nos anos 1980, de novas abordagens científicas, além de instigaram novas concepções sobre a cultura e a arte. Independentemente de terem visto o filme e compartilharem ou não as ideias sobre a teoria dos sistemas e da física quantica, dois artistas brasileiros de universos diferentes tiveram um por do sol semelhante ao do filme, representando o poeta, aquele que constrói a invisível teia de sentidos de uma nova forma de estar no mundo. Mario Aphonso III e MC Joul, cada um do seu jeito, criaram movimentos artísticos e sociais a partir da fusão da cultura brasileira com a norte-americana e a oriental, promovendo uma mudança de percepção estética e educativa.

Todas as noites serão de eclipse

ECLIPSE_Claudio Capucho

Um jogo de palavras sobre a temperatura ideal para se viver gerou o título do primeiro CD do Rodrigo Nassif Quarteto “Todos os dias serão de outono”, lançado em julho deste ano e que ficou em primeiro lugar de downloads na Apple Store em agosto. Com uma mistura muito sensível de estilos tão variados quanto o rock, valsa, jazz e ritmos da cultura popular latina como o chamamé e o tango-milonga, o grupo prova que a riqueza musical brasileira não tem limites, tamanha é a porosidade capaz de absorver elementos culturais diversos, que podem ser unidos em uma formação musical contemporânea. O grupo realizará show no dia 18 de outubro no Sesc Campinas e no dia 19 de outubro no Instrumental Sesc Brasil, em São Paulo.

Samba Jazz na idade de frigir os ovos

Ilustração de Carlinhos Müller - Setembro de 2015

O que veio primeiro? O ovo ou a galinha? Muito de nossa ciência se tem investido para responder a essa pergunta, especialmente quando o assunto é saúde e longevidade. Pesquisas e mais pesquisas sugerem com o que devemos nos alimentar, que estilo de vida devemos seguir. Porém, ao passo que cada ser é único em sua caminhada, nada do que for prescrito pode surtir efeito se não se levar em conta o mais sábio dos conselhos: saber viver o presente. Um grupo de músicos que está chegando ou que já passou dos 80 anos, associados a um produtor que há anos tem se dedicado a contar suas histórias em livros, decidiram deixar de lado o dilema para quebrar o ovo, lançando-o diretamente na frigideira. Um dos eventos em que esses estalos ocorrerão nos paladares poderá ser sentido em um show gratuito no dia 1 de novembro, no Sesc Campo Limpo, no projeto “Samba Jazz – A Origem”.

Músico maranhense teve que dar relógio em troca de comida para não passar fome em São Paulo

Caminhos de Papete

O músico maranhense José de Ribamar Viana, o Papete, está escrevendo um livro contando a história de sua vida, desde os apuros que passou ao chegar em São Paulo, em 1968, até as conquistas, como gravar 23 CDs, conhecer músicos admiráveis, subir ao palco de prestigiados festivais, como o de Montreaux, na Suíça, e ser reconhecido como um dos maiores percussionistas do mundo. Papete lançará em São Paulo, em novembro, o contagiante CD duplo “Sr. José” e o livro “Os Senhores Cantadores, Amos e Poetas do Bumba Meu Boi do Maranhão”, que eterniza a vida de 34 mestres do Bumba Meu Boi. Nos dias 6 e 7 de agosto, a reportagem do blog entresons pode ficar bem perto deste músico culto e polêmico, que conhece os ritmos dos toques das mais variadas tradições da cultura popular brasileira.

Onde o rio encontra o mar

Papete (1)

O trabalho do músico maranhense José de Ribamar Viana, mais conhecido como Papete, pode ser comparado à água: é tão vital quanto o líquido precioso que alimenta a terra. Papete completará 68 anos em novembro, mês que escolheu para fazer o lançamento em São Paulo de dois trabalhos, já lançados no Maranhão, que mostram a profundidade da cultura popular maranhense e sua projeção no mundo enquanto cultura pop. O primeiro é o livro “Os Senhores Cantadores, Amos e Poetas do Bumba Meu Boi do Maranhão”, no qual revela a história dos 34 mestres mais representativos do Bumba Meu Boi no Estado; o segundo é o CD duplo “Sr. José… de Ribamar e outras praias…”, verdadeira fonte da juventude do artista, que ao usar técnicas de gravação e levar um espírito de esperança em sua interpretação o faz soar como um garoto de 20 anos.

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