“Dois na Rede” entre Iguape e São Francisco

Mauro e Gilson

O saxofonista e flautista Mauro Senise comemora 25 anos de parceria musical e de amizade com o arranjador, compositor e pianista Gilson Peranzzetta com o CD “Dois na Rede”, lançado em junho último e gravado ao vivo em outubro de 2014, no Espaço Tom Jobim, no Rio de Janeiro. A agenda de show é extensa, do interior de São Paulo até São Francisco, nos Estados Unidos. A dupla fez palestra e show no dia 10 de julho no Iguape Jazz & Blues Festival, em Iguape, no litoral de São Paulo. O festival reuniu nomes importantes do jazz brasileiro, como grupo paulistano Trio Corrente, vencedor do Grammy de melhor algum de jazz latino no ano passado, o trombonista Raul de Souza e o Ulisses Rocha Trio. Senise e Peranzzetta realizarão ainda shows nos meses seguintes em Petrópolis, Salvador, Rio de Janeiro e, em agosto, estarão no San Francisco Jazz Center, nos Estados Unidos.

O pífano paulista de Zé Claudio e Banda Bambu

Ze Claudio e Banda Bambu

Há dez anos, um show mudaria a vida de Zé Claudio, em Botucatu, no interior de São Paulo. Flautista e saxofonista desde 1977, ele acompanhava o interesse de um amigo em construir pífanos. Mas o impulso definitivo que teve para investir sua vida no instrumento de bambu, cuja origem se mistura no Brasil com as flautas indígenas e os “pífaros” portugueses, ocorreu em 2005 quando se apresentou na cidade a banda Pífanos Matuá, de Campinas. “Eu já estava começando a fazer os meus pífanos. Depois que eles vieram prá cá, eu fiquei empolgado, e quis fazer uma banda também. E comecei a fazer o pífano procurando fazer afinado, fazia com afinador eletrônico, ia furando até conseguir a nota, para fazer a escala maior afinadinha”, conta o músico, que produz até 12 instrumentos por mês e lidera a Banda Bambu.

Núcleo Contemporâneo chega à maioridade cultivando a independência

Casa do Núcleo

Um dos principais desafios de um artista é conseguir sobreviver com a cultura que ele produz. No caso específico dos músicos da chamada música instrumental, ou jazz brasileiro, a questão é ainda mais delicada. E um bom exemplo de que é possível conciliar arte, sem concessões ao mercado, com retorno financeiro que dê o mínimo de dignidade ao artista é uma iniciativa que foi lançada em 1997: o Núcleo Contemporâneo, que é ao mesmo tempo produtora e gravadora, e que lançou há quatro anos em São Paulo a Casa do Núcleo, um local de encontro dos artistas relacionados ao movimento e seu público. Nesses 18 anos, a iniciativa que deu certo e produziu 45 CDs e distribui outros 45, de artistas como Na Ozzetti, Naná Vasconcelos, Marco Pereira e Hamilton de Holanda, entre outros. Ao todo, foram vendidos 120 mil CDs.

Em apresentação única no Brasil, o sardo Paolo Angeli apresenta a música original que cria com seu violão

Paulo Angeli músico sardo - Foto Nanni Angeli 03

O músico sardo Paolo Angeli, 45, apresenta em São Paulo, em 8 de Junho, no teatro do Sesc Consolação, às 19 horas, um concerto único no qual, acompanhado por seu violão preparado, vai levar o público a uma viagem solitária ao redor do Mediterrâneo. “A navegação solitária – explica Angeli – é a coisa mais linda que pode existir. Você encara a sua intimidade, o passar do tempo. Encara uma música que já vez parte de você, mas percebe que ao longo dos anos será como uma roupa que já não usará mais. Eu gosto de ariscar, navegar a vista, evocando a poesia do sextante, dos medos e dos papéis náuticos. Toda vez eu tento alterar a margem de risco, com a consciência de que a terra firme me espera. E ali as composições afloram, são ilhas a explorar e abandonar para seguir saboreando a beleza da navegação ao longo da costa”.

Salimanga para aguçar os paladares

Salimanga

Sal com manga é tão bom que na década de 1980, uma menina que conheço e que não quer revelar a idade, fazia malabarismos para conseguir unir as duas coisas. De sua janela na cidade, ela via o caminhão de areia do vizinho. Pulava a janela, pulava o muro e, uma vez em cima do caminhão, tinha acesso às melhores frutas. E tudo isso ela fazia como uma Indiana Jones, já com a faca e um punhado de sal. Tudo para sentir o efeito do sal na manga, que nas mais verdes, parece que deixa tudo ainda mais doce. É essa aparente contradição, de o sal adocicar a manga verde, e pela delícia que isso provoca no paladar, que surgiu em Brasília uma nova banda: o violonista Bruno César Araújo e o saxofonista Paulo Rogério criaram o Salimanga, que lançará o primeiro CD “Quase Treze”, em julho.

Gustavo Spínola iça velas para navegar “Mares, Rios”

Gustavo Spindola Capa_CD

O cantor, instrumentista e compositor Gustavo Spínola lançará no segundo semestre de 2015 “Mares, Rio”, seu primeiro trabalho autoral. Serão nove faixas que expressam um som de grande sensibilidade, resultado de parcerias muito especiais. É como se, em pleno interior de São Paulo, na cidade de Americana, nascesse um movimento musical que já começa no mesmo nível de qualidade de artistas como 5 a Seco e Hugo Branquinho. Entre os vários mestres de Gustavo, está a pianista e cantora Andrea dos Guimarães, professora inspiradora que ajudou indiretamente o músico a realizar o sonho do primeiro CD. Andrea faz show do seu CD “Desvelo”, no dia 1 de junho, às 21h, no Espaço Cachuera, em São Paulo.

Quintal Brasileiro realiza três shows no projeto Ouvido Absoluto

Quintal Brasileiro (5) - Foto Davilym Dourado (3)

A idealizada versão do quintal como um lugar lúdico se faz em som e tem como um de seus nomes o conjunto Quintal Brasileiro, que se equilibra no muro entre os seus vizinhos “populares” e “eruditos”. Sem receio de levar tiro de sal nos fundilhos ao desejar hora a fruta de um, hora a do outro, seus arranjos e composições autorais são inspiradas de tal forma que por si só dissolvem barreiras de classificação. O que importa não é saber se é erudito, se é popular ou se são ambos, mas quanto os ouvintes ganham nessa soma e quanto os músicos se sentem realizados à medida que o nível de liberdade cresce. O grupo será o primeiro a se apresentar no projeto “Ouvido Absoluto”, da Ato Cultural e Livraria Cultura, com o intuito de abrir espaço para a música de câmara. As apresentações ocorrerão aos sábados, no Teatro Eva Herz, ao meio dia.

Dentista se especializa em tratar músicos de instrumentos de sopro

Alexandre Alcântara e François de Lima trombonista da Banda Mantiqueira

A música pode até surgir no cérebro, a partir de uma inspiração, mas para se materializar em som é preciso bem mais que estudo e o domínio de um instrumento: o corpo tem papel fundamental nesse processo. Além de técnicas de respiração, o uso de toda a boca é determinante no caso de músicos que se expressam por meio de instrumentos de sopro, como saxofone, trompete, trombone, flauta, tuba, entre outros. A conexão exata do corpo do músico com o instrumento de sopro se dá pela chamada “embocadura”, que por meio de uma conjunção de fatores envolvendo os dentes, lábios e a língua, permite a passagem exata de ar pelo instrumento para que ele possa emitir as ondas sonoras das notas musicais. O assunto chamou a atenção do dentista Alexandre Alcântara, em 1995, que se especializou na área.

Pergunte a um poeta, mas nunca a um ditador

Adylson Godoy foto de Claudia Souza

O destino entrelaça caminhos de forma inacreditável, colocando muitas vezes opressores e oprimidos lado a lado. Foi o que aconteceu com o pianista e compositor Adylson Godoy em 1980, quando se apresentou na casa do ditador João Figueiredo. Adylson, que completa 50 anos de carreira, foi censurado pela Ditadura, proibido de gravar “Heroica” e “O General e o muro”. Mas também fez trincheira de resistência. “Eu perguntei a ele (Figueiredo) se o Brasil tinha jeito. E ele, com um copo de uísque na mão, me disse: ‘você já viu cobertor curto?’”, diz Adylson, que 35 anos depois da resposta, chega a usar a mesma metáfora para se referir ao Brasil hoje. Pode se pode completar 50 anos de carreira e achar que Figueiredo estava certo? Seu único deslize talvez seja o de perguntar a um ditador algo que só um poeta pode responder.

Orquestra Atlântica lança o primeiro CD

Orquestra Atlântica 2 (2)

“A música sozinha não é mais nada para as pessoas. Ela sempre está associada a imagens”, diz o saxofonista Marcelo Martins, em uma reflexão sobre o efeito da televisão e do videoclipe na música e, também, na literatura. Para ele, é como se as pessoas deixassem de cultivar a imaginação a partir do som, ou a partir do texto, para construir suas próprias teias de sentido. Essa preguiça semântica pode ser parte da explicação da fama de certas expressões artísticas, que ganham o público possivelmente não apenas porque é priorizado pela mídia, mas também porque há gente que goste. É preciso, no entanto, existir independentemente do gosto da maioria. Assim foi criada a Orquestra Atlântica, em 2012, no Rio de Janeiro, que agora em 2015 lança o seu primeiro CD.

Social



Licença de uso

Licença Creative Commons
Os textos do Entresons são publicados com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-CompartilhaIgual 3.0 Não Adaptada.
Você pode reproduzir, retransmitir e distribuir o conteúdo, desde que com crédito (ao site e ao autor do texto), para uso não-comercial e com uma licença similar.

Próximos shows

Assinar: RSS iCal