TarabJazz faz a fusão da música oriental ao jazz

TarabJazz

O músico Mario Aphonso III, que há 30 anos cria pontes entre os mundos da música ocidental e oriental, está lançando um nova banda, cuja pré-estreia ocorre na sexta-feira, dia 17 de março, às 21h30, no 38 Social Clube, em São Paulo. O grupo foi batizado como TarabJazz e foi formado para celebrar o encontro da música étnica árabe com o jazz, na sua mais ampla concepção. “Não vamos tocar blues, nem standard de jazz”, diz Aphonso III. “Jazz vem da improvisação, vem da abertura que o jazz proporciona no encontro com outras linguagem e estruturas.” Além de Aphonso III, participam do grupo os músicos Ian Nain, Francisco Lobo e Vinicius Pereira.

Hermeto e Heraldo provam sua juventude

Hermeto Pascoal Show 11032017 Foto de Divulgação

“Querer saber sem sentir é o mesmo que querer ter fé sem ter esperança.” Essa foi uma das diversas frases poéticas ditas por Hermeto Pascoal no sábado (11/03), durante show com o guitarrista Heraldo do Monte, no Sesc Pinheiros, em São Paulo. Esta frase, especialmente, revela importantes características deste show e, também, da essência do que o músico batizou de “Música Universal”. “Música Universal é a música que está mais perto do céu, é a música que vai unir o mundo”, afirmou Hermeto. Os dois companheiros de longa data realizaram um show sem qualquer ensaio e, nem mesmo, repertório, como Heraldo havia explicado, na semana passada, ao entresons. A ideia da apresentação, que foi também celebrada no domingo, foi a de tocar a música que surgisse no palco, no momento. Uma hora, Hermeto desafiava Heraldo, começando no piano uma canção; depois, era a vez de Heraldo apresentar um tema. Em um tom muito bem-humorado e sem qualquer arranjo pré-definido, esses músicos incríveis, que já passaram dos 80 anos, deram uma pequena amostra do fascinante universo da explosão de constelações sonoras.

H2I: a química da improvisação

edHermeto Pascoal Gargolândia foto de Matheus José Maria

Após um ano, os multi-instrumentistas Hermeto Pascoal e Heraldo do Monte compartilharão o mesmo palco nos shows de sábado e domingo, dias 11 e 12 de março, no Sesc Pinheiros. Os músicos se conheceram na década de 1960 quando integraram o lendário Quarteto Novo. A banda, além de acompanhar o cantor e compositor Geraldo Vandré, também gravou um disco precioso, que agora completa 50 anos. Mas não é de passado que vive essa dupla, que já completaram 80 primaveras. “No show queremos nos surpreender para, assim, surpreender o público”, conta Heraldo, que completa 82 anos no dia 1 de maio. “Hermeto mora no Rio. Eu moro em São Paulo. Não sei o que vai acontecer no palco, porque não vamos ensaiar nada”, explica o músico, que não tem a mínima ideia das músicas que tocará ao lado do parceiro de longa data. “Talvez, a gente combine um tema para improvisar em cima.”

Caolho fica quem tenta entender Vinícius Chagas

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Música é para sentir, não para entender, dizem os mestres. Um deles é o multi-instrumentista Itiberê Zwarg, com quem o saxofonista Vinícius Chagas, 25 anos, realizou um curso em 2015 com grande profundidade. O jovem instrumentista lançou recentemente o CD “Moment Storm”, cuja primeira música “Lalá” me traz a sensação do mesmo workshop. Tentei entrevistar o músico, mas nossas agendas não bateram. Como aqui é um blog, e o chefe sou eu mesmo, deixo de lado o jornalismo e a curiosidade e compartilho sensações. Até porque, essa curiosidade me fez lembrar da história dos caolhos do livro “Mil e uma Noites”. E como meu psiquiatra talvez leia o blog, ele pode avaliar se um dia terei alta. É testar para ver se a musicoterapia está funcionando. “Lalá” é uma música que me causa muita alegria, traz um gosto de liberdade e poesia, de um verdadeiro jazz brasileiro. Eu só escuto a música no Deezer, mas pesquisando no Youtube dá para ver que o arranjo é de Paulio Celé, um guitarrista incrível, que também participou do curso do Itiberê no ano passado.

Curso universaliza uso de escala oriental

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Há quem veja a história como estática. Tudo está onde sempre esteve. Obviamente, não é bem assim, especialmente na música. Ao ouvir, por exemplo, o riff inicial do guitarrista Keith Richards em “Paint it Black”, música do Rolling Stone, é possível sentir um sopro da música oriental naquele chamado. Há influências mútuas entre todas as culturas. Os movimentos sutis da escala usada nesse rock é uma variação da escala oriental Maqam. Essa escala, na verdade, tem o seu registro mais antigo na Suméria, há 6.500 anos. Apesar dessa escala ter sido adotada pelos árabes, muito antes do nascimento da religião muçulmana, é um tipo de expressão que faz parte da história da humanidade, livre de registro de posse. É para dar a dimensão universal desse tipo de escala que o multi-instrumentista Ian Nain está realizando o “Curso de Improvisação Modal” no Instituto Tarab, em São Paulo.

Alex Lameira no oceano da Música Universal

Alex Lameira

Quando você pergunta a alguém se conhece o trabalho de Hermeto Pascoal vai dizer que nunca ouviu falar ou, no máximo, vai lembrar do músico tocando algum instrumento exótico, como uma chaleira cheia de água. Sim, ele toca qualquer instrumento, especialmente aqueles que não são convencionais. Mas, por falta de um sistema justo de difusão de arte, talvez nunca tenha ouvido “Amor, Paz e Esperança”. Sua genialidade em fundir música brasileira com jazz e sua peculiar forma de compor o levaram a criar um sistema de chamado Música Universal. O guitarrista Alex Lameira bebeu nessa fonte e lançou em fevereiro de 2016 o seu primeiro CD com essa pegada, com uma arte de capa que mergulha nesse universo.

Quem entender morre

1Mùsica Universal Foto de Cássia Betânia P Rocha

“Eu sinto (a música), mas não consigo entender”, diz o saxofonista Vinícius Chagas entre os intervalos de um curso. Ele tocava seu sax tenor no hall de entrada das salas de ensaio do sexto andar do Sesc Vila Mariana, frente ao imenso vão livre, que corta todos os andares e por onde flutuam, em movimentos circulares, baleias coloridas de um móbile. Vinícius buscava na razão uma forma de memorizar uma frase que havia sido lhe passada simplesmente cantando, durante o curso de Música Universal do multi-instrumentistas Itiberê Zwarg, cuja essência é exatamente a de ensinar música por senti-la, nunca por entendê-la.

A comunhão de Itiberê Zwarg

Itiberê Zwarg (centro) realiza oficina com músicos para explicar e praticar os princípios da Música Universal

O multitinstrumentista Itiberê Zwarg, que foi contrabaixista da banda de Hermeto Pascoal, realizou em outubro, na Casa do Núcleo, em São Paulo, um workshop sobre “Música Universal” com a participação de músicos que estudam na Escola de Música do Estado de São Paulo – Tom Jobim e da Faculdade Souza Lima, transmitindo toda sua experiência técnica e intuitiva.

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