Jazz na zona de guerra

Vinicius Chagas Warzone

O jovem saxofonista Vinícius Chagas lança “Warzone”, seu seguindo trabalho autoral, com um som carregado em velocidade de execução e gritos muito próximos do completo desespero, desalento e desamor. Sua fascinação pelo jazz de Miles Davis e Charlie Parker estão nítidos em seu swing e na fotografia que escolheu para ilustrar o seu WhatsApp, embora suas dissonâncias o deixem mais próximo de Ornette Coleman e do free-jazz. Mas, afinal, por que você toca assim? Por que você grita? “Eu cresci em igreja evangélica, ouvindo muita música gospel. E música raiz, samba, por influência do meu pai. Isso está dentro da minha musicalidade. Tem uma coisa melódica, mas tem uma tristeza. Todos esses fragmentos são coisas da minha vida pessoal que se refletem na música”, explica o saxofonista. “A maneira de tocar vem da influência da minha vivência, minha personalidade. Reflete o jeito que eu toco, reflete mais a minha personalidade que o momento. As composições podem ter minha maneira de tocar, que desenvolvi há anos.”

“Terra” chamando

terra

O mar é como um telescópio direcionado para dentro do homem. Pode ampliar as possibilidades de vida, mas também limitar ou mesmo destruir o que estiver em seu caminho, assim como nas mais fortes ressacas. A ideia pescada é da peça “Aqui Estamos com Milhares de Cães Vindos do Mar”, que o diretor Rodrigo Spina criou a partir de uma sobreposição de uma série de peças do romeno Matéi Visniec, cuja vida foi marcada pela ditadura comunista em seu país. Após se mudar para a França em 1987, o autor se surpreendeu com a ditadura da sociedade de consumo, hoje em escala planetária. O reflexo de uma peça como essa é sem dúvida uma visão panorâmica da desgraça humana. E, diante de tanta tristeza, há músicos, poetas, dramaturgos e atores, verdadeiros cães de cegos que surgem do mar para dar sentido à escuridão da humanidade.

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