Dani Gurgel dá asas à onomatopeia

Dani Gurgel

Quando a multi-instrumentista Dani Gurgel foi para o estúdio gravar “Voou”, uma das músicas mais fortes de “TUQTI”, o seu segundo disco autoral, não havia ainda uma letra. Isso nunca será empecilho para ela, que também é cantora. Dani desenvolveu uma técnica apurada de “scat singing”, usando a voz como puro instrumento em frases melódicas e percussivas. A gravação, cuja música teve parceria do violonista Daniel Santiago, era importante porque teve a participação da trompetista canadense Ingrid Jensen, musicista da orquestra da compositora americana Maria Schneider. Ouvindo os scats de Dani, Ingrid sentiu que aquilo se assemelhava a um canto de um pássaro. Emocionada com essa comparação, Dani decidiu criar uma letra para homenagear a trompetista, numa história de um pássaro fêmea que não teme voar, que é forte e alto o suficiente. “É uma coisa também sobre a dificuldade de ser mulher tocando música instrumental, que precisa se afirmar”, explica Dani. Segundo ela, é comum no meio musical uma musicista ouvir um tipo de elogio enviesado, do tipo: “ela toca igual a um homem”.

Samba Jazz na idade de frigir os ovos

Ilustração de Carlinhos Müller - Setembro de 2015

O que veio primeiro? O ovo ou a galinha? Muito de nossa ciência se tem investido para responder a essa pergunta, especialmente quando o assunto é saúde e longevidade. Pesquisas e mais pesquisas sugerem com o que devemos nos alimentar, que estilo de vida devemos seguir. Porém, ao passo que cada ser é único em sua caminhada, nada do que for prescrito pode surtir efeito se não se levar em conta o mais sábio dos conselhos: saber viver o presente. Um grupo de músicos que está chegando ou que já passou dos 80 anos, associados a um produtor que há anos tem se dedicado a contar suas histórias em livros, decidiram deixar de lado o dilema para quebrar o ovo, lançando-o diretamente na frigideira. Um dos eventos em que esses estalos ocorrerão nos paladares poderá ser sentido em um show gratuito no dia 1 de novembro, no Sesc Campo Limpo, no projeto “Samba Jazz – A Origem”.

“O que mais vale é o momento”, diz Hector Costita, em plena forma aos 80 anos

Hector Costita - Foto de Rogério-Vieira_2014_05_16_38491 - Itaú Cultural

“A única coisa que possa ter com 80 anos é ter se arrependido de não ter aproveitado o momento, perdendo tempo em coisas que não tem valor hoje. Cada dia, cada momento, eu tento viver o mais intensamente possível. O que mais vale é o momento.” A reflexão é do clarinetista, saxofonista e compositor Hector Costita, que completou 80 anos no dia 27 de outubro de 2014. Na segunda-feira (01/12), o músico comemora os 50 anos do disco “Impacto”, seu terceiro trabalho autoral, mas o primeiro em que ele apresentou três composições próprias. É curioso saber que um músico como Hector tenha essa sensação hoje de não ter aproveitado tanto o momento, uma vez que ele faz parte da história viva da bossa nova e do samba-jazz.

Social



Licença de uso

Licença Creative Commons
Os textos do Entresons são publicados com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-CompartilhaIgual 3.0 Não Adaptada.
Você pode reproduzir, retransmitir e distribuir o conteúdo, desde que com crédito (ao site e ao autor do texto), para uso não-comercial e com uma licença similar.

Próximos shows

Assinar: RSS iCal